   Voc Sabe que Me
                                   Ama
                     Gossip Girl
                                Vol. 2
Contra capa:

Adolescentes adoram fofocar em qualquer lugar do planeta, mas no mundinho dos jovens da
alta sociedade nova-iorquina as fofocas so sempre mais divertidas, nem que seja pelas suas
roupas caras de estilistas famosos, pelas casas de frias em lugares hiper-chiques, pelos
litros de bebidas que consomem ou pelas brigas sem qualquer motivo. Em Gossip Girl iremos
conhecer o universo quase secreto dos alunos de tradicionais escolas particulares para
meninas e meninos, onde nem mesmo os horrveis uniformes conseguem esconder a beleza
desses afortunados. Todos moram nos endereos mais caros da cidade, em apartamentos
suntuosos com a vista para a Central Park. Herdaram os traos clssicos de suas famlias
aristocrticas e no tm muito com o que se preocupar: podem beber  vontade, contanto
que no deixem seus pais constrangidos; so inteligentes; tm toneladas de privacidade e,
no mximo, ficam um pouco nervosos quando o assunto  sexo ou decidir em qual
universidade iro se inscrever. Mas tudo com muita classe, of course.

Neste Gossip Girl: Voc sabe que me ama a fofoca continua correndo solta e os nimos esto
cada vez mais exaltados. Blair est prestes a ganhar um padrasto e um meio irmo que
detesta, j que a me decide se casar de novo. E, para piorar, a festa ser no dia do seu
aniversrio de 17 anos! Mas isso no  tudo: poucos dias antes, sua entrevista de admisso
na Universidade de Yale  um completo fiasco, e seu namorado Nate no d mais notcia.
Enquanto isso, Serena no agenta mais a obsesso de Dan e decide dar um tempo. Mas
tudo pode acontecer com esses jovens pra l de fabulosos. Ser que Blair e Serena voltaro
a ser amigas? Blair finalmente perder a virgindade? Nate ter coragem de contar a verdade
para a namorada? Dan e Vanessa deixaro de ser s amigos? Quem  a gossip girl? Estas e
muitas outras perguntas picantes s sero respondidas no prximo volume da srie.

Considerada a Sex And The City para adolescentes, Gossip Girl  uma das sries mais lidas
pelos jovens americanos, com mais de um milho de exemplares vendidos. Os fns de
Segundas Intenes , The OC, Gilmore Girls e muitos outros filmes e sries de TV vo se
deliciar com a alta dose de drama. Romance, intriga e, claro, fofoca. O que torna esta srie
to real  que sua autora, Cecily von Ziegesar, foi criada na alta-roda nova-iorquina e foi
aluna dos mais chiques colgios da cidade, convivendo com pessoas to requintadas,
elegantes, fteis e divertidos como os personagens que criou. Atualmente, ela escreve
outros livros da srie enquanto cuida dos filhos.



                               Gossipgirl.net
    ___________________________________________________________________

             temas / anterior / prxima / faa uma pergunta / respostas

advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados para
                         proteger os inocentes. Quer dizer, eu.


Bem-vindos aos Upper East Side de Nova York, onde eu e todos os meus amigos moramos
em apartamentos enormes e fabulosos, e freqentamos escolar particulares exclusivas. Nem
sempre somos as pessoas mais legais do mundo, mas compensamos isso na aparncia e no
bom gosto.

O inverno est chegando.  a estao favorita da cidade e a minha tambm. Os meninos
esto no Central Park, jogando bola ou fazendo o que os meninos fazem nesta poca do ano,
emporcalhando os suteres e os cabelos de lascas de folhas secas. E aquelas carinhas
rosadas... Fala srio, so irresistveis!

Est na hora de estourar os cartes de crditos e ir na Bendel's e na Barney's procurar umas
botas novas e legais, meias arrasto sensuais, umas sainhas de l e deliciosos suteres de
cashmere. A cidade parece um pouco mais cintilante nesta poca do ano, e queremos brilhar
com ela!

Infelizmente, tambm  hora de preencher os formulrios da universidade. Todos viemos do
tipo de famlia e freqentamos o tipo de escola em que no se candidatar s melhores
universidades do pas no  uma opo, e no entrar nelas seria um constrangimento total.
A presso existe, mas eu me recuso a me deixar levar por ela. Este  o nosso ltimo ano na
escola e vamos viver  altura dela, deixar nossa marca e ainda entrar na universidade que
quisermos. Temos o sangue mais azul da Costa Leste - e tenho certeza de que a gente pode
dar um jeito de fazer um bolo e com-lo tambm, como sempre fizemos.

Conheo umas meninas que no vo deixar que a presso as derrube...

Flagra

B com o pai, comprando culos de sol na Gucci da Quinta Avenida. O pai de B no
conseguia se decidir entre lentes de contato rosa ou azuis beb, ento comprou as duas.
Caraca, ele  gay mesmo! N e os colegas procurando as melhores festas universitrias no
Insider's Guide to Colleges na Barneys & Nobles da 86 com a Lexington. S fazendo uma
mscara facial na Aveda no centro. E D olhando sonhador os patinadores no gelo no
Rockefeller Center e escrevendo em um caderno. Um poema sobre S, sem dvida - que
romntico. E tambm B fazendo depilao com cera quente no J. Sisters Salon.
Preparando-se para...

SER QUE B REALMENTE EST PRONTA PARA O PRXIMO PASSO?

Ela anda falando sobre isso desde que o vero terminou e ela e N voltaram para a cidade,
juntos novamente. Depois S apareceu, os olhos de N comearam a viajar e B decidiu
castig-lo, deixando o cara esperando. Mas agora S tem D e N prometeu ser fiel a B. Est na
hora mesmo. Afinal, ningum quer ir para a universidade virgem.

Vou ficar de olho em vocs.
                                    Pra voc que me ama,
                                          gossip girl




ter o bolo e depois perd-lo

-  minha ursinha Blair - disse o sr. Harold Waldorf, erguendo a taa de champanha para
brindar com Blair. - Voc ainda  minha garotinha, apesar de usar calas de couro e ter um
namorado  uma coisa. - Deu um sorriso bronzeado rpido para Nate Archibald, que estava
sentado ao lado de Blair  mesa do pequeno restaurante. O sr. Waldorf escolheu Le Giraffe
para o jantar especial porque era pequeno, ntimo e moderno, a comida era maravilhosa e
todos os garons tinham um sotaque francs supersensual.
Blair Waldorf estendeu a mo sob a toalha de mesa e apertou o joelho de Nate. A luz de
velas a deixava excitada. Se ao menos papai soubesse o que estamos planejando fazer
depois daqui, pensou, meio leviana. Ela brindou com o pai e tomou um gole de champanha.
- Obrigada, pai. Obrigada por fazer essa viagem toda s para me visitar.
O Sr. Waldorf baixou a taa e enxugou os lbios com leves pancadinhas no guardanapo.
Tinha as unhas brilhantes e perfeitamente manicuradas.
- Ah, eu no vim aqui por sua causa, querida. Vim aqui para me exibir. - Tombou a cabela de
lado e franziu os lbios como um modelo posando para uma foto - Eu no estou timo?
Blair cravou as unhas na perna de Nate. Tinha de admitir que o pai estava mesmo timo.
Tinha perdido uns dez quilos, estava bronzeado, vestia roupas francesas e lindas e parecias
feliz e relaxado. Entretanto, ela estava feliz que ele estivesse deixado o namorado em casa,
no chteau na Frana. Blair ainda no estava preparada para ver o pai demonstrando
publicamente o seu afeto por outro homem, independentemente de o quanto ele estivesse
timo.
Ela pegou o cardpio.
- Podemos pedir?
- Vou comer steak. - Anunciou Nate. Ele no queria fazer muita onde. S queria que o jantar
terminasse. No que se importasse de sair com o fulgurante pai de Blair: na verdade, era
meio divertido ver como ele tinha virado gay. Mas Nate estava ansioso para voltar para a
casa de Blair. Ela finalmente ia sucumbir. E estava quase na hora.
- Eu tambm - disse Blair, fechando o cardpio sem realmente olhar para ele. - Steak. - Ela
no pretendia comer muito de qualquer forma, no esta noite. Nate prometer-lhe que tinha
terminado tudo com Serena van der Woodsen, a colega de turma e ex-melhor amiga de
Blair. Ele estava pronto para dar ateno exclusivamente a Blair, que no ligava a mnima de
comer steak, mexilho ou miolos no jantar porque ia, finalmente, perder a virgindade!
- Comigo so trs. Trois steak au poivre - confirmou ao pai dela ao garom num francs
perfeito - E o nome da pessoa que corta o seu cabelo. Est maravilhoso.
O rosto de Blair ardeu. Ela pegou um pozinho da cesta sobre a mesa e o mordeu. A voz do
pai e seus maneirismos eram completamente diferentes de quando ela o vira a nove meses
atrs. Na poca, ele era um advogado conservador que vestia ternos, tudo muito limpo e
bem definido. Perfeitamente respeitvel. Agora era totalmente afetado, as sobrancelhas
tiradas, uma camisa cor de lavanda e meias combinando. Era to constrangedor. Apesar de
tudo, ele era o pai dela.
No ano passado, o pai de Blair saiu de casa e o divrcio litiginoso de seus pais foi a fofoca da
cidade. Agora todo mundo j estava cheio do assunto e o sr. Waldorf estava livre para
mostrar seu rosto bonito sempre que quisesse. Mas isso no significava que os outros
clientes do Le Giraffe no estivessem reparando. Definitivamente estavam.
- J viu as meias dele? - cochichou uma herdeira velha ao marido entediado - Argila rosa e
cinza.
- No acha que ele fez uma bela porcaria no cabelo? Quem ele pensa que , Brad Pitt? -
perguntou um advogado famoso  mulher.
- Ele est com uma aparncia melhor que a da ex-mulherr vou te dizer. - Assinalou um dos
garons.
Era tudo muito divertido para todo mundo, exceto para Blair.  claro que ela queria que o pai
fosse feliz, e tudo bem que ele fosse gay. Mas ele tinha que ser assim, to bvio?
Blair olhou pela janela para as luzes da rua brilhando no ar claro de novembro.
Saa uma fumaa encapelada das chamins das casas luxuosas da rua 65. Finalmente as
saladas chegaram.
- Ento, ainda vai para Yale no ano que vem? - Perguntou o sr. Waldorf, enquanto furava um
pedao de endvia -  pra l mesmo que voc quer ir, no , ursinha? Pra minha velha alma
mater?
Blair baixou o garfo da salada e se endireitou na cadeiras erguendo os lindos olhos azuis
para o pai.
- Para onde mais eu iria? - Retrucou ela, como se a Universidade de Yale fosse a nica do
planeta.
Blair no entendia por que as pessoas se candidatavam a seis ou sete universidades,
algumas to ruins que eram chamadas de "salvadoras". Ela era uma das melhores alunas da
Constance Billard School for Girls, uma pequena escola de elite, exclusivamente feminina,
que exigia uniforme na rua 93 Leste. Todas as meninas da Constance iam para boas
faculdades. Mas Blair nunca se satisfez em ser apenas boa. Tinha que ser a melhor em tudo,
sem meio-termo.
E a melhor universidade, em sua opinio, era Yale.
O pai dela riu.
- Ento as outras universidades, como Harvard e Cornell, deviam escrever para vocs e pedir
desculpas por tentar levar alunos para l, hein?
Blair deu de ombros e examinou as unhas recm-feitas na manicure.
- Eu s quero ir para Yale,  s isso.
O pai deu uma olhada em Nate, mas Nate estava procurando por outra coisa para beber. Ele
odiava champanha. O que ele realmente queria era uma cerveja, embora no parecesse
adequado pedir uma cerveja num lugar como Le Giraffe. Eles sempre faziam um au com
isso, trazendo um copo congelado e depois colocando a Heineken como se fosse uma coisa
especial, quando era s a mesma porcaria de sempre que voc podia tomar numa partida de
beisebol.
- E voc, Nate? - perguntou o sr. Waldorf - Para onde voc est se candidatando?
Blair j estava nervosa com a perda da virgindade. Todo esse papo de faculdade s deixava
as coisas piores. Ela empurrou o cabelo para trs e se levantou para ir ao banheiro.
Sabia que era uma coisa nojenta e que ela tinha que aprender a parar, mas, sempre que
ficava nervosa, tinha de vomitar. Era seu nico hbito ruim.
Na verdade, no  bem assim. Mas vamos falar nisso depois.
- Nate vai para Yale comigo. - disse ela ao pai. Depois se virou e andou pomposa e confiante
pelo restaurante.
Nate a viu sair. Estava gostosa na frente-nica nova de seda preta, os cabelos castanho-
escuros lisos caindo entre os ombros nus e a cala de coro apertada nos quadris. Parecia que
j tinha transado, muitas vezes.
Cala de coro tende a produzir esse efeito.
- Ento vai ser Yale pra voc tambm? - disparou o Sr. Waldorf quando Blair saiu.
Nate fez uma carranca para a taa de champanha. Ele queria muito mesmo uma cerveja. E
no pensava que podia ingressar em Yale. No d pra acordar, ficar chapado, tomar bomba
na prova de clculo e esperar entrar em Yale - simplesmente no d. E era isso que ele
vinha fazendo ultimamente. E muito.
- Eu prefiro ir para Yale - respondeu ele - Mas acho que Blair vai ficar decepcionada. Quer
dizer, minhas notas no so l muito boas.
O sr. Waldorf piscou para ele.
- Bem, c entre ns, acho que Blair est sendo meio dura com as outras universidades do
pas. Ningum disse a voc para ir para Yale. Tem muitas outras universidades por a.
Nate assentiu.
- . A Brown parece bem legal. Tenho uma entrevista l semana que vem. - disse ele -
Apesar de isso ser definitivamente forado tambm. Tirei um C na ltima prova de
matemtica e nem cheguei a fazer curso avanado. - admitiu eke - A Blair acha que Brown
nem chega a ser uma universidade de verdade. Sabe como , porque eles fazem menos
exigncias, tipo assim.
- Os padres de Blair so impossivelmente altos. - O sr. Waldorf bebericou o champanha, o
dedo mindinho polido apontando para fora - Herdou isso de mim.
Nate deu uma olhada nos outros clientes do restaurante. Ele se perguntou se eles pensavam
que ele e o sr. Waldorf estavam juntos, se eram namorados. Para acabar de vez com essa
especulao, ele arregaou as mandas do suter de cashmere verde e limpou a garganta de
forma muito masculina. Blair tinha dado o suter a ele no ano passado, e ele o estava
usando muito ultimamente para reafirmar a ela que no ia romper com ela, nem tra-la, nem
fazer nada que a preocupasse.
- Sei l - tornou ele, pegando um pozinho da cesta e quebrando-o violentamente em dois. -
Seria timo ficar um ano fora, velejando com meu pai ou coisa assim, t entendendo?
Nate no entendia por que, aos 17 anos, tinha de definir toda a sua vida. Haveria muito
tempo para mais faculdades depois de tirar um ano ou dois de frias para velejar pelo Caribe
ou esquiar no Chile. E, no entanto, todos os seus colegas da St. Jude's School for Boys
estavam planejando ir direto para a faculdade de depois direto para o mestrado. Na opinio
de Nate, eles estavam se comprometendo com a vida sem nem pensar no que realmente
queriam fazer. Por exemplo, ele adorava o som do Atlntico frio espirrando na proa do barco.
Adorava a sensao do sol quente nas costas quando iava as velas. Adorava o modo como o
sol brilhava esverdeado antes de cair no oceano. Nate imaginava que tinha de haver mais
coisas assim, e ele queria viver todas.
Desde que no exigisse muito esforo. Ele no era muito bom em se esforar.
- Bem, a Blair no vai ficar satisfeita quando descobrir que voc est pensando em dar um
tempo por a. - o sr. Waldorf deu uma risadinha - Ela acha que vocs vo para Yale juntos,
vo casar e vo ser felizes para sempre.
Os olhos de Nate seguiram os de Blair enquanto ela voltava para a mesa de cabea erguida.
Todos os outros clientes do restaurante tambm a olhavam.
Ela no era a mais bem vestida, nem era a mais magra nem a mais alta do salo, mas
parecia brilhar um pouco mais que os outros. E ela sabia disso.
Os steaks chegaram e Blair trucidou o dela, empurrando-o para dentro com goles de
champanha e montes de pur de batata amanteigado. Ela viu como as tmporas de Nate
pulsavam de um jeito sensual quando ele mastigava. Mal podia esperar para sair dali. Mal
podia esperar para finalmente transar com o cara com quem pretendia passar o resto de sua
vida. Nada poderia ser mais certo que isso.
Nate no pde deixar de perceber a intensidade com que Blair empunhava a faca de carne.
Ela cortava a carne em imensos nacos e os comia com ferocidade. Fez com que ele se
perguntasse se ela era desse jeito na cama. Eles se agarravam muito, mas ele sempre era
mais agressivo do que ela. Blair s ficava deitada l, dando o tipo de miado que as garotas
do nos filmes, enquanto ele perambulava, fazendo tudo para ela. Mas esta noite Blair
parecia impaciente, mais faminta.
 claro que ela estava faminta. Tinha acabado de vomitar.
- No servem comida assim em Yale, ursinha - disse o sr. Waldorf  filha - Voc vai comer
pizza e Combos no alojamento, como todas as outras meninas.
Blair franziu o nariz. Nunca tinha comido Combo na vida.
- De jeito nenhum, Nate e eu no vamos morar em alojamento, de qualquer forma. Vamos
ter nossa prpria casa - Ela cutucou o tornozelo de Nate com a bota - Vou aprender a
cozinhar.
O sr. Waldorf ergueu as sobrancelhas para Nate.
- Sorte sua. - Brincou ele.
Nate deu um sorriso amarelo e lambeu o pur do garfo. No ia dizer a Blair que seu
sonhozinho de morarem juntos num apartamento em New Haven era mais absurdo do que a
idia de ela comer Combos. Mas no queria dizer nada que entristecesse.
- Cala a boca, pai - disse Blair.
Os pratos foram retirados. Impaciente, Blair girou o anel de rubi de um lado a outro do dedo.
Sacudiu a cabea para o caf e a sobremesa e se levantou para ir ao toalete das senhoras
mais uma vez.
Duas vezes em uma s refeio era radical, mesmo para ela, mas Blair estava to nervosa
que no conseguiu evitar,
Graas a Deus Le Giraffe tinha bons banheiros privativos.
Quando Blair voltou novamente, toda a equipe de garons saiu em fila da cozinha. O matre
estava segurando um bolo decorado com velas acesas. Dezoito delas, uma extra para dar
sorte.
Ai, meu Deus.
Blair marchou de volta  mesa com as botar stiletto pontudas e tomou seu lugar, encarando
o pai. Por que ele tem de fazer uma cena? A merda do seu aniversrio s seria dali a trs
semanas. Ela virou outra taa de champanha em um gole s.
Os garons e cozinheiros cercaram a mesa. Ento comearam a cantar.
- Parabns pra voc...
Blair pegou a mo de Nate e a apertou muito.
- Manda eles pararem - sussurrou ela.
Mas Nate limitou-se a ficar sentado ali como um panaca. Ele meio que gostava quando Blair
ficava envergonhada. Isso no acontecia com muita freqncia.
Seu pai for mais simptico. Quando viu como Blair estava infeliz, acelerou o ritmo e
rapidamente terminou a msica:
- Voc parece um macaco e tambm  fedida!
Os garons bateram palmas educadamente e voltaram a seus postos.
- Eu sei que  meio cedo - disse o sr. Waldorf, se desculpando - Mas eu tenho que ir embora
amanh, e 17 anos  um grande aniversrio. No achei que voc ia se importar.
Importar? Ningum gosta de ser musa de cantores em pblico. Ningum
Em silncio Blair soprou as velas e examinou o bolo. Era elaboradamente decorado com
sapatos de saltos altos de marzip andando por uma Quinta Avenida de acar de
confeiteiro, passando por um modelo feito de doce da Henri Bendel, sua loja favorita. Era
primoroso.
- Para a minha fetichistazinha de sapatos - ofereceu-lhe o pai, radiante. Ele puxou um
presente de sob a mesa.
Blair sacudiu a caixa, reconhecendo, como especialista o som oco e surdo que um par de
sapatos novos fazia quando era sacudido em uma caixa. Ela rasgou o papel.
MANOLO BLAHNIK, dizia a fita em grandes caracteres na tampa da caixa. Blair prendeu a
respirao e tirou a tampa. Dentro da caixa havia um par de mules de peltre feotps a mo
com adorveis saltos gatinha.
Trs fabuloso.
- Comprei em Paris - disse o sr. Waldorf - Eles s fazem algumas centenas de pares. Aposto
que voc  a nica garota da cidade que tem um.
- So incrveis. - Blair soltou a respirao.
Ela se levantou e contornou a mesa para abraar o pai. Os sapatos compensaram o fato de
ele a ter humilhado em pblico. No s tinham uma classe inacreditvel, como era
exatamente o que ela ia usar, naquela noite, mais tarde, quando ela e Nate transassem. Eles
e nada mais.
Obrigada, papai!




para que serve realmente a escadaria do metropolitan museum of art

- Vamos sentar l atrs - disse Serena van der Woodsen quando levou Daniel Humphrey a
Serependity 3 na rua 60 Leste. O salo da lanchonete e sorveteria em estilo antigo estava
lotado de pais que cuidavam dos filhos na noite de folga das babs. O ar se enchia do choro
estridente de crianas cheias de acar, enquanto garonetes cansadas corriam de um lado a
outro levando imensas tigelas de sorvete, sorvetes com calda quente de chocolate e
cachorros-quentes extragrandes.
Dan tinha planejado ir a um lugar mais romntico com Serena. Um lugar sossegado e mal
iluminado. Um lugar onde eles pudessem ficar de mos dadas, conversar e se conhecer sem
a distrao de pais irritados ralhando com menininhos que pareciam angelicais em camisa
abotoadas e calas cqui da Brooks Brothers. Mas Serena queria ficar ali.
Talvez ela realmente estivesse louca por um sorvete, ou talvez suas expectativas para a
noite no fossem to grandes e romnticas quanto as dele.
- No  timo? - borbulhou ela exuberante - Eu e meu irmo, Erik, costumvamos vir aqui
uma vez por semana e tomar sundae de hortel - Ela pegou um cardpio e o examinou -
Tudo ainda est exatamente igual. Eu adoro isso.
Dan sorriu e sacudiu o cabelo despenteado dos olhos. A verdade era que ele no dava a
mnima para o lugar, desde que estivesse com ela.
Dan era do West Side e Serena do East. Ele morava com o pai, um cara que se dizia
intelectual e era editor de poetas beats pouco conhecidos, e sua irmzinha, Jenny, que
estava na stima srie da Constance Billard, a mesma escola que Serena freqentava. Eles
moravam em um apartamento caindo aos pedaos no Upper West Side que no era
reformado desde a dcada de 1940. A nica pessoa que fazia alguma limpeza no lugar era o
enorme gato deles, Marx, especialista em matar e comer baratas.
Serena morava com os prsperos pais que pertenciam ao conselho de quase todas as
grandes instituies da cidade, em uma cobertura enorme decorada por um decorador
famoso, com uma vista para o Metropolitan Museum of Art e o Central Park. Tinha uma
empregada e uma cozinheira, a quem podia pedir para bater um bolo ou fazer um
cappuccino a qualquer hora que quisesse.
Ento, o que ela estava fazendo com Dan?
Eles tinham topado um com o outro algumas semanas antes, enquanto ensaiavam para um
filme dirigido pela amiga de Dan e colega de turma de Serena, Vanessa Abrams. Serena no
conseguiu o papel e Dan quase perdeu as esperanas de v-la de novo, ento eles se
encontraram em um bar do Brooklyn. Eles se viram e conversaram ao telefone algumas
vezes desde ento, mas esta era a primeira vez que saam juntos de verdade.
Serena tinha voltado  cidade no ms anterior, depois de ter sido expulsa do internato. No
princpio, ela ficou emocionada de voltar  cidade. Mas depois descobriu que Blair Waldorf e
todos os outros velhos amigos tinham decidido no ser mais amigos delam. Serena ainda
no sabia o que tinha feito de to terrvel. Certamente ela no mantivera contato com
ningum, e  claro que ela talvez tenha se gabado um pouco demais de toda a diverso que
tinha tido na Europa no vero passado. Tanta diverso que ela no voltou a tempo para o
primeiro dia de aula na Hanover Academy, em New Hampshire. A escola se recusou a aceit-
la de volta.
Sua antiga escola, a Constance Billard, foi mais condescendente. Bem, a escola foi. As
meninas no. Serena no tinha mais nenhum amigo em Nova York, ento estava empolgada
por ter conhecido Dan. Era divertido conhecer algum to diferente dela.
Dan queria se beliscar toda vez que olhava nos olhos azul-escuros de Serena. Ele se
apaixonara no momento em que botara seus olhos nela em uma festa na 8 srie e tinha
esperana de que agora, dois anos e meio depois, ela se apaixonasse por ele tambm.
- Vamos escolher o maior sundae do cardpio  sugeriu Serena.  Podemos trocar as tigelas
pela metade e assim ningum enjoa.
Ela pediu o sundae de hortel triplo com cobertura extra de chocolate quente e ele pediu um
banana slipt de caf. Dan comia qualquer coisa que tivesse caf. Ou tabaco.
- E a - disse Serena, apontando para a brochura enfiada no bolso do casaco de Dan -, 
bom?
O livro era Entre quatro paredes, de Jean-Paul Sartre, uma histria existencialista de
desajustados no purgatrio.
- .  meio engraado e meio depressivo. Mas tem muita verdade nele, eu acho.
- Fala do que?
- Do inferno.
- Nossa! - Serena riu. - Voc sempre l livros assim?
Dan tirou uma pedra de gelo do copo de gua e a colocou na boca.
- Assim como?
- Tipo sobre o inferno.
- No, nem sempre. - Ele havia acabado de ler Os sofrimentos do jovem Werther, que falava
do amor. E do inferno.
Dan gostava de se ver como uma alma atormentada. Ele preferia romances, peas e livros
de poesia que revelassem o absurdo trgico da vida. Eram o acompanhamento perfeito
para o caf e os cigarros.
- Tenho problemas para ler - confessou Serena.
O sundae e o banana split chegaram. Eles mal podiam se ver sobre a montanha de sorvete.
Serena mergulhou a colher comprida de sundae na tigela e cavou uma poro perfeitamente
enorme.
Dan maravilhou-se com o ngulo longo e fino do pulso dela, o msculo esticado do brao, o
brilho dourado de seu cabelo louro-claro. Ela estava prestes a chafurdar em um sundae
desagradavelmente grande, mas para Dan ela era uma deusa.
- Quer dizer, eu sei ler,  claro - continuou ela.  S que tenho problemas para prestar
ateno. Minha cabea fica divagando e eu fico pensando no que vou fazer a noite. Ou em
alguma coisa que preciso comprar na farmcia. Ou em algo engraado que tenha acontecido,
tipo assim, h um ano. - Ela engoliu a poro de sorvete e olhou para os olhos castanhos e
compreensivos de Dan. - Eu no tenho muita concentrao - completou ela, meio triste.
Era isso que Dan adorava em Serena. Tinha a capacidade de ser triste e feliz ao mesmo
tempo. Era como um anjo solitrio, flutuando sobre a superfcie da terra, rindo deliciada
porque podia voar, mas chorando de solido. Serena transformava tudo que era banal em
algo extraordinrio.
As mos de Dan tremeram quando ele cortou a ponta da banana coberta de chocolate com a
colher e a comeu em silncio.
Queria dizer a Serena que ele ia ler para ela. Que ele ia fazer tudo por ela. O sorvete de caf
derretia e transbordava da tigela. Dan tentava manter o corao no peito.
- Eu tive um timo professor de ingls na Riverside no ano passado - disse ele ao recuperar
o controle. - Ele nos dizia que a melhor maneira de reter o que a gente l  ler apenas um
pouco de cada vez. Saborear as palavras.
Serena adorava o jeito de Dan falar. A maneira como ele dizia as coisas a fazia querer se
lembrar dele. Ela sorriu e lambeu os lbios.
- Saborear as palavras - repetiu ela, os cantos da boca se curvando em um sorriso.
Dan engoliu um pedao da banana e estendeu o brao para pegar a gua. Meu Deus, ela 
linda.
- E a, voc provavelmente  tipo um aluno A total e j se candidatou a Harvard ou coisa
parecida, n? - Serena pegou um palito de acar do sundae e o chupou.
- De jeito nenhum. Eu no tenho a menor idia. Quer dizer, eu definitivamente quero ir para
um bom curso de literatura, s no sei onde ainda. Nosso conselheiro universitrio me deu
uma lista enorme, eu tenho todos os catlogos, mas ainda no sei o que vou fazer.
- Nem eu. Mas provavelmente ou visitar a Brown em breve. Meu irmo est l. Quer ir?
Dan vasculhou o poo profundo dos olhos dela, tentando avaliar se ela se sentia to
apaixonada quanto ele. Quando ela disse "Quer ir?", quis dizer ''Vamos passar o fim de
semana juntos, de mos dadas, olhando nos olhos um do outro e nos beijando por horas
sem fim?" ou quis dizer ''Vamos juntos porque seria conveniente e divertido ter um amigo
comigo."?
Mas ele no podia dizer no. No estava nem a se ela disse Brown ou Faculdade
Comunitria de Fracasspolis; Serena perguntara se ele queria ir e a resposta era sim. Ele
iria a qualquer lugar com ela.
- Brown - repetiu Dan, como se ainda estivesse pensando no assunto. - Eles devem ter um
timo curso de literatura.
Serena assentiu, penteando os longos cabelos louros com os dedos.
- Ento vem comigo.
Ah, ele vai.  claro que ele vai. Dan deu de ombros.
- Vou falar com meu pai sobre isso. - Dan tentou parecer casual. No ousava deixar que
Serena soubesse que por dentro estava dando pulos e quicando como um coelhinho
empolgado. Tinha medo de afugent-la.
- T legal, pronto? Vamos trocar. - Serena empurrou sua tigela para Dan.
Eles trocaram as tigelas e provaram o sundae do outro.
Assim que os novos sabores atingiram as papilas gustativas, os rostos se contorceram e eles
esticaram a lngua. Hortel e caf no combinam. Dan rezou para que isso no fosse um
sinal.
Serena pegou sua tigela de volta e cavou a ltima colherada.
Dan tomou mais um pouco da sua e depois baixou a colher.
- ... - disse ele, inclinando-se para trs na cadeira e pressionando a barriga. - Voc venceu.
A tigela de Serena ainda estava pela metade, mas ela baixou a colher tambm,
desabotoando o primeiro boto da cala jeans.
- Acho que cansamos. - Ela deu uma risadinha.
- Quer andar um pouco? - arriscou-se Dan, cruzando os dedos trmulos da mo e dos ps
to apertado que ficaram azuis.
- Eu adoraria - respondeu Serena.
A rua 60 estava tranqila para uma sexta a noite. Eles andaram em direo ao Central Park.
Na Madison, pararam na Barneys e olharam a vitrine. Ainda havia algumas pessoas atrs dos
balces no departamento de cosmticos, preparando-se para o movimento do sbado de
manh.
- No sei o que eu faria sem a Barneys - suspirou Serena, como se a loja tivesse salvado sua
vida.
Dan s havia entrado na famosa loja de departamentos uma vez. Tinha deixado sua
imaginao correr solta e acabara comprando um smoking caro, de grife, com o carto de
crdito do pai, fantasiando us-lo enquanto danava com Serena em uma festa glamorosa.
Mas depois caiu na real. Ele odiava festas glamorosas e, at alguns dias antes, pensava que
Serena nunca teria nem duas palavras a lhe dizer. Ento ele devolveu o smoking.
Agora ele sorria com a lembrana. Serena definitivamente tinha mais que duas palavras a
dizer a ele. Serena o convidou a passar o fim de semana com ela. Eles estavam
apaixonados. Talvez at acabassem na mesma universidade e passassem o resto da vida
juntos.
Cuidado a, Dan. L vai sua imaginao de novo.
Na Quinta Avenida, perto da esquina do parque, eles passaram pelo Pierre Hotel, onde os
dois tinham ido a um baile formal na oitava srie. Dan se lembrava de ficar olhando Serena,
desejando conhec-la, enquanto ela ria em sua mesa com amigos, usando um tomara-que-
caia verde que deixava seu cabelo mais brilhante. Ele ficou apaixonado por ela desde ento.
Passaram pelo consultrio do ortodontista de Serena e pelo Frick, a antiga manso que
agora era um museu. Dan queria arrombar a porta e beijar Serena em cima de uma
daquelas belas camas antigas que tinha l dentro. Ele queria morar com ela ali, como
refugiados no paraso.
Continuaram andando pela Quinta Avenida, passando pelo prdio de Blair Waldorf na rua 72.
Serena deu uma olhada nele.
Ela conhecia Blair desde a primeira srie e fora ao apartamento dos Waldorf centenas de
vezes, mas agora no era mais bem-vinda.
Serena no podia fingir que era completamente inocente.
Ela sabia o que mais irritara Blair. No era s que Serena tivesse perdido contato com sua
velha turma de Nova York ou que ficasse se divertindo na Europa enquanto os pais de Blair
se divorciavam. O que realmente azedou a amizade das duas foi o fato de Serena e Nate
terem dormido juntos no vero antes de Serena ser expulsa do internato.
Isso foi h quase dois anos, e Serena se sentia como se tivesse acontecido com outra garota
com uma vida totalmente diferente. Serena, Blair e Nate faziam um trio unido. Serena tinha
esperana de que Blair visse isso como uma das maluquices que aconteciam entre amigos e
a perdoasse. Foi s uma vez.
E, alm disso, Blair ainda tinha o Nate. Mas Blair s descobriu tudo h pouco tempo, e ela
no estava disposta a deixar pra l.
Serena pegou um cigarro na bolsa e o colocou na boca.
Parou de andar e o acendeu com seu isqueiro. Dan esperou que ela desse um trago e
soltasse uma nuvem de fumaa cinza no ar gelado. Ela puxou o casaco Burberry surrado e
marrom em torno do corpo.
- Vamos sentar um pouco na frente do Met. Vem.  Ela pegou a mo de Dan e ambos
percorreram rapidamente os dez blocos para o Metropolitan Museum of Art. Serena levou
Dan para o meio da escadaria e se sentou. Do outro lado da rua ficava o apartamento dela.
Como sempre, seus pais estavam fora, em alguma funo de caridade ou num vernissage, e
as janelas estavam escuras e pareciam solitrias.
Serena largou a mo de Dan e ele se perguntou se tinha feito alguma coisa errada. Ele no
conseguia ler a mente dela e isso o deixava maluco.
- Eu, Blair e Nate costumvamos sentar aqui na escada por horas e s ficar conversando
sobre nada - disse Serena a Dan, tristonha. - s vezes a gente tinha de sair e Blair e eu nos
vestamos, nos maquivamos e tudo isso. Depois Nate aparecia com uma garrafa de alguma
coisa e comprvamos cigarro, saamos da festa e sentvamos aqui. - Ela olhou para as
estrelas com os olhos grandes e brilhantes. Havia lgrimas neles. - s vezes eu queria ...  A
voz de Serena desapareceu.
Ela no sabia exatamente o que queria, mas estava cansada de se sentir mal com relao a
Blair e Nate.  Desculpe - fungou ela, olhando para os sapatos. - Espero no estar te
alugando.
- No, no est.
Dan queria pegar a mo dela novamente, mas ela estava escondida no bolso. Em vez disso,
ele tocou seu cotovelo e Serena se virou para ele. Essa era a sua chance. Dan queria poder
pensar em alguma coisa bonita e apaixonada para dizer, mas o corao estava na boca.
Antes que os nervos o paralisassem, ele se inclinou e a beijou na boca, delicadamente. A
terra oscilou no eixo. Ainda bem que ele estava sentado. Quando recuou, os olhos de Serena
brilhavam para ele.
Ela enxugou o nariz com as costas da mo e sorriu para Dan. Depois ergueu o queixo dele e
o beijou novamente. S um beijinho no lbio superior, antes de mergulhar a cabea para
baixo e se encostar no ombro dele. Dan fechou os olhos para se manter firme.
Ah, meu Deus. O que ela est pensando?, ele se perguntou desesperadamente. Por que ela
no me diz?
- E a, para onde vai a galera do West Side?  perguntou Serena. - Tem um lugar como este?
- Na verdade, no - disse Dan, o brao em tomo dela.
Ele no queria conversar naquele momento. Queria pegar a mo dela e mergulhar de um
penhasco e flutuar de costas em um mar ao luar. Ele queria beij-la novamente e de novo e
outra vez. - Eu vou at o pier de dia, s vezes. A noite eu s ando por a.
- O pier - repetiu Serena. - Me leva l?
Dan assentiu. Ele a levaria a qualquer lugar.
Ele esperou que Serena erguesse a cabea para que eles pudessem se beijar novamente.
Mas Serena continuava com a cabea apoiada em seu ombro, respirando o cheiro de cigarro
do casaco de Dan e acalmando os nervos.
Ficaram sentados desse jeito por mais um tempo. Dan tambm estava nervoso, feliz e
deslumbrado demais at para acender um cigarro. Ele esperava que pudessem dormir
daquele jeito e acordar a luz rosada da aurora, ainda nos braos um do outro.
Alguns minutos depois, Serena se afastou.
-  melhor eu ir antes que durma aqui - disse ela, levantando-se. Ela se inclinou e beijou
Dan no rosto. Seus cabelos roaram na orelha de Dan e ele tremeu. - Te vejo depois, t
legal?
Dan assentiu. Voc tem de ir? Ele tinha medo de abrir a boca e dizer as palavras que
estavam ameaando sair a noite toda. Eu te amo. Ele ainda tinha medo de assust-la.
Ele ficou olhando Serena atravessar a rua, os cabelos claros ondeando atrs dela. O porteiro
abriu a porta do prdio e ela desapareceu.
Serena entrou no elevador, sacudindo as chaves no bolso do casaco. Algumas semanas
antes, estaria sentada em casa em uma noite de sexta-feira, vendo TV e se lamentando por
si mesma. Que sorte teve em fazer um novo amigo como Dan.
Dan ficou sentado na escadaria no Met por mais alguns minutos at que as luzes se
acendessem na cobertura do prdio do outro lado da rua. Ele imaginou Serena tirando as
botas no corredor e largando o casaco numa cadeira para que a empregada pegasse. Ela
vestia uma longa camisola de seda branca e se sentava diante de um espelho com moldura
dourada, escovando os cabelos dourados, como uma princesa de conto de fadas. Ser que
ele realmente a beijou? Fez isso tantas vezes em sonho que era quase impossvel acreditar
que realmente tinha acontecido.
Ele se levantou, esfregou os olhos e esticou os braos bem acima da cabea. Meu Deus, ele
se sentia bem. Era engraado - foi tudo to de repente, e ele era o cara que em geral odiava
ler sobre isso nos livros. O cara mais feliz do mundo.




segunda bola fora!

- No sei por que voc tem de ir a Brown no mesmo fim de semana em que vou a Yale -
gritou Blair para Nate de dentro do banheiro.
Nate estava deitado na cama dela no quarto, serpenteando um dos cintos de Blair em cima
da colcha para que Kitty Minky, a gata de Blair, tentasse peg-lo. As luzes estavam
apagadas, as velas acesas, Macy Gray tocava no aparelho de som e Nate tinha tirado a
camisa.
- Nate? - repetiu Blair com impacincia. Ela comeou a tirar as roupas e as empilhava no
cho do banheiro. Seu plano tinha sido eles irem a New Havenjuntos neste fim de semana.
Eles podiam alugar um carro e ficar em uma pousada romntica, como se estivessem em
lua-de-mel...
-  - respondeu Nate finalmente. - Sei l.  s que a Brown marcou minha entrevista para
agora. Desculpe.  Ele arrancou o cinto de entre as patas de Kitty Minky e o estalou no ar
acima da cabea da gata, mandando-a como um raio para o armrio. Depois se virou de
costas e ficou olhando para o teto, esperando.
Da ltima vez que ele e Blair tinham ficado a ponto de transar, Nate tinha dado com a lngua
nos dentes sobre ter transado com Serena no vero antes de ela ter sido expulsa do
internato. Tinha parecido trapaa demais continuar com aquilo sem que Blair soubesse que
A) no era a primeira vez dele e B) ele tinha feito aquilo com a ex-melhor amiga dela. 
claro que, depois que ele confessou, Blair no quis fazer mais nada. Ela ficara furiosa.
Felizmente, tudo isso era passado. Bem, mais ou menos.
Blair terminou de fechar a tira dos Manolos e borrifou perfume em si mesma. Fechou os
olhos e contou at trs. Um, dois, trs. Naqueles trs segundos ela rodou um filme em sua
cabea, imaginando a noite incrvel que ela e Nate estavam prestes a ter. Eles eram amantes
de infncia, destinados a ficar juntos, dando-se inteiramente um ao outro. Ela abriu os olhos
e passou a escova nos cabelos mais uma vez, verificando o reflexo no espelho. Parecia
confiante e pronta. Ela parecia algum que sempre consegue o que quer. Era a garota que ia
para Yale e se casaria com o cara. Se ao menos suas narinas no fossem to grandes nem
os peitos to pequenos, mas, tanto faz.
Ela empurrou a porta do banheiro, abrindo-a.
Nate olhou para cima e se surpreendeu imediatamente excitado. Talvez fosse o champanha
ou o steak. Ele fechou os olhos e os abriu novamente. No, Blair realmente estava tima.
Ele estendeu a mo para ela e a puxou para cima dele. Eles se beijaram, lbios e lnguas
fazendo os mesmos jogos que fizeram por dois anos.
Mas desta vez o jogo no ia ser tipo uma sesso de quatro horas de Monoplio, na qual os
jogadores acabavam enjoando e caindo fora. Este jogo ia terminar em algum lugar, e eles
no iam parar ate que tivessem comprado cada imvel em que pudessem colocar as mos.
Blair fechou os olhos e fingiu que era Audrey Hepburn em Amor na tarde. Ela adorava filmes
antigos, particularmente aqueles com Audrey Hepburn. Eles nunca mostravam os
personagens fazendo sexo. As cenas de amor eram sempre romnticas e elegantes, com
montes de beijos longos e sinceros, roupas lindas e penteados elegantes. Blair tentou
manter os ombros baixos e o pescoo esticado para que se sentisse alta, magra e sensual
nos braos de Nate.
Acidentalmente, Nate esbarrou nas costelas de Blair com o cotovelo.
- Ai - disse Blair, afastando-se. Ela no queria parecer assustada quando disse isso, mas
estava, um pouco. Audrey Hepburn nunca levou uma cotovelada de Cary Grant, nem mesmo
por acidente. Ele a tratava como uma boneca de porcelana.
- Desculpe - murmurou Nate. - Tome. - Ele pegou um travesseiro e o deslizou embaixo dela,
para que a cabea e os ombros de Blair ficassem confortavelmente erguidos.
Blair levantou a cabea e afastou o cabelo do rosto encantadoramente.
Depois se esticou e mordeu Nate no ombro, deixando uma marca branca em a dos dentes na
pele dele.
- Ta o que voc consegue por me machucar  brincou ela, batendo os clios.
- Prometo tomar cuidado - disse Nate a srio, passando a mo pelas costelas de Blair e
descendo para a perna.
Blair respirou fundo e tentou relaxar todo o corpo. Esta no era como uma das cenas de
amor em nenhum de seus filmes antigos favoritos. Ela no havia pensado que seria to real
nem que seria tudo to atrapalhado.
Nada nunca parece to bom como nos filmes, mas ainda deve ser legal.
Nate beijou-a delicadamente. Blair tocou a nuca dele e sentiu o familiar cheiro de Nate.
Corajosamente, ela desceu a outra mo e tentou abrir o cinto de Nate.
- Est emperrado - reclamou ela, puxando o emaranhado confuso de couro e metal. Seu
rosto ardia desagradavelmente. Ela nunca se sentiu to descoordenada.
- Deixa que eu abro - ofereceu-se Nate. Ele rapidamente abriu a fivela enquanto Blair dava
uma olhada no quarto, os olhos parando em um retrato antigo a leo de sua av quando
menininha, segurando uma cesta de ptalas de rosas. Blair de repente se sentiu muito nua.
Voltou-se para Nate, observando enquanto ele tirava a cala, deixando-a cair sobre os
tornozelos e os ps. A cueca xadrez vermelha p branca estava estufada, como uma tenda.
Ela prendeu a respirao.
Depois a porta da frente do apartamento se abriu num estalo e foi batida com um barulho
alto.
- Oi! Tem algum em casa?
Era a me de Blair.
Blair e Nate congelaram. A me dela e Cyrus, o novo namorado da me, tinham ido a pera.
Eles s deviam chegar em casa daqui a horas.
- Blair, querida? Voc est a? Cyrus e eu temos uma coisa maravilhosa para contar a voc!
- Blair? - A voz alta de Cyrus reverberou nas paredes.
- O que a gente vai fazer? - sussurrou Nate. Ele deslizou a mo sob o edredom e tocou a
barriga de Blair.
Pssimo movimento. Nunca toque a barriga de uma garota, a no ser que ela pea. Faz com
que se sinta gorda.
Blair se encolheu, afastando-se dele, e rolou na cama, deixando os ps carem no cho.
- Blair? - A voz de sua me estava bem do lado de fora do quarto. - Posso entrar um
minutinho?  importante.
Droga.
- Pera! - gritou Blair. Ela voou para o armrio e apanhou uma cala de moletom. - Vai se
vestir - sibilou para Nate. Arrancou seus Manolos e puxou a cala de moletom para cima e a
blusa de moletom velha de Yale que tinha sido do pai. Nate puxou a cala e fechou
novamente o cinto. Segunda bola fora no sexo. - Pronto? - cochichou Blair.
Decepcionado, Nate assentiu em silncio.
Blair abriu a porta do quarto para encontrar a me esperando por ela no corredor. Eleanor
Waldorf sorriu exultante e feliz para a filha, o rosto corado de vinho branco e empolgao.
- Percebe alguma coisa diferente? - perguntou ela, agitando os dedos da mo esquerda no
ar. Em seu dedo anular brilhou um enorme diamante incrustado em ouro. Parecia um anel de
noivado tradicional, s que com quatro vezes o tamanho normal. Era ridculo.
Blair olhou, congelada na soleira da porta de seu quarto.
Podia sentir o bafo de Nate na orelha de onde ele estava, parado atrs dela. Nenhum dos
dois falou.
- Cyrus me pediu em casamento! - exclamou a me.
- No  maravilhoso?
Blair a encarou, sem conseguir acreditar.
Cyrus Rose era careca e tinha um bigodinho eriado, usava uma pulseira de ouro e ternos
horrendos riscadinhos e trespassados.
A me de Blair o conhecera na ltima primavera no departamento de cosmticos da Saks.
Ele estava comprando perfume para a mulher e Eleanor ofereceu-se para ajudar. Ela chegou
em casa fedendo aquela coisa, Blair se lembrava. "Dei meu telefone a ele", tinha dito a me
com uma risadinha, fazendo Blair querer vomitar. Para desgosto e horror de Blair, Cyrus
telefonou e continuou ligando. E agora eles iam se casar.
Foi a que Cyrus Rose apareceu no fim do corredor.
- O que acha disso, Blair? - perguntou ele, piscando para ela. Ele estava vestindo um terno
azul trespassado e sapatos pretos brilhantes. Seu rosto estava vermelho. A barriga estufada.
Os olhos saltavam da cabea como os de um baiacu.
Ele esfregava as mos gordas e troncudas com os pulsos cabeludos e as jias de aura
nojentas.
Seu novo padrasto. A barriga de Blair se revirou de nusea.
Tanto esforo para perder a virgindade para o cara que amava. O filme de sua vida real
estava ficando muito mais trgico e muito mais absurdo.
Blair franziu os lbios e deu a me um beliscozinho rgido na bochecha.
- Parabns, me.
- Essa  a garota - festejou Cyrus.
- Parabns, sra. Waldorf - disse Nate, passando por Blair.
Ele se sentia estranho participando daquele momento ntimo da famlia. Ser que Blair no
podia ter dito a me para esperar e falar com ela de manh?
A sra. Waldorf ainda o abraava.
- A vida no  maravilhosa?
Nate n]ao tinha tanta certeza.
Blair suspirou resignada e se arrastou descala pelo corredor, para cumprimentar Cyrus. Ele
tinha cheiro de queijo bleu e suor. Tinha uns pelos saindo da ponta do nariz. Ia ser o novo
padrasto dela, que ainda se recusava a acreditar nisso.
- Fico feliz por voc, Cyrus. - Blair, toda dura, ficou na ponta dos ps e aproximou o rosto
macio e frio da boca quente e fedida a usque dele.
- Somos as pessoas mais sortudas do mundo  disse Cyrus, dando um revoltante beijo
molhado no rosto de Blair.
Blair no se sentia muito sortuda.
Eleanor soltou Nate.
- A melhor parte  que vamos casar rpido. - Blair se virou para a me e piscou.  Vamos
nos casar no sbado depois do Dia de Ao de Graas - continuou a me.  S faltam trs
semanas!
Blair parou de piscar. No sbado depois da Ao de Graas?Mas era o aniversrio dela. Seu
aniversrio de 17 anos.
- Vai ser no St. Claire. E eu quero um monte de damas de honra. Minhas irms e suas
amigas.  claro que voc ser a principal. Voc pode me ajudar a planejar tudo. Vai ser to
divertido, Blair - disse sua me sem flego. - Eu simplesmente adoro festas de casamento!
- Tudo bem - respondeu Blair, a voz sem emoo nenhuma. - Devo contar ao papai?
A sra. Waldorf se interrompeu, lembrando.
- Como est seu pai? - perguntou ela, ainda radiante. Nada ia abafar sua alegria.
- timo. - Blair deu de ombros. - Ele me deu um par de sapatos. E um bolo muito legal.
- Bolo? - perguntou Cyrus, ansioso.
Porco, pensou Blair. Pelo menos o pai lhe tinha dado uma festa de aniversrio, porque
parecia que a verdadeira no ia ser l muito divertida.
- Desculpe por no ter trazido nada para casa  disse ela. - Eu esqueci.
Eleanor passou a mo nos quadris.
- Bem, no vamos comer, de qualquer jeito. A noiva tem de cuidar da forma! - Olhou para
Cyrus e deu uma risadinha.
- Me?
- Sim, querida?
- Voc se importa se o Nate e eu voltarmos para o quarto e ver um pouco de TV? -
perguntou Blair.
- Claro que no. V em frente - disse sua me, sorrindo com malcia para Nate.
Cyrus piscou para eles.
- Boa noite, Blair. Boa noite, Nate.
- Boa noite, sr. Rose. - Nate seguiu Blair de volta para a cama.
No minuto em que Nate fechou a porta, Blair se atirou na cama de cara para baixo, a cabea
enterrada nos braos.
- Vamos l, Blair - instou Nate, sentando-se na ponta da cama e massageando os ps dela. -
Cyrus  legal. Quer dizer, podia ser pior, n? Ele podia ser um babaca total.
- Ele  um babaca total- murmurou Blair. - Eu odeio esse cara. - De repente ela queria que
Nate a deixasse sozinha para sofrer. Ele no podia entender; ningum podia.
Nate se deitou ao lado dela e agitou seu cabelo.
- E eu, eu sou um babaca total? - perguntou ele.
- No.
- Voc me odeia?
- No.
- Vem c. - disse Nate, puxando o brao dela.
Ele a puxou para si e passou as mos por baixo da blusa de moletom de Blair, esperando
que voltassem ao que tinham interrompido. Ele a beijou no pescoo.
Blair fechou os olhos e tentou relaxar. Podia fazer isso. Podia ir em frente e transar e ter
milhes de orgasmos apesar de sua me e Cyrus estarem no quarto ao lado. Ela podia.
S que no podia. Blair queria que sua primeira vez fosse perfeita, e isso no era nada
perfeito. Sua me e Cyrus provavelmente estavam se agarrando na cama agora. S de
pensar nisso ela sentiu como se tivesse lesmas se arrastando pela pele.
Estava errado. Tudo estava errado. Sua vida era um desastre completo.
Blair se afastou de Nate e enterrou a cara no travesseiro.
- Desculpe - disse ela, embora no lamentasse muito.
No era o momento para os prazeres da carne. Ela se sentia como Joana d'Arc interpretada
por Ingrid Bergman no filme original- uma bonita e intocvel mrtir.
Nate voltou a afagar os cabelos e as costas de Blair, esperando que ela mudasse de idia.
Mas Blair continuava com a cara teimosamente enfiada no travesseiro. Nate no conseguiu
deixar de se perguntar se algum dia ela teve a inteno de transar com ele.
Depois de alguns minutos Nate parou de acariciar as costas dela e se levantou. Era tarde, e
ele estava ficando cansado e entediado.
- Tenho de ir para casa.
Blair fingiu que no ouviu. Estava presa demais ao drama de sua infelicidade.
- Me liga - disse Nate.
E depois saiu.



s est decidida a continuar feliz

Na manha de sbado, Serena acordou com o som da voz da me.
- Serena? Posso entrar?
- Que foi? - Serena sentou-se na cama. Ela ainda no se acostumara a morar novamente
com os pais. Era meio enjoado.
A porta se abriu alguns centmetros.
- Tenho uma novidade para contar a voc.
Serena no se importava que a me a tivesse acordado, mas no queria que a me pensasse
que podia entrar em seu quarto sem ser convidada a qualquer hora.
- Tudo bem - disse ela, parecendo mais aborrecida do que realmente estava.
A sra. van der Woodsen entrou e se sentou na beira da cama.
Usava um vestido de seda azul-marinho Oscar de la Renta e chinelos azul-marinho de seda
combinando. Os cabelos louros e ondulados, com luzes, estavam puxados para cima em um
coque frouxo no alto da cabea e a pele clara tinha um brilho perolado de anos de uso de
creme para pele La Mer. Ela cheirava a Chanel n5.
Serena trouxe os joelhos at o queixo e cobriu as pernas com o edredom.
- Que foi?
- Eleanor Waldorf acaba de me ligar - disse sua me. - E adivinha s?
Serena revirou os olhos para a tentativa da me de fazer suspense.
- O que ?
- Ela vai se casar.
- Com aquele cara, o Cyrus?
- Claro que sim. Com quem mais ela se casaria?  A me espanou farelos imaginrios de seu
vestido.
- Sei l. - Serena franziu a testa, perguntando-se como
Blair teria recebido a notcia. Provavelmente no muito bem. Embora Blair no esteja sendo
muito legal ultimamente, Serena ainda podia se solidarizar com a velha amiga.
- O estranho  que - continuou a sra. van der Woodsen - eles vo fazer tudo num estalo. -
Ela estalou os dedos cheios de jias.
- Como assim?
- No fim de semana da Ao de Graas - sussurrou a me e ergueu as sobrancelhas para
destacar que isso era realmente muito estranho. - No sbado depois do Dia de Ao de
Graas.  a data do casamento. E ela quer que voc seja uma das damas de honra. Tenho
certeza de que Blair vai lhe dar todos os detalhes. Ela  a primeira dama de honra.
A sra. van der Woodsen se levantou e comeou a endireitar os frascos de perfume Creed
espalhados, caixinhas de jias Tiffany e tubos de maquiagem Stila na penteadeira de Serena.
- No faa isso, me - queixou-se Serena e fechou os olhos.
O sbado de Ao de Graas. S daqui a trs semanas. E era tambm o aniversrio da Blair,
percebeu Serena. Coitadinha da Blair. Ela adorava o dia de seu aniversrio. Era o dia dela.
Mas obviamente no este ano.
E que negcio e esse de ser dama de honra quando Blair ia ser a primeira? Ser que Blair a
faria usar de propsito um vestido que no cabia nela? Ela ia malhar o champanha com mais
lcool? Faz-la andar pela nave central com Chuck Bass, o garoto mais nojento de seu velho
crculo de amigos? Era esquisito demais para imaginar.
A me se sentou novamente na cama e afagou o cabelo de Serena.
- Qual  o problema, querida? - perguntou ela, meio preocupada. - Achei que voc ficaria
animada em ser dama de honra.
Serena abriu os olhos.
- Estou com dor de cabea,  isso - suspirou ela, puxando o edredom. - Acho que vou ficar
deitada aqui e ver TV um pouquinho, t bom?
A sra. van der Woodsen deu tapinhas no p da filha.
- Tudo bem. Vou mandar Deidre com caf e suco para voc. Acho que ela trouxe uns
croissants tambm.
- Obrigada, me.
A me de Serena se levantou e saiu pela porta. Parou e se virou para dar um sorriso
luminoso para a filha.
- Os casamentos no outono so sempre to adorveis. Acho isso muito empolgante.
 - disse Serena, afofando o travesseiro. - Vai ser timo.
A me dela saiu. Serena rolou na cama e olhou pela janela por um minuto, vendo os
pssaros voarem da copa das rvores cor de bronze que cercavam o telhado do Met. Depois
pegou o telefone e pressionou o boto de discagem rpida do irmo Erik na Brown. Sempre
que precisava ser tranqilizada, era o primeiro boto que pressionava. Com a outra mo ela
ligou a TV pelo controle remoto. Bob Esponja passava no Nickelodeon. Ela olhou para a TV
sem ver, ouvindo o telefone tocar trs vezes, depois quatro.
No sexto toque, Erik atendeu.
- Al?
- Oi. O que voc t fazendo acordado?
- No estou acordado - disse Erik. Ele tossiu alto. - Ah, cara.
Serena deu uma risadinha.
- Desculpe. Noite pesada, hein?
Erik murmurou em resposta.
- E a, eu estou ligando porque descobri que a me da Blair vai se casar com aquele cara, o
Cyrus. Eu nem acho que eles tenham se conhecido assim h tanto tempo, mas enfim.
De qualquer forma, tenho de ser uma das damas de honra, e Blair vai ser a primeira, o que
significa... eu no sei o que significa. Mas tenho certeza absoluta de que a coisa vai feder.
Ela esperou que Erik respondesse.
- Acho que voc est com ressaca demais para falar sobre isso agora, n?
- Meio assim - resmungou Erik.
- T legal, tudo bem. Eu te ligo mais tarde - disse Serena, decepcionada. - Ei, eu estava
pensando em te visitar um dia desses. Que tal no fim de semana?
- Tudo bem - gemeu Erik.
- T legal. Tchau. Serena desligou.
Ela saiu de sob os cobertores, levantou-se e se arrastou para o banheiro. Os shorts cinza
caam na bunda, e sua camiseta Mr. Bubble estava torcida e caindo em um ombro. Os
cabelos louros lisos estavam colados na parte de trs da cabea, e uma linha fina de baba
tinha secado na bochecha.
 claro que ela ainda estava gostosa.
- Baleia - disse Serena para seu reflexo. Pegou a escova de dentes e comeou a escovar
lentamente, pensando em Erik.
Apesar de ele dar a impresso de ter cado numa farra maior que a de Serena, ele conseguiu
no ser expulso do internato e tinha ido para a Brown. Erik era o filho bom, enquanto Serena
era a filha ruim. Era to injusto.
Ela franziu as sobrancelhas de um jeito decidido enquanto esfregava os molares.
E da que ela tenha sido expulsa do internato, que suas notas fossem medocres e que sua
atividade extracurricular fosse aquele filme esquisito que fizera para o festival de cinema do
terceiro ano da Constance Billard School? Ela ia mostrar a todo mundo que no era to ruim
como eles pensavam.
Ia mostrar a eles indo para uma boa universidade como a Brown e se tornando algum.
No que ela j no fosse algum. Serena era a garota de que todo mundo se lembrava.
Aquela que todos odiavam. Ela no precisa tentar brilhar: j brilhava mais forte do que todos
os outros.
Serena cuspiu um monte de creme dental na pia.
Sim, ela definitivamente iria a Brown no prximo fim de semana, mesmo que fosse um tiro
no escuro. Ela podia ter sorte. Em geral, tinha.



um sortudo e uma solitria do west side

- Anormal - sussurrou Jenny Humphrey para seu reflexo.
Ela estava diante do espelho prendendo a respirao e estufando a barriga o mximo que
podia. A barriga ainda no chegava aos peitos, que eram enormes para uma menina da
stima serie. A camisola cor-de-rosa caia em um tringulo feito uma tenda dos peitos aos
joelhos, escondendo a barriga protuberante e as perninhas curtas. Ela crescia para os lados
em vez depara cima, como Serena van der Woodsen, a terceiranista da Constance Billard
que Jenny idolatrava. Os peitos de Jenny eliminavam qualquer esperana de chegar a
parecer remotamente cool, como Serena. Eram a runa de sua existncia.
Jenny soltou a respirao e puxou a camisola sobre a cabea para que pudesse experimentar
o novo top preto que tinha comprado na Urban Outfitters depois da escola ontem. Ela o
puxou sobre os ombros e para baixo, pelos peitos, e olhou o reflexo. No tinha mais dois
peitos gigantescos, agora era uma lesma-monstro de um peito s. Parecia deformada.
Empurrando os cabelos castanhos e crespos para trs das orelhas, Jenny se afastou do
espelho, revoltada. Vestiu uma velha cala de moletom da Constance Billard e foi para a
cozinha tomar um ch. Seu irmo mais velho, Dan, estava saindo do quarto. Ele sempre
estava pavoroso de manh, os cabelos desgrenhados e os olhos remelentos. Mas esta manh
os olhos dele estavam imensos e brilhantes, como se ele tivesse passado a noite toda
bebendo caf.
- E a?  cumprimentou Jenny enquanto entravam na cozinha.
Ela observou como Dan colocou algumas colheres de caf instantneo em uma caneca e
jogou gua fervente nela. Ele no parecia saber exatamente quanto caf tinha na caneca.
Ficou parado perto da pia, mexendo em silncio aquela coisa com uma colher, olhando a
espuma marrom girar e girar.
- Eu sei que voc saiu com a Serena ontem a noite.- Jenny cruzou os braos, impaciente.  E
a, qual foi? Foi maravilhoso? O que ela estava vestindo? O que vocs fizeram? O que ela
disse?
Dan bebeu um gole do caf. Jenny sempre ficava meio excitada demais quando se tratava de
Serena. Ele gostava de irrit-la.
- Ah, qual , me conta alguma coisa. O que vocs fizeram?  insistiu Jenny.
Dan deu de ombros.
- Tomamos sorvete.
Jenny colocou as mos nos quadris.
- Caraca. Que babaco.
Dan sorriu. Ele no ligava se isso deixava a irm maluca; no ia revelar nada da noite
passada. Era preciosa demais, especialmente a parte do beijo. Na verdade, ele acabara de
escrever um poema sobre isso para saborear tudo para sempre. Ele intitulou o poema de
"Doce".
- E o que mais? O que vocs fizeram? O que ela disse?
Dan colocou mais gua quente na caneca.
- Sei l... - Ele comeou a dizer e o telefone tocou. Dan eJ enny saltaram para atender. Mas
Dan foi mais rpido.
- Oi, Dan,  Serena.
Dan apertou o fone na orelha e saiu da cozinha, indo para a cadeira da janela do estdio.
Atravs da vidraa empoeirada ele podia ver as crianas andando de patins no Riverside Park
e o sol de outono brilhando no rio Hudson mais alm. Dan inspirou profunda e
tranqilamente.
- Oi.
- Olha s - comeou Serena. - Eu sei que  uma coisa meio esquisita de se pedir, mas eu
tenho de ser dama de honra num casamento daqui a trs semanas, e eu estava me
perguntando se voc gostaria de ir comigo, sabe como , como meu acompanhante.
- Claro - disse Dan, antes que ela falasse mais alguma coisa.
-  o casamento da me da Blair Waldorf. Sabe quem , a garota que era minha amiga?
- Claro - disse Dan novamente. Parecia que Serena no s queria que ele fosse com ela, mas
precisava que ele fosse, para dar apoio moral. Isso fez com que Dan se sentisse importante
e lhe deu coragem. Ele baixou o tom da voz a um sussurro que mal se podia ouvir, para o
caso de Jenny estar escutando no outro cmodo. - E tambm gostaria mesmo de ir a Brown
com voc. Se estiver tudo bem.
- Claro - disse Serena e fez uma pausa. - Hmmm, acho que vamos na sexta depois da
escola. S tenho dois tempos de aula na sexta. E voc?
Parecia que ela se esquecera de t-lo convidado para ir com ela. Mas Dan concluiu que
ouvira mal.
- Eu saio da escola s duas horas na sexta-feira  explicou ele.
- T legal, ento pode me encontrar na Grand Central. Vou pegar o trem para nossa casa de
campo em Ridgefield e l pego o carro do caseiro.
- Parece legal.
- Vai ser timo. - Serena pareceu um pouco mais entusiasmada. - Ento, obrigada por
concordar em ir comigo ao casamento. Vai ser divertido.
- Assim espero. - Dan no via como no podia ser divertido com ela. Mas ele tinha de
encontrar alguma coisa decente para vestir. Devia ter comprado aquele smoking da Barneys,
afinal.
- Hmmm,  melhor eu ir. A empregada est gritando para eu tomar o caf da manh. Ento
eu te ligo mais tarde, e podemos fazer os planos para o fim de semana, t legal?
- T.
- Tchau.
- Tchau - disse Dan e desligou, antes que pudesse dizer outra coisa: Eu te amo.
- Era ela, n? - perguntou Jenny, quando Dan voltou a cozinha.
Dan deu de ombros.
- O que ela disse?
- Nada.
- Ah, t. Voc estava cochichando - acusou Jenny.
Dan pegou um bagel de um saco de papel na bancada da cozinha e o olhou. Surpresaaaaa!
Estava mofado. Seu pai no era o melhor dono-de-casa do mundo. Era difcil lembrar de
comprar comida ou limpar o cho quando se est ocupado escrevendo ensaios sobre por que
algum poeta que ningum conhecia era o prximo Allen Ginsberg. Na maior parte do tempo
Dan e Jenny sobreviviam de comida chinesa delivery.
Dan jogou fora o saco de bagels mofados e encontrou um saco de batatas fritas fechado no
armrio. Abriu-o e enfiou um punhado na boca. Era melhor do que nada.
Jenny fez uma careta para ele.
- Voc tem de ser um idiota to irritante? Eu j sei que era Serena no telefone. Por que no
pode me contar o que ela disse?
- Ela quer que eu v a um casamento com ela. A me daquela garota, a Blair, vai se casar e
Serena vai ser dama de honra. Ela quer que eu esteja l com ela - explicou Dan.
- Voc vai no casamento da sra. Waldorf?  engasgou Jenny. - Onde vai ser?
Dan deu de ombros.
- Sei l, no perguntei.
Jenny se encrespou.
- No acredito.  tipo assim, todo esse tempo voc e papai foram to totalmente contra
aquelas garotas fantsticas da minha escola e as famlias chiques delas. E agora voc est
saindo com a rainha de todas elas e  convidado para casamentos incrveis.  to injusto!
Dan enfiou outro punhado de fritas na boca.
- Desculpa - disse ele com a boca cheia.
- Bom, s espero que voc no tenha esquecido que fui eu que, de certa forma, disse que
voc tinha uma chance com a Serena - irritou-se Jenny. Atirou o saquinho de ch usado com
raiva na pia. -J percebeu que o casamento vai ser tipo Vogue? Nem acredito que voc vai.
Mas Dan mal estava ouvindo. Em sua mente ele estava num trem, de mos dadas com
Serena e olhando no azul profundo dos olhos dela.
- Ela falou alguma coisa sobre amanh? - perguntou-lhe Jenny.
Dan a encarou com os olhos inexpressivos.
- Eu, a Vanessa e a Serena temos de nos encontrar no bar do namorado da Vanessa em
Williamsburg para ver o filme que ajudamos Serena a fazer para o festival de cinema da
Constance. Para ter certeza de que saiu tudo bem.
Outro olhar vazio.
- Achei que talvez ela tivesse te convidado.
Nenhuma resposta.
Jenny suspirou, exasperada. Dan era um caso perdido, percebeu ela, to totalmente doente
de amor que ela bem podia esquecer sobre tentar arrancar alguma informao dele. Ele nem
tinha perguntado por que ela estava usando um top preto pela casa em uma manh de
sbado. De repente Jenny se sentiu extremamente sozinha. Ela sempre dependeu da
companhia do irmo, e agora ele estava cagando para ela.
Ela definitivamente precisava fazer outros amigos.




                               Gossipgirl.net
    ___________________________________________________________________

             temas / anterior / prxima / faa uma pergunta / respostas

advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados para
                         proteger os inocentes. Quer dizer, eu.


                                        oi, gente!

O CASAMENTO DO ANO

Esta poca do ano em geral  meio paradona, sem nada acontecendo at os feriados. Mas a
me de B deu a todos ns um motive para fofocar. Quer dizer, h quanto tempo ela e o
namorado se conhecem? Tipo dois ou trs meses? Se eu tivesse de passar o resto da minha
vida com algum, ou at o fim de semana, eu ia querer conhecer esse algum melhor do que
isso. De qualquer forma, eu soube que ele  seriamente brega, e por isso o casamento
definitivamente vai ser digno de uma olhada. E como  que B vai se divertir se ter de lidar
com S?? Estou sentindo cheiro de briga de mulher, e no vai ser nada bonito. Eba! Mal posso
esperar!


Seu e-mail

P: Oi, GG!
No sei se voc j sabe disso, mas B vai ter um novo meio-irmo. Sou da sala dele na
escola, e ele  meio avoado. Mas tambm  uma gracinha. ;)
  - BronxKat

R: Cara BronxKat,
S o que posso dizer  que toda essa histria do casamento est ficando cada vez melhor!
 - GG


P: cara gg
Eu soube que o pai de B deu tipo um milho de dlares a Yale para ela no ter de se esforar
muito para entrar l.
De qq forma, aposto que n e b no vo terminar na mesma universidade no ano que vem. O
que voc acha?
 - bookwrm

R: Cara bookwrm,
Eu no apostaria nisso. B  mais imprevisvel do que parece...
 -GG


E POR FALAR EM FACULDADE...

Agora  a hora em que todos devemos enlouquecer, procurando por todas as fotos nos
catlogos de universidades a que nos candidatamos, imaginando-nos batendo papo com
gostoses em gramados verdes na frente de enormes prdios marfim. Agora  a hora em
que a gente devia olhar para o passado, para todas aquelas provas em que a gente se ferrou
ou o trabalho voluntrio que no fizemos e dar um chute na gente mesmo por ser to
imbecil e preguiosa. Agora  a hora em que os piegas esto tomando decises precipitadas
e fazendo com que ns, pessoas normais, nos sintamos uma merda. Bem, eu me recuso a
me deixar levar por isso. Aqui est minha receita para administrar o estresse do terceiro
ano: Misture um garoto bonito com um par bem legal de botas de couro, um suter de
cashmere novo, uma boa balada e vrios drinques. Agite em uma manh bem tarde com
chocolate quente na cama. Comece a trabalhar nas requisies para as universidades
quando voc ficar boa e estiver pronta.
T vendo? No h necessidade de ficar assim to estressada.

Flagra

N na Asphalt Green, jogando tnis com o pai. B no cinema na 86, vendo algum filme de
ao com o irmozinho. Imagina B vendo uns caras se matando de helicpteros em chamas
em vez de ficar em casa com a mame, discutindo vestidos e bolos e bufs para festas. S
comprando perfume na Barneys. Eu juro que essa garota est l praticamente todo dia. D
rabiscando em um caderno no pier da rua 79. Outro poema de amor sobre S, quem sabe? J
devolvendo um top preto na Urban Outfitters.

Vem mais por a!

                                   Pra voc que me ama,

                                         Gossip Girl

__________________________________________________________________________



b est decidida a fazer com que n a queira

- Venha comer umas panquecas, querida - chamou a sra. Waldorf do corredor, esperando
desenterrar Blair do quarto. - Pedi a Myrtle para faze-las delicadas e finas, do jeito que voc
gosta.
Blair abriu a porta do quarto e colocou a cabea para fora.
- Pera. Estou me vestindo.
- No precisa, querida. Cyrus e eu ainda estamos de pijama - disse a me de Blair, toda
animada. Ela amarrou novamente o cinto do robe de seda verde. Cyrus estava usando um
igual. Eles os compraram ontem na Saks depois de ver alianas de casamento na Cartier.
Depois foram para o escuro e aconchegante bar King Cole no St. Regis Hotel para beber
champanha. Cyrus chegou a brincar em pegar um quarto. Foi to romntico.
Indecente.
- Pera - repetiu Blair obstinada, e sua me se retirou para a sala de jantar. Blair se sentou
na beira da cama, olhando o reflexo no espelho do armrio. Tinha mentido para a me.
Na verdade, tinha acordado h horas e j estava completamente vestida de jeans, uma blusa
de gola rul preta e botas. Tinha at pintado as unhas de marrrom-escuro para combinar
com seu humor.
Espelho, espelho meu, existe algum mais linda do que eu? Claro que sim - pelo menos hoje.
Ela passou o sbado todo irritada. Depois foi para a cama irritada e acordou irritada na
manh de domingo. Na verdade, parecia que ia passar o resto da vida irritada. Nate no
tentara v-la desde a sexta a noite, ento obviamente ele estava mais que um pouco
decepcionado com o que aconteceu. Ela ainda era virgem. Sua me ia se casar com um
idiota detestvel.
E a data que eles escolheram para o casamento seria o aniversrio mais importante da vida
de Blair.
Ah, sim, a vida dela definitivamente estava um belo dum porre.
Como no podia ficar pior do que j estava, e como Blair estava com fome, ela se levantou e
foi para a sala de jantar comer panquecas com a me e Cyrus.
- A est ela - retumbou Cyrus em voz alta. Ele deu palmadinhas na cadeira ao lado dele. -
Vem, senta aqui.
Blair fez o que lhe disseram. Pegou a travessa cheia de panquecas e colocou algumas no
prato.
- No pegue a que tem um buraco no meio - disse seu irmo de 11 anos, Tyler. -  minha. -
Tyler vestia uma camiseta do Led Zeppelin e tinha uma bandana vermelha na cabea. Ele
queria ser jornalista de rock e seu modelo era Cameron Crowe, o cineasta que fez uma turn
com o Led Zeppelin quando tinha 15 anos. Tyler tinha uma coleo enorme de vinil e
guardava um cachimbo de haxixe velho embaixo da cama. No que ele o usasse. Blair se
preocupava que Tyler se transformasse num anormal que ia ter problemas para arranjar
amigos. Seus pais achavam isso bonitinho, desde que ele usasse o terno Brooks Brothers da
St. George's toda manh como um bom menino e fosse para um internato.
No mundo de Blair e seus amigos, os pais de todo mundo eram assim - desde que os filhos
no os ferrassem nem os constrangessem, eles basicamente podiam fazer o que quisessem.
Na verdade, esse foi o erro que Serena cometeu. Ela foi apanhada se ferrando, e ser
apanhada era inaceitvel. Ela devia saber disso.
Blair despejou mel nas panquecas e enrolou cada uma delas como um burrito, como gostava
de com-las.
Sua me pegou uma uva da fruteira e colocou na boca de Cyrus. Ele murmurou feliz
enquanto a mastigava e engolia. Depois ele franziu os lbios como um peixe, pedindo mais.
A sra. Waldorf deu uma risadinha e o alimentou com outra. Blair rolou os burritos de
panqueca no mel, ignorando aquela exibio revoltante.
- Falei ao telefone com o homem do St. Claire a manh toda. Ele  muito empolado e muito
preocupado com a decorao.  hilariante.
- Empolado? Quer dizer gay. No tem problema falar "gay", me - disse Blair.
- Sim, bem... - A me gaguejou, sem graa. Ela no gostava de usar a palavra gay. No
depois de ter sido casada com um - era humilhante demais.
- Estamos tentando decidir se devemos reservar alguns quartos no hotel - interveio Cyrus. -
Vocs, meninas, podem usar um para trocar de roupa e fazer o cabelo. E, quem sabe...
alguns convidados podem ficar to bbados que podem desabar at de manh. - Ele riu e
piscou para a me de Blair.
Quartos?
De repente Blair teve uma idia. Ela e Nate podiam pegar um quarto! Que lugar e dia mais
perfeitos para perder a virgindade do que em um quarto no St. Claire no dia de seu
aniversrio de 17 anos?
Blair baixou o garfo, limpou delicadamente os cantos da boca com o guardanapo e sorriu
com doura para a me.
- Vocs podem reservar um quarto para mim e para meus amigos? - perguntou ela.
-  claro que podemos.  uma boa idia.
- Obrigada, me. - Blair sorriu animada para sua xcara de caf. Ela mal podia esperar para
contar a Nate.
- H muita coisa a ser feita. - Eleanor estava ansiosa. - Andei fazendo listas enquanto
dormia.
Cyrus pegou a mo dela e a beijou. O diamante brilhou no dedo dela.
- No se preocupe, coelhinha - disse Cyrus, como se estivesse falando com uma criana de
dois anos.
Blair pegou um rolo de panqueca pingando mel nos dedos e enfiou na boca.
-  claro que quero sua opinio em tudo, Blair  tornou a me. - Voc tem um bom gosto
extraordinrio.
Blair deu de ombros e mastigou, as bochechas salientes.
- E mal podemos esperar para voc conhecer o Aaron - disse Eleanor.
Blair parou de mastigar.
- Quem  Aaron? - perguntou ela com a boca cheia.
- Meu filho, Aaron - respondeu Cyrus. - Voc sabia que eu tinha um filho, no sabia, Blair?
Blair sacudiu a cabea. Ela no sabia de nada sobre Cyrus. Ele podia muito bem ter estado
vagando pela rua e pedido sua me em casamento. Quanto menos ela soubesse dele melhor.
-  do terceiro ano da Bronxdale Prep. Garoto inteligente. Pulou a oitava srie. Ele s tem 16
anos,j est concluindo o secundrio e vai para a faculdade! - anunciou Cyrus, orgulhoso.
- No  impressionante? - concordou a me de Blair. - E ele  to boa-pinta tambm.
- Isso ele  - concordou Cyrus. - Ele vai te deixar maluca.
Blair pegou outra panqueca da travessa. No ligava de ouvir a me e Cyrus tagarelando
sobre algum cara esquisito que pulava sries por pura diverso. Ela podia imaginar Aaron
com exatido: uma verso magricela de Cyrus, com espinhas, cabelo seboso, braceletes e
roupas horrorosas. O pituquinho do papai.
- Ei, essa a  minha! - reclamou Tyler, tinindo o garfo de Blair com sua faca. - Larga.
Blair agora podia ver que a panqueca que ela pegara tinha um buraco do tamanho de um
dedo no meio.
- Desculpe - disse ela e passou o prato pela mesa para Tyler. - Pega a.
- Ento, vai ficar em casa hoje e me ajudar?  perguntou sua me. - Peguei um monte de
revistas e livros de casamento para a gente ver.
Blair empurrou a cadeira para trs abruptamente. No podia pensar numa forma pior de
passar o dia.
- Desculpe. J tenho compromisso.
Era mentira, mas Blair tinha certeza de que assim que terminasse de conversar com Nate,
ela na verdade teria compromisso. Eles podiam ver um filme, ir andar no parque, sair por a,
planejar a noite no St. Claire...
Nada disso.

- Desculpe, vou encontrar Anthony e os caras no parque para jogar bola - disse Nate. - Eu te
falei isso ontem.
- No falou no. Ontem voc falou que tinha de sair com seu pai. Voc falou que talvez
fizssemos alguma coisa hoje - queixou-se Blair. - Eu no te vejo mais.
- Bom, estou indo para l agora. Desculpe.
- Mas eu queria te contar uma coisa. Ela tentou parecer misteriosa.
- O qu?
- Eu s posso contar pessoalmente.
- Ah, qual , Blair - disse Nate com impacincia.- Eu tenho de ir.
- Tudo bem. T legal. O que eu queria te contar era que minha me e Cyrus vo reservar
quartos no St. Claire para o casamento deles. E, como vai ser meu aniversrio e tudo, eu
achei que talvez seja o dia perfeito para a gente... sabe como ... fazer.
Nate ficou em silncio.
- Nate? - perguntou Blair.
- Qu?
- E a, o que  que voc acha?
- Sei l. Parece legal. Olha, eu tenho de ir, t bom?
Blair apertou o fone na orelha.
- Nate? Voc ainda me ama?
Mas Nate j estava desligando.
- Te ligo mais tarde, t? - disse ele. - Tchau.
Blair desligou e olhou o tapete persa no cho do quarto, as panquecas revirando-se
desagradavelmente no estmago.
Mas, antes que conseguisse pensar em enfiar o dedo na garganta, ela teve uma idia.
No ia ver Nate hoje, e eles provavelmente no se veriam durante a semana, com as mil e
uma atividades extracurriculares dela e os esportes dele. E no fim de semana que vem ela ia
a Yale e ele a Brown. Ela no podia deixar passar toda uma semana com Nate irritado com
ela por ter estragado a sexta a noite e com sua preocupao com ele estar irritado com ela.
Blair tinha de fazer alguma coisa.
Se ao menos ela e Nate pudessem ter o tipo de briga romntica que os casais tem nos
filmes. Primeiro gritariam coisas dolorosas um com o outro ate que ela comeasse a chorar.
Ela pegaria a bolsa e o casaco, atrapalhando-se com os botes por estar to aborrecida.
Depois, quando ela estivesse abrindo a porta da frente toda abalada, preparando-se para
sair da vida dele para sempre, ele chegaria por trs dela e a abraaria, apertando-a. Ela se
viraria e olharia curiosa para ele por um momento e depois eles se beijariam com paixo. No
fim, ele implorava para ela ficar e depois fariam amor.
A realidade era muito mais chata, mas Blair sabia como apimentar as coisas.
Ela se imaginou andando para a casa de Nate vestida num longo casaco preto, um leno de
seda envolvendo a cabea, o rosto disfarado por culos de sol Chanel. Ela deixaria um
presente especial para Nate, depois desapareceria na noite.
Quando ele abrisse o presente, sentiria seu perfume e ansiaria por ela.
Esquecendo-se completamente de forar o vmito, Blair se levantou e pegou a bolsa, pronta
para ir a Barneys.
Mas o que voc faz para um cara se lembrar de que a ama e quer voc mais do que nunca?
Hmmmm... Parada dura, essa.



pega ladro

- E a, me diz por que est me ligando de novo  perguntou Erik, rabugento.
-  um prazer conversar com voc tambm  brincou Serena. - S estou ligando para avisar
que vou definitivamente a Brown no fim de semana. Tenho uma entrevista marcada para o
sbado ao meio-dia.
- Tudo bem - disse Erik. - Em geral temos uma festa no sbado a noite. Espero que voc no
se importe.
- Me importar? - Serena riu. -  perfeito. Ah, e provavelmente vou levar um amigo.
- Que tipo de amigo?
- S aquele cara, o Dan, com quem andei saindo. Voc vai gostar dele, eu prometo.
- Legal. Olha, eu t meio ocupado. Tenho de ir.
Serena percebeu que era mais provvel que Erik no estivesse sozinho. Ele sempre tinha
pelo menos trs namoradas com quem dormia em sistema de rodzio.
- Voc  um galinha. Tudo bem. Te vejo depois.  Serena desligou. Ela se levantou, foi at o
armrio e abriu a porta para se vestir.
Dentro dele estavam todas as mesmas roupas chatas que ela sempre vestiu. Mas ela ia para
a faculdade no ano que vem, talvez at a Brown. No merecia comprar alguma coisa nova?
Puxou um par surrado de jeans Diesel e um suter de cashmere preto, aprontando-se para ir
ao lugar que mais gostava em todo o mundo: a Barneys.

Quando chegou l, a Barneys j estava lotada de moradores do Upper East Side que
vagavam por ali, incapazes de resistir.
O pavimento zunindo e brilhantemente iluminado, as caixas de vidro cheias de jias nicas,
luvas lindas e bolsas exclusivas faziam com que todo dia parecesse Natal. No balco da
Creed, Serena admirou os lindos frascos de perfume com o mesmo deleite de uma criancinha
numa loja de brinquedos.
Passando ao balco da Kiehl, ela ficou tentada por um frasco de mscara para o rosto de
argila natural para hidratao profunda.  claro que Serena j tinha produtos de beleza em
nmero suficiente para durar anos, mas ela adorava experimentar novos. Era meio que um
vcio.
No h nada de errado nisso. Definitivamente, existem vcios piores.
Serena estava prestes a perguntar ao homem por trs do balco se a mscara era adequada
para a sua pele, que tendia para seca, quando percebeu uma figura conhecida andando
decidida pela loja at o departamento masculino.
Era Blair Waldorf. Serena baixou o frasco de mscara e a seguiu.

Blair no tinha certeza se a Barneys teria o que ela procurava, mas isso porque ela no sabia
o que estava procurando.
Nate no ia ficar impressionado com um suter novo nem com um par legal de luvas de
couro. Blair tinha de encontrar alguma coisa nica. Sexy, sem ser sentimentalide. Tinha de
ter classe. E tinha de lembrar a Nate que ele ainda a amava e a queria. Blair foi direto para o
departamento de roupas ntimas.
Primeiro encontrou uma mesa coberta com uma variedade de shorts de algodo coloridos.
Depois havia estantes de roupes de banho felpudos e luxuosamente macios e pijamas de
flanela, prateleiras cheias de caixas de bermudas despretensiosas e cuequinhas cavadas com
tiras de couro. Nada disso ia servir. Depois Blair foi atrada para uma estante de calas de
pijama de cashemere cinza amarradas na cintura.
Ela puxou uma e a ergueu. MADE IN ENGLAND, dizia a etiqueta. Preo: $ 360 d6lares. Era
esporte, mas sofisticada. Bonita, mas to macia e delicada que a idia dessa cala roando o
corpo nu de Nate fazia Blair se sentir quase maternal.
Ela apertou a cala nas mos e a encostou no rosto. O aroma de cashmere fina encheu suas
narinas e ela fechou os olhos, imaginando Nate usando a cala sem a blusa, o peito perfeito
exposto enquanto ele enchia uma taa de champanha em seu quarto no St. Claire.
Era definitivamente sensual. No havia duvida sobre isso: Blair tinha de compr-la.

Serena fingiu estar muito interessada em um roupo de banho Ralph Lauren felpudo e
vermelho, tamanho extragrande.
Era grande o bastante para escond-la de Blair, e a arara onde ele estava pendurado
proporcionava uma viso total de Blair. Ela se perguntou se Blair estava comprando alguma
coisa para Nate. Provavelmente. Cara de sorte: o pijama que ela olhava era lindo.
Nos velhos tempos, Blair teria pedido a Serena para ajud-la a escolher um presente para
Nate. Mas isso era passado.
- Est procurando um presente para algum?  perguntou um vendedor, aproximando-se de
Serena. Ele parecia um marombeiro, careca, bronzeado e praticamente arrebentando o
terno.
- No, eu... - Serena vacilou. Ela no queria que o homem comeasse a arrast-la pela loja,
mostrando-lhe as coisas, correndo o risco de ser vista. - . Para meu irmo. Ele precisa de
um roupo novo.
- Desse tamanho? - perguntou o vendedor, apontando para o que ela estava olhando.
- ,  perfeito. Vou levar. - Os olhos de Serena dardejaram para Blair, que seguia para o
balco levando a cala de pijama. - Posso te dar meu carto de crdito aqui?- perguntou
Serena ao cara, virando-se para piscar os olhos azuis para ele. Tirou o carto de crdito da
carteira e entregou a ele.
- Sim,  claro. Ele tirou rapidamente o roupo do cabide e pegou o carto. - Voltarei logo.
-  para presente - disse Blair ao homem por trs do balco, entregando-lhe o carto de
crdito. O carto tinha seu nome, mas no era realmente dela. Era adicional ao carto da
me. Os pais de Blair no lhe deram um carto prprio, s deixavam que ela comprasse o
que precisasse, dentro do razovel.
Uma cala de pijama de quase 400 dlares para Nate quando nem era Natal no recaa
exatamente na categoria "dentro do razovel", mas Blair encontraria uma maneira de
convencer a me de que a compra tinha sido absolutamente necessria.
- Desculpe, senhorita - disse-lhe o homem por trs do balco -, mas seu carto foi recusado.
- Ele lhe passou o carto de volta. - H outro carto que gostaria de usar?
- Recusado? - repetiu Blair. Seu rosto inflamou. Isso nunca tinha acontecido com ela.  Tem
certeza?
- Sim. Toda certeza - tornou o homem. - Gostaria de usar o telefone para ligar para seu
banco?
- No, tudo bem. Eu volto aqui outra hora.  Colocou o carto de volta na carteira, pegou a
cala de pijama e se virou, voltando a prateleira onde a havia encontrado. A cashmere
parecia to macia em suas mos que a deixava doente pensar em sair da loja sem lev-la. E
o que  que tinha isso, alias? No era que o dinheiro na conta de sua me tenha, tipo assim,
acabado.
Mas ela no podia exatamente ligar para a me e perguntar a ela sobre isso, uma vez que
mentira para sair de casa, dizendo que ia ver um filme com o Nate.
O homem tinha retirado a pesada etiqueta plstica de segurana, percebeu Blair antes de
colocar a cala de pijama na prateleira. Ela tambm percebeu que havia montes de calas de
pijama de cashmere cinza ali. Ser que eles realmente se importariam se ela s...pegasse?
No que ela no tenha tentado pagar por ela. Alm disso, ela j gastou muito dinheiro na
Barneys. Merecia um presente de graa.

Serena esperou que o vendedor corpulento voltasse com o roupo que ela no queira ter
comprado e o recibo de seu carto de crdito. Observava Blair comear a colocar o pijama de
volta no lugar e depois parar.
- S vou precisar de sua assinatura no X - disse o vendedor a Serena. Ela se virou e ele lhe
entregou uma grande sacola preta da Barneys com o roupo colocado elegantemente em
uma caixa preta dentro dela.
Serena no conseguia acreditar. Blair estava roubando!
- Muito obrigada. - Serena se levantou, enfiou o recibo na mo do vendedor, pegou a sacola
e foi para a sada.
Embora no tivesse feito nada errado, ver Blair roubando a fazia sentir-se como se tivesse
feito. Ela estava louca para sair dali. Depois de abrir caminho para a rua, ela virou na
Madison, andando rapidamente. A sacola batia em sua perna enquanto ela respirava o ar
claro de outono as golfadas. Tinha ido a Barneys para procurar alguma coisa legal e divertida
para si mesma e saiu com um roupo para homem tamanho GG.
O que estava fazendo espionando a Blair, afinal? E que diabos Blair estava fazendo roubando
coisas? Era como se estivesse muito necessitada ou coisa parecida.
Entretanto, o segredo de Blair estava seguro com Serena. Ela no tinha ningum para
contar.

Blair saiu da Barneys e virou na Madison, o pulso acelerado. Nenhum alarme havia soado e
ningum a seguia. Ela conseguiu sair dessa!  claro que ela sabia que era errado roubar,
especialmente quando se tinha muito dinheiro para pagar pelas coisas, mas ainda parecia
meio estimulante fazer uma coisa to totalmente ilegal. Era como interpretar a mulher fatal
vila no filme, em vez da mocinha pura e certinha da casa ao lado. Alm disso, foi s uma
vez. No  que ela fosse se transformar numa ladra ou coisa assim.
Depois ela viu uma coisa que a fez parar. No fim do quarteiro, os longos cabelos louros de
Serena van der Woodsen brilhavam a luz do sol enquanto ela esperava que o sinal abrisse.
Uma grande sacola preta da Barneys estava pendurada em seu brao. E, assim que comeou
a atravessar a rua, ela se virou e olhou diretamente para Blair.
Blair abaixou a cabea rapidamente, fingindo olhar seu Rolex. Merda, pensou ela. Ser que
ela me viu? Ser que me viu pegando a cala de pijama?
Mantendo os olhos baixos, ela abriu a bolsa e pegou um cigarro. Quando olhou para cima
novamente, Serena tinha atravessado a rua e estava sumindo na distncia.
E da se ela me viu?, disse Blair a si mesma. Acendeu um cigarro com os dedos nervosos.
Serena podia ir em frente e bater para todo mundo que tinha visto Blair Waldorf roubando na
Barneys, mas ningum ia acreditar nela. No ?
Enquanto andava, Blair enfiou a mo na bolsa e tocou a maciez da cala de pijama de
cashmere. Mal podia esperar para Nate vesti-la. Assim que o fizesse, ele saberia exatamente
como Blair se sentia a respeito de tudo, e ele a amaria mais do que nunca. Nada que Serena
dissesse ia mudar isso.
Pera, v devagar. Dar presentes roubados a algum era carma ruim. Pode se virar contra
voc das formas mais surpreendentes.



levando bolo no brooklyn

- Por que voc est aqui? - perguntou Vanessa Abrams a Dan quando Dan e Jenny chegaram
no The Five and Dime.
Dan deu de ombros.
- Eu queria ver como ficou o filme da Serena  respondeu ele, como se no fosse grande
coisa.
Ah, t, pensou Vanessa.  mais provvel que tenha vindo para venerar a bunda ossuda da
Serena.
- Serena ainda no chegou - disse ela a Jenny e Dan enquanto eles olhavam em volta. O bar
mal iluminado estava quase vazio, com apenas uns caras de vinte e poucos anos sentados a
uma mesa nos fundos lendo o Times de domingo e fumando cigarros.
- Mas  uma e meia. - Jenny olhou o relgio.  Agente devia se encontrar a uma hora da
tarde.
Vanessa deu de ombros.
- Voc sabe como a Serena .
Era verdade, eles sabiam. Serena sempre estava atrasada.
Mas nem Dan nem Jenny se importavam. Era uma honra ser agraciado com a presena dela.
Isso deixava Vanessa maluca.
Clark apareceu e passou os dedos no cabelo curto e preto de Vanessa.
- E a, querem beber alguma coisa? - ofereceu ele.
Vanessa sorriu para ele. Ela adorava quando Clark a tocava na frente de Dan. Era bem feito
para Dan. Clark era o bartender do Five and Dime, o bar na mesma rua em que ficava o
apartamento que Vanessa dividia com a irm mais velha, Ruby.
Clark estava com 22 anos. Tinha costeletas vermelhas e lindos olhos verdes, e era o nico
cara que ela conhecia que no a fazia se sentir plida, gorducha e estranha. Todo esse
tempo Vanessa pensava que Clark estava a fim de Ruby, sua irm mais velha legal, a
baixista que usava cala de couro cuja banda tocava no bar. Mas era Vanessa que Clark
queria. ''Voc  diferente", disse-lhe ele. "Eu adoro isso."
E Vanessa era mesmo diferente. Era definitivamente muitssimo diferente das colegas de
turma na Constance Billard School for Girls. Elas moravam com os pais riquinhos em
coberturas na Quinta Avenida. Vanessa morava em um apartamentinho nos altos de uma
bodega espanhola em Williamsburg, no Brooklyn. Ela foi criada em Vermont, mas quando fez
15 anos implorou e insistiu at que os pais artistas cederam e a mandaram para Nova York,
para morar com Ruby.
A nica condio era que tivesse uma boa e slida educao na escola de elite Constance
Billard. As colegas de Vanessa na escola no sabiam bem o que fazer com ela. Enquanto
cuidavam de seus interesses e compravam na Barneys ou na Bendel's, Vanessa raspava a
prpria cabea com barbeadores eltricos e procurava jeans e camisetas baratas sem grife,
que eram sempre totalmente pretos e totalmente nada femininos.
Vanessa conheceu Dan quando os dois ficaram presos num poo de escada, trancados por
fora em uma festa idiota na oitava srie, e eles ficaram amigos desde ento. No ano
passado, Vanessa e Dan passaram muito tempo juntos, e Vanessa ficou terrivelmente a fim
dele. Mas Dan s tinha olhos para uma garota: Serena van der Woodsen.
Vanessa teve sorte em Clark descobri-la, pois ela estava tentando superar Dan, mas era
difcil. Toda vez que via o rosto desgrenhado e plido de Dan e suas mos que tremiam
quase como um passarinho, ela se sentia tonta. Dan,  claro, no estava nem a. Ele s era
legal com Vanessa e a ignorava completamente quando Serena estava por perto, o que no
tornava as coisas mais fceis.
A irm de Dan, Jenny, trabalhava com Vanessa na Rancor, a revista de arte das alunas da
Constance Billard em que Vanessa era editora-chefe. Jenny era uma calgrafa e fotgrafa
talentosa, com um timo olho. Jenny e Vanessa tambm ajudaram Serena com o filme dela -
porque ela havia pedido e porque ningum conseguia dizer no a Serena. Mas Jenny no
estava interessada em ser amiga de Vanessa. Ela era muito esquisita e um desastre
completo da moda, e no era o tipo que Jenny aspirava a ser.
- Pode ser um Irish coffee? - perguntou Dan. Era a bebida favorita dele porque era
principalmente feita de caf.
- Claro - disse Clark.
- Vou tomar uma Coca - disse Jenny. Ela no gostava muito do sabor do lcool, exceto no
champanha.
- E a, vamos ver o filme da Serena ou no?  perguntou Dan, balanando para a frente e
para trs no banco do bar.
- A gente tem de esperar que ela chegue, idiota  resmungou Jenny.
Vanessa deu de ombros.
- Eu filmei quase tudo, de qualquer forma. Foi s o que fiz nas ltimas trs semanas.
Vanessa tinha ficado acordada at tarde toda a noite para trabalhar em seu filme para o
festival de cinema do terceiro ano da Constance Billard. Tambm era o filme que ela
pretendia mandar para a Universidade de Nova York com o seu requerimento. O sonho de
Vanessa era ir para a Universidade de Nova York no ano que vem e se formar em cinema.
Ela queria ser uma diretora famosa de filmes cult como Fome de viver e Ghost Dog, mas seu
esforo mais recente tinha se transformado meio que num desastre.
A histria de seu filme foi tirada de uma cena de Guerra e paz de Tolstoi. Dan fez o papel
principal, com uma aluna do segundo ano da Constance que vivia mascando chiclete,
Marjorie, que no tinha nenhum talento para atriz. Vanessa decidiu usar Marjorie em vez de
Serena, embora Serena fosse perfeita para o papel, porque no conseguia suportar ver Dan
nas nuvens com Serena num ensaio depois do outro. Que erro cometeu. Era uma cena de
amor, e Dan e Marjorie no tinham qumica nenhuma. Quase fez Vanessa querer rir quando
a assistiu; s no riu porque j estava chorando. De to ruim que ficou. Ela esperava que os
jurados do festival de cinema se concentrassem na qualidade da fotografia, que era seu
ponto forte, e no no dilogo ou na interpretao, que ficaram um porre.
O filme de Serena, por outro lado, tinha se transformado na obra de arte mais austera e
cerebral que Vanessa j vira. Ela mal podia agentar ver. E a coisa mais maluca era que no
houve inteno nenhuma nisso. Serena no tinha a menor idia do que estava fazendo, mas
de alguma maneira o filme deixava a gente totalmente siderada. Era puro gnio.  claro que
parte do motivo de ele ser to bom era que Vanessa tinha feito a maior parte das filmagens.
Ela nem conseguia acreditar que tinha ajudado Serena a fazer aquela coisa sem importncia
sem levar nenhum credito por isso.
Dan olhou para o relgio pela dcima quinta vez naquele minuto. Estava praticamente
mijando nas calas de ansiedade.
- Jesus! Por que voc no liga pra ela?  perguntou Vanessa com impacincia. O cime
despertava o que havia de pior em Vanessa.
Dan tinha programado o nmero de Serena no celular semanas antes. Ele puxou o telefone
do bolso do casaco e saiu do banco, andando de um lado para outro enquanto esperava que
ela atendesse. Por fim atendeu a secretria eletrnica. "Oi,  o Dan. Estamos no Brooklyn.
Onde voc est? Me d uma ligada quando puder. Tchau." Ele tentou fazer com que sua voz
parecesse indiferente, mas era quase impossvel. Onde  que ela estava, afinal?
Ele voltou para seu banco e sentou. Uma xcara fumegante de Irish coffee foi colocada no
balco diante dele. Estava coberta por uma torre de chantilly e tinha um cheiro terrvel.
- Ela no estava em casa - disse ele, depois soprou sua bebida antes de tomar um gole
gigante.
Serena estava entrando no elevador para chegar em casa quando percebeu seu erro. Com
ela no elevador estava uma senhora idosa em um casaco de mink, olhando o caderno Estilo
do Times de domingo. Era domingo. Serena devia estar no Brooklyn, para ver a verso final
do filme que fizera com Vanessa e Jenny. E devia estar l h uma hora.
- Merda - murmurou Serena para si mesma.
A mulher de mink olhou para ela antes de sair do elevador.
Em sua poca, as jovens que moravam na Quinta Avenida no usavam jeans nem xingavam
em pblico. Elas freqentavam bailes e usavam luvas e prolas.
Serena podia usar luvas e prolas tambm. S que ela preferia jeans.
- Merda - repetiu Serena, jogando as chaves na mesa da entrada. Correu pelo corredor at o
quarto. A secretria eletrnica estava piscando. Ela apertou o boto e ouviu o recado de
Dan.
- Merda - disse pela terceira vez. No esperava que Dan tambm estivesse l. E ela no
tinha o nmero do celular de Dan nem de Jenny, s o nmero da casa deles, ento no
podia retornar a ligao.
Bem l no fundo ela sabia por que tinha esquecido de ir ao Brooklyn. Ela no queria ver o
prprio filme novamente, em especial no na frente de outras pessoas. Era a primeira vez
que tinha feito um filme e estava meio insegura com isso, embora Vanessa parecesse pensar
que era verdadeiramente espantoso.
No era um filme tpico. Era meio como um filme sobre fazer um filme quando voc no tem
atores nem sabe como usar o equipamento. Tipo um documentrio dentro de um
documentrio. Serena adorou fazer: s no tinha certeza se ia fazer algum sentido para
algum que no a conhecesse. Mas Vanessa ficou to entusiasmada que Serena foi em
frente e entrou no festival de cinema da Constance Billard. O primeiro lugar era uma viagem
ao Festival de Cinema de Cannes em maio, um prmio doado pelo famoso pai ator de Isabel
Coates.
Serena j fora a Cannes muitas vezes, ento no se importava muito com o prmio. Mas
seria legal ganhar, especialmente porque Blair e Vanessa estavam concorrendo e elas eram
da turma de estudos avanados, enquanto Serena no tinha experincia nenhuma em
cinema.
Ela encontrou a lista da turma da Constance Billard na mesa e discou para a casa de
Vanessa.
- Oi,  Serena - disse ela, quando atendeu a secretria eletrnica. - Eu esqueci
completamente da nossa reunio hoje. Desculpe. Sou uma man. De qualquer forma, vejo
voc na escola amanh, t legal? Tchau.
Em seguida ela discou o nmero de Dan.
- Al? - atendeu uma voz mal-humorada.
-  o sr. Humphrey? - perguntou Serena. Ao contrrio de Serena e da maioria das pessoas
que ela conhecia, Dan no tinha sua prpria linha telefnica.
- Sim, o que voc quer?
- Dan est? - perguntou ela.-  uma amiga dele, Serena.
- Aquela dos braos dourados e lbios de framboesa? Aquela com asas em vez de mos?
- Como? - Serena ficou confusa. Ser que o pai de Dan era maluco?
- Ele andou escrevendo poemas sobre voc - disse o sr. Humphrey. - Deixou o caderno dele
em cima da mesa.
- Ah. Bem, pode dizer a ele que eu liguei?
- Claro que sim. Tenho certeza de que ele ficar deliciado.
- Obrigada - disse Serena. - Tchau. - Ela desligou e comeou a roer a unha do polegar, um
mau hbito que adquirira no ano passado no internato. A idia de Dan escrevendo poemas
para ela a deixava ainda mais nervosa do que a idia de ele assistir ao filme dela. Ser que
Dan estava muito, muito, muito mais a fim dela do que ela pensava?
Hmmmm, estava sim. Ah, ele estava.
- Acho que ela no vem. Jenny bocejou. - Vai ver chegou tarde ontem a noite ou coisa
assim. - Jenny gostava de pensar em Serena como uma deusa da noite, fora o tempo todo,
entornando champanha e danando em cima das mesas.
At recentemente isso teria sido verdade.
- Mas eu ainda quero ver o filme. - Dan tirou uma mecha de cabelo dos olhos e sorriu
dissimulado para Vanessa.
- Acha que d para a gente ir para a sua casa ver o filme?
Vanessa deu de ombros.
-  melhor no. Eu j vi o filme tipo quatro vezes. - A verdade verdadeira era que ela no ia
agentar ficar sentada vendo Dan babar para Serena como um cachorrinho apaixonado. Era
insuportvel demais.
- Eu acho que voc deve esperar at que Serena autorize - disse Jenny a Dan. - Quer dizer,
por acaso voc sabe se ela quer que voc veja?
- Ela no vai ligar.
Vanessa odiava a expectativa frvola que brilhava nos olhos de Dan. Ele estava louco para
ver o filme de Serena. Ela entregou as chaves a ele.
- Vou ficar aqui com Clark. Vocs podem ir ver o filme, se quiserem. Est no vdeo do quarto
da Ruby. No se preocupem, Ruby est passando o fim de semana fora.
Dan pegou as chaves e se levantou. Estava decepcionado que Serena no tenha aparecido,
mas no ia perder essa de jeito nenhum.
- Legal - exultou ele. - Vou assistir sozinho.
Jenny rodou da esquerda para a direita em seu banco, vendo o irmo sair e bebendo sua
Coca.
- E a, voc  aluna da Peterson em histria americana este ano? - perguntou Vanessa a
Jenny, tentando comear uma conversa. - As pessoas sempre dizem umas merdas, que ela 
uma baita viciada em drogas, mas a gente conversou uma vez e ela me contou tudo sobre a
doena que faz a mo dela tremer. Foi realmente muito legal da parte dela me contar isso.
Ela  impressionante.
Jenny continuava rodando no banco.
- S vamos ter histria americana no ano que vem - disse ela de um jeito inspido. Ela no
sabia por que Vanessa estava sendo to legal com ela assim de repente.
Vanessa esperava uma recepo mais calorosa.
- Ento tem histria europia? Desculpe, no consigo me lembrar de nada da stima srie.
-  - respondeu Jenny.   um porre. - Ela saltou do banco do bar e remexeu nos botes de
sua jaqueta Diesel de jeans. - Hmmmm, acho que vou pegar um txi para casa. A gente se
v.
- Tchau - respondeu Vanessa. E ela tentando tanto ser legal. Ela queria poder tirar Dan e a
irmzinha intil de sua vida de uma vez por todas. Para se distrair, ficou vendo a bunda de
Clark enquanto ele se inclinava para encher a geladeira do bar com mais cerveja. - Ei,
namorado - gritou para ele. - Estou me sentindo sozinha.
Clark olhou por sobre o ombro e mandou um beijo para ela.
Graas a Deus existe Clark, pensou Vanessa. Se pelo menos ele fosse mais...
Se pelo menos ele fosse o Dan.



j joga bola com os garotes

- Pode me deixar aqui? - perguntou Jenny.
O motorista de txi tinha pegado a FDR depois de sair da ponte Williamsburg e estava
tentando passar para o West Side na rua 79, mas o trnsito estava terrvel e eles ficaram
parados no mesmo sinal por dez minutos. Jenny olhava o taxmetro aumentar cada vez mais
enquanto estavam parados. Ela podia ter comprado trs brilhos MAC novos para os lbios
pelo que ia custar essa corrida de txi. Finalmente ela no agentou mais ficar parada. Era
um belo dia de outono: ela podia andar.
Ela pagou e desceu na calada da 79 com a Madison e foi para oeste, em direo ao Central
Park. O sol da tarde de novembro estava baixo no cu e Jenny semicerrou os olhos enquanto
se apressava pela Quinta Avenida e entrava no parque.
As folhas de outono espalhavam-se pelos caminhos, e o ar cheirava a lenha queimada e
cachorro-quente dos vendedores de rua. Jenny andava com as mos enfiadas nos bolsos da
jaqueta, olhando para seus tnis Puma azuis e ruminando sobre o irmo. Ele sabia como
estava sendo imbecil? Era como se ele tivesse perdido totalmente a personalidade e
dedicasse cada minuto de seu dia a venerar Serena. Jenny tambm sabia que Dan estava
escrevendo poemas lamentativos e tristes sobre Serena, porque ela o apanhara fazendo isso.
Quando eu me corto no barbear, penso em seus dentes nos meus lbios, e a dor se torna
prazer.
Esse foi o verso que ela conseguiu ler antes que Dan fechasse o caderno num estalo. Era pior
que ridculo.
A nica utilidade de Dan sair com Serena era que agora Jenny podia andar com Serena na
escola e comear a falar com ela, embora Serena fosse tipo a aluna do terceiro ano mais cool
de Nova York e Jenny fosse s uma aluna inferior da stima srie. Mas se Serena descobrisse
como Dan estava to ridiculamente apaixonado, fugiria correndo. E se Serena ficasse to
enjoada de Dan que nunca mais quisesse falar com Jenny? Dan ia estragar tudo.
Jenny avanou em seu caminho pelo parque, sem se importar com a direo que estava
tomando. Chegou a beira da Sheep Meadow e parou na grama.
A alguns metros de distncia, um grupo de garotos jogava futebol. Jenny no conseguia tirar
os olhos deles - de um deles, em particular. Seus cabelos brilhavam na luz dourada do sol
enquanto ele driblava, passando gil pelos amigos e chutando para a marca do gol que os
meninos fizeram com os suteres e as mochilas. A pele dele era bronzeada e os msculos
dos braos nus fizeram Jenny querer se abraar.
De repente a bola de futebol veio voando. Desceu e quicou aos ps de Jenny.
Ela o encarou, o calor se alastrando pelo rosto.
- A, chuta pra c! - gritou um dos meninos. Jenny olhou para cima. Era o garoto dourado,
parado a uns nove metros de distncia, as mos nos quadris, os olhos verdes brilhando. As
bochechas dele estavam rosadas e a testa molhada de suor. Jenny queria prov-lo. Ela
nunca viu um cara to bonito e nunca sentiu o que estava sentindo ao olhar para ele.
Afastando os olhos, ela se concentrou na bola, mordendo o lbio em concentrao enquanto
levava o p para trs. Depois ela chutou a bola com a maior fora que pde.
Em vez de voar como um foguete para o trecho de gramado onde os meninos estavam
jogando, a bola subiu direto no ar acima de sua cabea. Jenny colocou a mo na boca, numa
mortificao completa.
-  minha! - gritou o garoto dourado, correndo em direo a ela. A bola caiu do cu e ele a
cabeceou de volta para os amigos, os msculos do pescoo flexionando-se como que por
mgica. Ele parou e se virou para Jenny.
- Obrigado. - Ele arfou. Estava to perto que Jenny podia sentir o cheiro dele. Ele ofereceu a
mo. - Meu nome  Nate.
Jenny olhou a mo dele por um segundo, depois estendeu a mo e a pegou.
- Jennifer - disse ela. Jennifer parecia muito mais velha e mais sofisticada que Jenny. De
agora em diante, prometeu a si mesma, ela se chamaria Jennifer.
- Quer jogar com a gente um pouco? - perguntou Nate enquanto trocavam um aperto de
mo. Jennifer tinha aquele rostinho doce, e se esforou tanto para chutar a bola, bem, ele
no conseguiu resistir.
- Hmmm... - fez Jenny, deliberando. Enquanto pensava, Nate percebeu os peitos de Jenny.
Cara, eram mesmo enormes. Ele no podia deixar que ela fosse embora, no sem que os
outros caras tivessem a oportunidade de ver isso.
Meninos: so todos iguais.
- Vamos l. Somos todos legais. Eu prometo.
Jenny olhou os outros trs meninos, certificando-se de que Chuck Bass no estava entre
eles. Ela havia bebido um pouco mais de champanha em uma festona algumas semanas
antes e deixou que um cara chamado Chuck Bass a levasse danando at o banheiro das
mulheres. S o que ele fez foi beij-la, mas teria feito muito mais se Serena e Dan no
tivessem aparecido para resgat-la. Chuck nem se incomodou em perguntar o nome de
Jenny. Que babaca.
Mas Chuck Bass no estava ali.
Jenny deu de ombros.
- T legal- concordou ela. Nem conseguia acreditar que isso estava acontecendo. Tinha
ouvido falar de Nate das festas e da fofoca da escola, e tinha certeza de que era o mesmo
Nate. Ele era o cara mais bonito do Upper East Side e tinha pedido a ela para ficar com eles!
Era como se ela tivesse atravessado o armrio e entrado num mundo de fantasia, deixando o
irmo imbecil e apaixonado e sua poesia idiota para trs.
Nate levou Jenny para os amigos, que tinham parado de jogar e estavam sentados na
grama, bebendo Gatorade azul.
- A, essa  a Jennifer- disse Nate, com um sorriso feliz no rosto. -Jennifer, esse  o Jeremy,
o Charlie e o Anthony.
Jenny sorriu para os meninos, que sorriram para o peito dela.
- Prazer em conhec-la, Jennifer. - Jeremy Scott Tomkinson estava encantado. Ele era
baixinho e magricela, e sua cala caqui tinha uns fiapos de grama presos. Mas tinha um
timo corte de cabelo, com costeletas compridas e mechas grossas, como uma estrela do
rock ingls.
- Venha. Junte-se a ns - instou Anthony Avuldsen em sua clssica voz chapada. Tinha o
cabelo louro-claro e o nariz pontilhado de adorveis sardas. Os msculos do brao eram
ainda maiores que os de Nate, mas Jenny preferia os de Nate.
- Estamos quase acendendo um - disse Charlie Dern, brandindo um cachimbinho. A cabea
era uma confuso de cabelos castanhos desgrenhados e ele era monumentalmente alto.
Sentado de pernas cruzadas, os joelhos ficavam praticamente na altura das orelhas. Em seu
colo estava um saquinho plstico cheio de bagulho.
- Voc no esquenta com isso, n,Jennifer?  perguntou Nate.
Jenny deu de ombros, tentando parecer indiferente, embora estivesse meio nervosa. Ela
nunca fumou maconha.
- Claro que no - disse ela.
Ela e Nate se sentaram na grama com os outros meninos.
Charlie acendeu o cachimbo, inalou profundamente e passou para Nate.
Jenny analisou o modo como Nate segurava o cachimbo.
Ela queria experimentar, mas no queria que eles soubessem que era a primeira vez que
fazia isso.
As bochechas de Nate estavam cheias de fumaa quando ele passou o cachimbo para Jenny.
Ela o pegou na mo esquerda e trouxe aos lbios, exatamente como ele fizera. Nate o
acendeu para ela, riscando o isqueiro algumas vezes antes de ele pegar. Depois ela inalou.
Podia sentir a fumaa enchendo os pulmes, mas no tinha certeza do que fazer com ela.
- Toma - disse Jenny, tentando desesperadamente segurar a fumaa. Ela passou o cachimbo
para Anthony.
- Belo trago - assinalou Charlie, assentindo para ela com aprovao.
Os olhos de Jenny lacrimejavam.
- Obrigada - rosnou ela, deixando um pouco de fumaa escapar pelos cantos da boca.
- Meu Deus, esse troo  forte. - Nate sacudiu a cabea dourada.
-  mesmo - disse Jenny em concordncia, finalmente soltando o resto da fumaa. Ela se
sentia extremamente calma.
O cachimbo voltou para ela e desta vez ela o acendeu sozinha, imitando a forma como os
meninos fizeram, enquanto tentava parecer a vontade. Novamente, segurou a fumaa pelo
mximo de tempo que pode sem tossir. Parecia que seus globos oculares iam explodir.
- Isso me lembra uma coisa. - Ela passou o cachimbo para Anthony mais uma vez.  No
consigo me lembrar o que , mas definitivamente lembra.
-  - concordou Jeremy.
- Me lembra o vero - disse Anthony.
- No, no  isso. -Jenny fechou os olhos. Seu pai a mandara a um acampamento de arte
hippie nas montanhas Adirondack no vero. Ela teve de escrever haikais sobre o ambiente,
cantar msicas de paz em espanhol e chins e tecer cobertores para os sem-teto. Todo o
lugar cheirava a mijo e manteiga de amendoim. - Meu vero foi um porre. O que estou
pensando  numa coisa boa, tipo o Dia das Bruxas quando a gente  criana.
- Definitivamente - concordou Nate. Ele se deitou na grama e olhou para as folhas
alaranjadas de outono agitando-se nas rvores acima de sua cabea.   exatamente como o
Dia das Bruxas.
Jenny se deitou bem ao lado dele. Normalmente no teria feito uma coisa dessas, porque,
quando se deitava, seus peitos vazavam para os lados das costelas e faziam um volume fora
de suas roupas de uma maneira deformada. Mas pela primeira vez ela no estava
preocupada com os peitos. Era legal s ficar deitada ali, ao lado de Nate, respirando o
mesmo ar que ele.
- Quando eu era pequena eu tapava os olhos e achava que ningum podia me ver se eu
tambm no via - disse ela, passando as mos sobre os olhos.
- Eu tambm. - Nate fechou os olhos. Ele se sentia completamente relaxado, como um
cachorro cochilando na frente da lareira depois de uma longa corrida. Esta garota, a Jennifer,
era genuinamente legal e to totalmente sem expectativas; ele se sentia timo com ela.
Se Blair soubesse com que facilidade isso o fazia feliz.
- Quando a gente  mais novo, tudo  to simples, n? - A lngua de Jenny parecia frouxa na
boca e ela no conseguia parar de falar. - Depois a gente fica mais velho e as coisas ficam
mais complicadas.
- Totalmente - disse Nate. - Tipo ir para a faculdade. De repente a gente tem de planejar o
que vai fazer pelo resto da vida e tentar impressionar as pessoas com nossa inteligncia e
nosso envolvimento. Quer dizer, os pais da gente tem oito aulas por dia, praticam esportes,
editam jornal e do aulas a crianas pobres, tipo assim tudo num dia s? No.
-  uma maluquice - concordou Jenny. Ela ainda ia sentir a presso de ter de ir a uma
faculdade, mas podia se solidarizar. - Quer dizer, s o que meu pai faz o dia todo  ler e
ouvir rdio. Como  que a gente tem de fazer tanta coisa?
- Sei l. - Nate suspirou, cansado. Estendeu o brao para a mo de Jenny e entrelaou os
dedos nos dela.
Jenny se sentia como se estivesse se fundindo com a grama.
O lado dela que estava perto de Nate estava quente e zunindo, e sua mo parecia que tinha
se fundido com a dele. Ela nunca se sentiu to maravilhosa em toda a vida.
- Ei, quer ir na minha casa e comer alguma coisa? - perguntou Nate, passando o polegar nos
ns dos dedos dela.
Jenny concordou. Ela sabia que no tinha de dizer nada. Nate podia ouvi-la.
Ela no conseguia acreditar como a vida mudava to rapidamente.
Como podia saber ao acordar pela manh que hoje seria o dia em que ia se apaixonar?




d est obcecado

Dan se sentiu meio pervertido no comeo, vendo o filme de Serena completamente sozinho
no apartamento de Ruby e Vanessa. Mas assim que pegou um copo de Coca na velha
geladeira marrom, ajeitou-se na beira da cama de futon desfeito de Ruby e apertou o play,
ele esqueceu tudo sobre constrangimento.
A cmera deu um zoom nos lbios brilhantes e vermelhos de Serena. "Bem-vindos ao meu
mundo", disse ela, rindo.
Depois os lbios comearam a andar. Ou, melhor, Serena estava andando. A cmera
continuou focalizada em seus lbios enquanto o fundo mudava. "Estou chamando um txi",
disse Serena. "Eu pego muito txi. Sai caro."
Um txi parou atrs dela e os lbios sentaram no banco traseiro. ''Vamos para o centro da
cidade agora. Para a Jeffrey.  uma loja tima. No sei o que estou procurando, mas com
certeza vou encontrar l."
A cmera continuava em seus lbios, que ficaram em silncio a viagem toda. Tocou msica.
Alguma coisa anos 60 e francesa. Serge Gainsbourg, talvez. Vislumbres de cenas das ruas de
Nova York eram visveis atravs da janela suja do txi.
Dan apertou o copo de Coca. Era uma provocao s ver os lbios de Serena. Ele achava que
ia desmaiar.
"Chegamos", disseram por fim os lbios de Serena. A cmera seguiu seus lbios saindo do
txi e passando pela grande porta envidraada de uma loja branca e brilhante. "Olha s
essas roupas incrveis", murmuraram os lbios. Eles ficaram meio separados enquanto
Serena pegava o contedo da loja. "Estou no paraso."
Dan procurou pelos cigarros no bolso da cala, as mos tremendo incontrolavelmente. Ele
fumou um e depois outro enquanto a cmera rondava pela loja com os lbios de Serena,
parando primeiro para beijar uma minscula bolsinha marrom com a imagem de um
cachorro e depois arrastar um par de arm-warmers angor com lantejoulas pela lente da
cmera.
Por fim os lbios descobriram um vestido de que no conseguiram se desgrudar.
" to perfeitamente vermelho", disseram seus lbios em reverncia. "Entrei numa de
vermelho ultimamente. T legal. Vou experimentar este."
Dan acendeu o terceiro cigarro.
A cmera seguiu os lbios de Serena para a sala de provas.
Ela se afastou enquanto Serena tirava a roupa. "Est gelado aqui", disse ela."Espero que no
seja pequeno demais. Odeio quando as coisas so pequenas demais." Seus cabelos, os
ombros nus, o pescoo e a orelha ficaram visveis pelo espelho por uma frao de segundo,
mas nada estava em foco. Era quase insuportvel de assistir.
E a...
"T, d!", disseram os lbios. A cmera deu uma panormica lenta, revelando Serena em
sua totalidade, usando um vestido vermelho lindo de alas. Seus ps estavam descalos e as
unhas dos ps pintadas de vermelho tambm. "No  maravilhoso?", disse ela, batendo
palmas e girando e girando, o vestido rodando na altura dos joelhos. A msica francesa
voltou e o filme escureceu.
Dan caiu de costas na cama. Sentia-se entorpecido. Ele queria estar com Serena agora mais
do que tudo. Aqueles lbios! Ele que ria beij-los sem parar.
Pegou o celular no bolso do casaco e pressionou os botes para procurar pelo numero dela,
teclando send quando o encontrou.
- Al? - Serena atendeu depois do primeiro toque.
-  o Dan - disse ele, a voz falhando. Ele mal conseguia respirar.
- Oi. Eu lamento muito mesmo no ter ido encontrar vocs. Vanessa deve estar totalmente
puta, n?
Dan fechou os olhos.
- Eu estava vendo seu filme. Ele pegou o controle remoto e rebobinou a fita.
Serena fez uma pausa. Que coisa constrangedora.
- Ah - disse ela.- O que achou?
Dan respirou fundo.
- Eu acho... - Ser que podia dizer? Podia? Tudo se resumia a trs palavras. Ele podia
pronunci-las bem agora e acabar com isso. Ele podia.
Mas no conseguiu.
- Eu amei... o filme - completou ele, acovardando-se com a ltima palavra.
-  mesmo?
- .
- Bem, o que a sua irm acha? Ela s o viu aos pedaos. Havia toneladas de filme, mas
Vanessa e eu finalmente o otimizamos para s o negcio dos lbios.
- Jenny no quis ver o filme sem voc. Eu estou sozinho aqui. Vanessa me deu a chave. 
Ele se sentia estranho admitindo isso, mas no queria mentir.
- Ah - fez Serena, lembrando-se do que o pai de Dan tinha dito sobre Dan escrever poesia
sobre ela. Serena no queria se sentir mal com isso, mas era difcil evitar.
- Estou louco para chegar o fim de semana. - Dan sentou-se. - Acha que devo tentar marcar
uma entrev...
- Legal - disse Serena, interrompendo-o.  A, a gente se v na sexta, t? Na Grand Central,
as trs.
- Tudo bem. - O que  isso? A conversa estava teminando?
- Tchau - disse Serena e desligou. Ela no queria se alongar no telefone e ter de ouvir Dan
dizer alguma coisa forte com a qual ela no ia conseguir lidar. As coisas j estavam muito
mais fortes do que ela pretendia.
Dan apertou play no controle remoto novamente, seu crebro ainda tonto do encantamento
que o filme tinha lanado. No ia doer assistir de novo, ia?
Hmmm... algum a sente o cheiro de obsession? E no estamos falando do perfume.



velejando de leve

- Nunca tinha entrado numa casa dessas antes  murmurou Jenny, parada na varanda da
casa de Nate. Tinha trs andares, os caixilhos das janelas pintados de verde cheios de
gernios e uma cascata de hera descendo do telhado. A porta tinha uma srie complicada de
alarmes e travas, e a cmera de segurana ficava ligada na frente e nos fundos da casa.
Nate deu de ombros enquanto entrava com o cdigo do sistema de alarme.
-  exatamente como morar num apartamento. S que tem escada.
- . Acho que . -Jenny no queria dar pinta de que estava verdadeiramente pasma.
Nate deu passagem a ela. O piso do hall de entrada era de mrmore vermelho. Um leo
gigante de pedra ficava num canto. Algum tinha colocado um chapu de pele em sua
cabea. Descendo a escada, uma enorme sala de estar num nvel abaixo. Havia quadros a
leo originais de artistas famosos em cada parede. Jenny chegou a pensar que reconheceu
alguns deles. Renoir. Sargent. Picasso.
- Meus pais curtem arte - disse Nate quando percebeu Jenny olhando. Depois ele percebeu
outra coisa. Um pacote na mesa de centro. O carto tinha seu nome. Nate foi at l e abriu o
envelope.
Impresso na face do carto estava BLAIR PAIGE WALDORF em caracteres Tiffany clssicos.
Dentro, dizia: Para Nate. Voc sabe que eu te amo. Blair.
- Que foi? - perguntou Jenny. -  seu aniversario ou coisa assim?
- No - disse Nate. Enfiou o carto de volta no envelope, pegou a caixa e a escondeu no
fundo do armrio de casacos.
Ele no estava sequer curioso sobre o contedo. Provavelmente era s um suter ou alguma
colnia. Blair sempre dava coisas a ele sem motivo nenhum, s para chamar ateno. Ela
podia ser bem exigente as vezes.  E a, o que voc quer comer? - perguntou ele a Jenny,
levando-a para o corredor e para a cozinha. - Nossa cozinheira faz brownies incrveis. Aposto
que ainda tem algum.
- Cozinheira?  ecoou Jenny, seguindo-o. -  claro que voc tem uma cozinheira.
Nate localizou uma lata de biscoitos em cima da enorme bancada de mrmore da cozinha e a
abriu. Tirou um brownie e colocou na boca.
- Minha me no  exatamente a melhor cozinheira do mundo. - A idia da me dele at
fazendo torrada era uma piada total. Ela era uma princesa francesa que vivia de
restaurantes ou jantares de buf. Mal entrava na cozinha.
- Experimenta um - disse Nate. Passou um brownie para Jenny.
- Obrigada. - Jenny pegou o brownie, embora pensasse que estava excitada demais para
comer. Ele ia derreter nas suas mos pegajosas.
- Vamos l pra cima - sugeriu Nate. - Por aqui  mais rpido.
Jenny perdeu o flego. Nunca tinha ficado sozinha com um garoto na casa dele antes e isso
era meio assustador. Mas queria confiar em Nate. Ele era to diferente daquele Chuck Bass
horroroso que tinha tirado vantagem dela na festa.
Chuck parecia perigoso e excitante no comeo, mas ele nem chegou a perguntar qual era o
nome de Jenny. Nate era educado. Parecia genuinamente interessado em conhec-la. E
Jenny estava genuinamente interessada em conhec-lo.
Nate levou Jenny por uma porta e subiu uma escada estreita.
Ela j havia lido bastante Jane Austen e Henry James para saber que aquela era a escada
dos empregados. No terceiro andar, Nate abriu a porta no alto da escada, dando para um
amplo corredor iluminado por uma clarabia de vidro. Eles passaram por um retrato a leo
de um menininho vestido de marinheiro e segurando um remo de madeira. Era Nate, Jenny
percebeu.
Nate abriu outra porta.
- Este aqui  o meu quarto.
Jenny o seguiu para dentro. Em vez de uma cama tren antiga e a mesa ultramoderna e
ultralegal com um laptop da espessura de um biscoito por cima, o quarto parecia muito
normal. A cama estava coberta com um edredom de flanela verde e branco; havia DVDs
espalhados no cho, halteres pendurados precariamente em um canto, sapatos cuspidos
para fora do armrio e psteres dos Beatles pendurados nas paredes.
-  legal. - Jenny sentou, nervosa, na beira da cama.
Ela percebeu um modelo de veleiro na mesinha-de-cabeceira.
- Voc veleja?
-  - disse Nate, pegando o modelo. - Eu e meu pai fazemos barcos. L no Maine.  Ele
passou o modelo para Jenny. - Este  o barco em que estamos trabalhando agora.  um
cruiser, e tem um casco mais pesado do que os barcos que construmos para competio.
Vamos velejar no Caribe primeiro. E depois talvez at na Europa.
- Srio? -Jenny examinou o modelo. Ela no conseguia imaginar velejar pelo Atlntico em
alguma coisa to pequena e delicada. - Tem banheiro nele?
Nate sorriu.
- Tem. Aqui. - Ele apontou o dedo mindinho para a cabine. Havia uma minscula porta oval
com os caracteres WC impressos. - T vendo?
Jenny assentiu, fascinada.
- Eu adoraria aprender a velejar.
Nate se sentou ao lado dela.
- Talvez voc possa ir ao Maine e a eu posso ensinar a voc - murmurou ele.
Jenny se virou para ele, seus grandes olhos castanhos procurando os olhos de esmeralda
dele.
- Eu s tenho 14 anos - disse ela.
Nate estendeu o brao e tocou seus cabelos castanhos crespos, penteando-os com a maior
delicadeza com os dedos.
Depois baixou a mo novamente.
- Eu sei. T tudo bem.




                               Gossipgirl.net
    ___________________________________________________________________

            temas / anterior / prxima / faa uma pergunta / respostas

advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados para
                         proteger os inocentes. Quer dizer, eu.


                                       oi, gente!

TODO MUNDO FAZ

At eu me sinto culpada de ter pegado um Kit Kat a mais na banca de jornais da esquina na
terceira srie. Fiz por provocao, mas ainda tenho pesadelos de culpa por isso. Vocs no
me vem pegando bolsas da Prada nem calcinhas da Armani. Mas algumas garotas no
conseguem se controlar.
Winona Ryder foi pega roubando umas roupas bacanas em uma roja de Los Angeles.
Argumentou que estava pesquisando para um papel que ia interpretar. Ento t... E agora B.
E ela  bastante boa para no ser pega.
 claro que o que elas roubam  totalmente essencial. No seria de muita classe para elas
roubarem, digamos assim, cola para canos da Ace Hardware ou papel higinico da CVS.
Mas uma cala de pijama de cashmere? Isso  essencialmente de alta classe. Tambm 
essencialmente psictico. Da prxima vez, B vai roubar um Jaguar ou uma Mercedes-Benzl


Flagra

B deixando um presente embrulhado na casa de N. N no estava l, ento ela o deixou com
a empregada. D saindo do apartamento de V no Brooklyn e indo a p todo o caminho para
casa, no Upper West Side. Agora, gente,  uma caminhada e tanto. Aposto que ele precisava
esfriar. S roendo as unhas e lendo Entre quatro paredes na The Corner Bookstore na 93 com
a Madison. Tentando entender D um pouco melhor, talvez. A pequena J saindo da casa de N
com um sorriso grudado na cara. O amor  lindo. Ateno, J - os mauricinides no so a
raa mais confivel para a gente se apaixonar.

Para os que no sabem... Mauricinide: substantivo. A verso de elite do inutilide, ou
chapado. Usa suteres de cashmere. Gosta de fumar maconha - e muita. No gosta de se
comprometer. Mas talvez N possa nos surpreender.


Seu e-mail

P: Cara GG,
O que voc acha de garotos mais velhos namorando meninas mais novas?
- Sneaky

R: Caro Sneaky,
Definitivamente depende da diferena de idade e das circunstncias.
Por exemplo, se voc estivesse se formando na faculdade e namorasse uma garota do
segundo ano, eu diria que voc tem um probleminha meio Woody Allen-Soon Vi. Se voc
est no ltimo ano e namora uma caloura de faculdade, tudo bem. Um formando do
secundrio namorando uma caloura do secundrio  forao. Parece funcionar melhor
quando a menina  a mais nova, principalmente porque a gente amadurece mais rpido 
em todos os sentidos.


P: Cara Gossip Girl,
Tenho certeza absoluta de que vi B roubando um frasco de xampu Aveda na Zitomer. Quer
dizer, no  que ela no tenha dinheiro. Se ela tem algum amigo de verdade, ele devia dar
uma ajuda a ela.
- Espi

R: Cara Espi,
Obrigada pela dica. A verdade  que no acho que roubar em loja seja o maior problema de
B agora. J viu o cara que vai ser o meio-irmo dela?
- GG


O PRMIO DO FESTIVAL DE CINEMA DA CONSTANCE BILLARD SCHOOL

V, B e S entraram nessa. V com seu filminho de Guerra e paz; B com uma refilmagem dos
dez primeiros minutos de Bonequinha de luxo; e S com aquela... coisa. A competio est
acirrada. V e B acham que j levaram. S acha que no tem nenhuma chance. Estou
recolhendo as apostas!


                                   Pra voc que me ama,

                                 Gossip Girl
__________________________________________________________________________




b e v ansiosas para se formar

- Onde vai ser?
- Quantas pessoas ela est convidando?
- Quantas damas de honra?
- O que voc vai usar?
- Quantas camadas vai ter o bolo?
- Seu pai foi convidado?
Blair prendeu a respirao. Era a hora do almoo e ela esperava na fila com Kati e Isabel no
refeitrio da Constance Billard School. Blair nem estava mais com fome. Kati tinha comeado
toda aquela inquisio irritante quando disse que tinha visto um vestido de noiva realmente
de classe em uma edio da vogue da dcada de 1960 que ela encontrara em um sebo. O
vestido tinha margaridinhas de cristal em todo ele, remates de veludo branco e um enorme
arco de veludo preto nas Costas. Depois Isabel tinha perguntado a Blair se a me dela ia
usar um vestido de noiva tradicional ou alguma coisa diferente. Agora Blair estava cercada
de ansiosas meninas da Constance com olhos reluzentes, todas disparando perguntas sobre
o casamento da me. Para seu desagrado, as colegas do terceiro ano no eram as nicas
que pensavam que tinham o direito de saber todos os detalhes chatos. Becky Dormand e seu
grupo de irritantes seguidoras do primeiro ano estavam praticamente puxando o suter de
cashmere preto de Blair, babando por qualquer migalha sobre o casamento. At algumas
alunas da oitava srie zanzavam por perto, esperando ouvir o bastante para contar as
amigas.
- No  realmente grande coisa - disse Blair, com impacincia. - Ela j se casou antes, vocs
sabem disso.
- Quem so as damas de honra? - perguntou Becky Dormand.
- Eu, Kati, Isabel... - Blair deslizou a bandeja do almoo pelo balco do refeitrio e pegou um
iogurte de caf - Serena e minhas tias - acrescentou ela rapidamente.
Brownies com cobertura de chocolate em pratinhos brancos estavam tentadoramente em
uma prateleira na altura dos olhos. Ela pegou um, examinou-o em busca de defeitos e o
colocou na bandeja. Mesmo que decidisse com-lo, sempre podia vomitar depois.
No era grande coisa, mas pelo menos Blair tinha esse controle sobre sua vida.
- Serena? - repetiu Becky, olhando para suas tietes chocada de surpresa. -  mesmo?
-  - rebateu Blair.   mesmo.
Se no fosse chefe do conselho de servios sociais, diretora do grupo de francs e presidente
de todas as funes sociais do primeiro ano dignas de nota na Constance, Blair teria dito a
ela para se foder. Mas Blair era um exemplo de garota: tinha uma reputao a zelar.
Ela atirou umas folhas de espinafre em um prato e colocou um pouco de queijo bleu em cima
delas. Depois pegou a bandeja e foi para o refeitrio. As alunas da primeira a oitava srie j
estavam comendo, ento a sala estava cheia de meninas uniformizadas fofocando e pegando
sua comida.
- Ouvi dizer que a Blair vai fazer uma lipo antes do casamento s para ter certeza de
aparecer bem na Vogue  denunciou uma menina do primeiro ano.
- Eu achei que ela j tivesse feito - brincou outra garota. - No  por isso que ela sempre usa
meia-cala preta? Para esconder as cicatrizes?
- Eu soube que o Nate est traindo ela, mas a Blair s vai romper com ele depois que tirarem
retratos juntos no casamento - disse Becky Dormand, unindo-se a elas.  No  tpico dela?
Serena van der Woodsen estava sentada sozinha, lendo um livro, na mesa que Blair em
geral usava. Ela havia puxado o cabelo para cima num coque e estava usando um suter
preto com gola em V sem nada por baixo. As pernas estavam cruzadas e o uniforme marrom
e curto dela realmente parecia fashion. Ela parecia uma modelo da Burberry ou da Miu Miu.
Na verdade, ela estava melhor do que uma modelo, porque ela no tentava parecer bonita:
ela simplesmente era bonita.
Blair deu meia-volta e foi para uma mesa perto das janelas. S porque sua me tinha
convidado Serena para ser dama de honra no queria dizer que tinha de falar com ela.
Quando eram mais novas, Blair e Serena tomavam banho juntas. Dormiam juntas todo fim
de semana, durante os quais praticavam beijos em travesseiros, passavam trotes para o
professor de biologia da stima srie, que era um nerd, e ficavam acordadas a noite toda as
risadinhas. Serena estava perto de Blair quando ela ficou menstruada pela primeira vez no
fim da sexta srie e ficou apavorada com os absorventes. Elas tomaram o primeiro porre da
vida juntas. E as duas amaram Nate como a um irmo. Pelo menos no comeo.
Mas Serena tinha ido para o internato dois anos atrs e passara todas as frias bordejando
na Europa, mandando para Blair s um postal ou outro. Foi especialmente doloroso quando o
pai de Blair anunciou que era gay e sua me entrou com o processo de divrcio. Blair no
teve ningum a quem recorrer.
Havia tambm o probleminha de que Serena e Nate tinham dormido juntos, enquanto Blair e
Nate no.
E ento, quando Serena voltou a cidade, Blair decidiu se vingar ignorando-a e exigindo que
todas as amigas ignorassem Serena tambm. Tinha transformado Serena em uma leprosa
social.
Blair se sentou e comeou a remexer com raiva a salada.
Depois que saiu da Barneys no dia anterior, ela se sentou em um banco do parque por um
tempinho, esperando que Serena sasse da rea. Quando finalmente voltou para casa, sua
me a informou de que tinha acabado de encerrar sua conta no banco e aberto uma nova
conta conjunta com Cyrus. O novo carto de crdito de Blair chegaria em um ou dois dias.
Isso explicava por que seu carto de crdito no fora aceito. Obrigada por me informar, me.
Ela havia encontrado uma caixa bacana no armrio para colocar a cala de pijama. Fez um
embrulho para presente com papel prateado e o amarrou com uma fita preta, e depois foi
para a casa de Nate. Mas Nate no ligou ontem a noite para agradecer a ela. Qual era o
problema dele afinal?
Kati e Isabel se sentaram na frente de Blair.
- Por que voc no diz a sua me que voc no quer que a Serena seja dama de honra? -
raciocinou Isabel. Prendeu o cabelo grosso e castanho em um n no alto da cabea e tomou
um gole de leite desnatado. - Tenho certeza de que ela vai dar ateno.
- S diz a sua me que voc e Serena no so mais amigas - acrescentou Kati. Ela pegou um
fio de cabelo crespo e louro do cho. Seu cabelo sempre caa em tudo.
Blair deu uma olhada em Serena. Ela sabia que sua me j havia falado com a me de
Serena e que Serena j sabia que seria dama de honra. Embora fosse tentador, ela no
podia pedir a me para desconvidar Serena. Seria deselegante. E Blair no queria se arriscar
a dar a Serena qualquer motivo para se queixar, para o caso de Serena ter visto Blair pegar
aquela cala de pijama na Barneys. Serena podia sujar seu nome em todo o Upper East Side.
- Tarde demais - disse Blair e deu de ombros.  Isso na verdade no me aborrece. Ela s vai
andar na igreja com a gente usando o mesmo vestido. No  que a gente tenha de andar de
mos dadas com ela.
Isso no era exatamente verdade. Sua me estava planejando algum tipo de almoo e um
dia de salo de beleza para todas as damas de honra, mas Blair fingia que isso no estava
acontecendo.
- E a, como  que so os vestidos? J pegou o seu e sua me j escolheu o dela? -
perguntou Kati, dando uma dentada no brownie. - Por favor, no me diga que vamos usar
alguma coisa apertada. Eu prometi a mim mesma que perderia cinco quilos at o Natal, mas
olha s como estou comendo este brownie idiota!
Blair revirou os olhos e mexeu o iogurte.
- Quem liga para o que vamos usar?
Isabel e Kati a encararam. Nenhuma das duas conseguia acreditar que Blair tinha dito isso. 
claro que era importante.
Quando uma garota como a Blair diz uma coisa dessas, voc sabe que est rolando alguma
coisa.
Blair deu uma colherada no iogurte, ignorando-as. O que havia de errado com todo mundo?
Ser que no podiam calar a boca sobre o casamento e deix-la em paz?
- Eu no estou com muita fome. - Ela levantou-se de repente. - Acho que vou mandar uns e-
mails, ou coisa assim.
Kati apontou para o brownie intocado na bandeja de Blair.
- No vai comer esse aqui? - perguntou ela.
Blair sacudiu a cabea.
Kati pegou o brownie e o colocou na bandeja de Isabel.
- A gente pode dividir - disse ela.
Isabel fez uma carranca e colocou o brownie na bandeja de Kati.
- Se voc quer comer, coma - insistiu ela.
Blair pegou sua bandeja e se afastou correndo. Mal podia esperar pela merda da formatura.

Jenny viu Serena no momento em que entrou no refeitrio com a xcara de ch e a banana.
Ela estava sentada sozinha, lendo alguma coisa. Jenny se apressou at l.
- Tudo bem se eu sentar aqui com voc?  perguntou ela.
- Claro - disse Serena, fechando o livro. Os sofrimentos do jovem Werther, de Goethe. Jenny
nunca ouvira falar dele.
Serena a viu olhando para o livro.
- Seu irmo me recomendou. Sinceramente, no sei como ele pode ler esta merda.  uma
chatura tremenda. - Na verdade, Dan no havia recomendado o livro a ela, mas mencionou
que o estava lendo. Era sobre um cara totalmente obcecado por uma garota. S pensava
nela e era s o que conseguia escrever. Era meio apavorante.
Jenny riu.
- Devia ver os poemas que ele escreve.
Serena franziu o cenho. Ela queria poder ver algum poema que Dan tenha escrito, uma vez
que supostamente alguns eram sobre ela.
Ela fechou o livro.
- Promete que no vai contar nada se eu no conseguir terminar este?
- No vou contar nada - prometeu Jenny. - Desde que voc prometa que no vai dizer a ele
que eu disse que a poesia dele  um saco.
- Eu prometo - disse Serena.
Jenny deu uma espiada embaixo da mesa. Como sempre, Serena estava usando a saia de
polister marrom pregueada, o uniforme no-oficial reservado as mans da quinta srie. S
que ela ficava maravilhosa nele. Ela sempre estava maravilhosa.
- Sabe de uma coisa, voc  tipo a nica garota do terceiro ano que usa o uniforme marrom
- assinalou Jenny.
Serena deu de ombros.
- Eu acho bacana. Azul-marinho  um saco, e usar cinza faz a gente nunca mais querer ver
cinza na vida de novo, e eu gosto de cinza.
Jenny usava o uniforme cinza.
- Acho que voc tem razo. Eu tenho uma cala cinza que nunca uso. Vai ver  por isso. -
Jenny pigarreou. O que ela que ria falar realmente com Serena era sobre Nate.
- Ei, desculpe ter estragado tudo ontem - disse Serena. - Eu me esqueci completamente que
tinha de me encontrar com voc e a Vanessa.
- Tudo bem. - Jenny comeou a falar. - No fim das contas, eu tive uma maravilhosa...
- E a, cara - cumprimentou Vanessa Abrams, andando para a mesa das duas. Estava usando
meia-cala preta, o que era timo para esconder os joelhos grossos. - O que  que ta
rolando?
- Oi. Desculpe por ontem - disse Serena.
Vanessa deu de ombros.
- T tudo bem. Eu meio que fiquei enjoada de ver aqueles filmes o tempo todo. -
Especialmente o seu, pensou ela com amargura.  foda, de to bom.
Serena assentiu.
- Pega uma cadeira a.
Jenny olhou para Vanessa. Ela queria Serena s para ela.
- Desculpe, mas no posso - retrucou Vanessa. - Hmmm, Jenny, a gente realmente tem de
revelar os filmes da edio da Rancor deste ms. Tem tipo uns vinte rolos, e a sala escura
est totalmente livre agora. Ser que pode me ajudar?
Jenny olhou para Serena, que deu de ombros e se levantou.
- Tenho de ir mesmo. - Tenho uma reunio da faculdade com a srta. Glos. Que divertido.
- J tive a minha - tornou Vanessa. - Cuidado que ela est tendo outra hemorragia nasal.
A srta. Glos tinha a pele amarelada e freqentes hemorragias nasais. Todas as meninas
estavam convencidas de que tinha uma doena contagiosa horrorosa. Se ela te entregasse
um folheto ou um catlogo de faculdade, voc tinha de usar luvas quando fosse ler. Ou isso
ou lavar as mos com gua muito quente depois.
- Que timo. - Serena deu uma risadinha. - T legal, a gente se v depois.
Vanessa se sentou e esperou que Jenny terminasse de comer a banana.
Jenny deu a ltima mordida e embrulhou a casca num guardanapo de papel.
- Vamos? - insistiu Vanessa.
Jenny deu de ombros.
- Na verdade eu no posso. Tenho de imprimir um trabalho de histria para a prxima aula.
Desculpe - disse ela, levantando-se.
Vanessa fez uma careta.
- T legal. Mas eu preciso saber quando  que voc vai estar livre. Eu realmente preciso de
ajuda.
- Tudo bem. - Jenny ficou animada. - Vou te dizer. Ah, e ser que pode me chamar de
Jennifer, em vez de Jenny, de agora em diante? Eu prefiro assim.
Vanessa a encarou.
- Tudo bem. Jennifer.
- Obrigada. - disse Jenny e correu para a sala de computao. Talvez Nate tenha mandado
um e-mail para ela!
Vanessa olhou Jenny sair, perguntando-se como ela se transformara naquela piranhazinha.
Ela achava que sair com Jenny a deixaria mais prxima de Dan, mas isso s dava chateao.
Jenny era como todas as outras meninas da Constance - oca e presunosa.
Vanessa tambm mal podia esperar para se formar.



amor omnia vincit


Mensagem Instantnea

De: Bwaldorf@constancebillard
Para: Narchibald@St.Judes.edu
Bwaldorf: oi, natie.

Bwaldorf: estou pirando aqui. todo mundo quer falar do casamento, como se eu ligasse pra
isso.

Bwaldorf: nate? sei que vc t online. Vai encontrar comigo depois do clube de francs hoje
ou o qu?

Bwaldorf: recebeu o presente que eu deixei pra vc ontem?

Bwaldorf: oooooiiiii!!!

Bwaldorf: valeu.


Mensagem Instntanea

De: Narchibald@St.Judes.edu
Para: Jhumphrey@constancebillard.edu

Jhumphrey: oi.

Narchibald: encontra comigo no parque depois da escola?

Jhumphrey: hmmm, t legal. o que a gente vai fazer?

Narchibald: no sei. O que vc quer fazer?

Jhumphrey: sei l. seus amigos vo l?

Narchibald: no, s eu. ainda quer ir?

Jhumphrey: claro. posso encontrar vc na porta da sua escola, se vc quiser.

Narchibald: s me encontra na frente do Met.

Jhumphrey: t legal, te vejo l.


Jenny fez log-off, sentindo-se mais cool do que nunca.
Ainda estava na stima srie, mas seu nome era Jennifer e depois da escola ia encontrar
Nate, o garoto mais gostoso da cidade. Ela ia ter de deixar a Vanessa na mo com a Rancor,
mas valia totalmente a pena. Se ela fosse Dan, ia escrever um poema apaixonado sobre
como Nate era lindo e como o destino podia dar voltas,juntando duas pessoas que no
tinham nada em comum. Sobre como isso terminaria em tragdia. Mas Jenny era mais para
otimista. Ela se satisfazia escrevendo Sra. Jennifer Archibald em sua melhor caligrafia nas
costas do mouse pad cinza que estava usando.
No ria.  isso que as meninas da stima srie fazem quando esto apaixonadas

Do outro lado da cidade, na Riverside Prep, o irmo de Jenny, Dan, estava naquele exato
momento mandando um e-mail para Serena com seu ltimo poema de amor, intitulado "A
ltima vez em que eu morri".

Sua corda se acomodou em meu pescoo, eu saltei.
Seus lbios me beijaram enquanto eu caa, e ainda caio

- Vamos l, anormal - gritou o amigo Zeke Freedman da porta do laboratrio de
computao. - A gente vai se atrasar para a aula de latim.
Amo ergo sum, pensou Dan. Amo, logo existo.
- Estou ocupado! - Ele digitou o endereo do e-mail de Serena na Constance.
- Bem, no quero ficar de castigo - disse Zeke, saindo. - Quer jogar basquete no parque
mais tarde?
- Legal - respondeu Dan, distrado. -Te vejo l.  Ele comeou a preparar um e-mail curto
para mandar com o anexo.

Querida Serena,
Este fim de semana ser sensacional. Tenho uma entrevista marcada para sbado e meu pai
me deu uma grana. Mal posso esperar.
Anexei um poema aqui. S uma coisinha que escrevi hoje de manha. Espero que voc goste.
Estarei na quadra de basquete perto do Meadow, se voc quiser sair depois da aula.
Beijos
Dan


Amor omnia vincit! O amor conquista tudo.



d chegado num assdio

Jenny ficou na frente da escadaria do Met, tentando no prestar ateno no cara que estava
deitado na escada atrs dela. As calas dele estavam arriadas e Jenny tinha certeza de que
seu pnis estava se sobressaindo.
A gente se acostuma a ver esse tipo de coisa quando mora na cidade, mas ainda  uma
indecncia e tanto.
Ela realmente queria sair, mas Nate tinha dito a ela para esperar ali e Jenny no queria se
arriscar a se desencontrar dele.
- Cai fora! - gritou o homem do pnis a um turista.
Um vendedor de cachorro-quente na calada perto estava falando ao celular. Jenny chegou
mais perto para poder ouvir, na esperana de que ele estivesse chamando a polcia. Mas
parecia que ele estava conversando com a me ou algo assim, porque s o que ele dizia era
"Legal", repetidamente.
Algum tocou o ombro de Jenny.
- Oi, Jennifer.
Jenny se virou.
- Oi - disse ela, sorrindo para Nate. As mos dela se ergueram meio inibidas para o rosto,
empurrando os cabelos crespos para trs das orelhas. - Ainda bem que voc chegou. Esse
cara est me assustando.
Ele colocou o brao em torno dela.
- Vem, vamos sair daqui.
Ao toque dele, todo o sangue fluiu para a cabea de Jenny.
- T legal- gaguejou ela, inclinando-se para o brao de Nate. - Vamos.
Nate continuou com o brao em volta dela enquanto iam para o parque, serpenteando para o
Sheep Meadow. Encontraram um lugar legal na grama e se sentaram de frente um para o
outro, as pernas cruzadas, os joelhos se tocando. Parecia to bom que Jenny tinha
dificuldade em acreditar que no estava sonhando. De todas as garotas da cidade, Nate
gostava dela. Era inacreditvel.
- Espero que voc no se importe, meus amigos vem se encontrar com a gente aqui daqui a
pouco. - Nate puxou um saquinho de maconha do bolso.
Jenny deu de ombros.
- Eu no me importo - retrucou ela, embora estivesse um pouquinho decepcionada.
Cuidadosamente, ela viu Nate puxar uns tufos de erva seca do saco e espalh-los em um
papel.
Depois ele enrolou com habilidade um baseado fininho e lambeu o papel para colar.
Ele ofereceu a Jenny, que sacudiu a cabea.
- Eu t legal. - Ela sabia que isso parecia idiota, mas j estava se sentindo meio tonta,
sentada to perto de Nate. No queria perder a cabea completamente.
- Tudo bem. - Ele colocou o baseado no saquinho e o enfiou novamente no bolso do casaco.
Jenny deu um suspiro de alvio. Ela queria saber quando Nate era s Nate, e no quando ele
estava totalmente chapado.
- E a, vai visitar faculdades e essas coisas no fim de semana? - perguntou Jenny. - Para
decidir para onde quer ir?
- Vou - respondeu Nate, franzindo o cenho.  Mas estou pensando em tirar talvez um ano ou
dois. Ir velejar com meu pai. Eu podia at tentar entrar em uma equipe para a America's
Cup.
- Uau - disse Jenny, impressionada. - Parece sensacional.
- Talvez eu fique uns trs anos fora, e a gente podia ir para a faculdade juntos. - Nate pegou
a mo dela. Os dedos de Jenny eram os menores do mundo.
Jenny pegou o olhar de Nate e eles sorriram um para o outro por um momento.
Ele deixou a cabea tombar para a frente e apoiou-a no ombro dela. Ela cheirava a roupa
lavada.
- Hmmmm - murmurou ele, sem conseguir entender como se sentia a vontade com ela. Em
geral, tinha de apertar um ou tomar uns drinques antes de se encontrar com Blair, s para
lidar com o planejamento e o falatrio constante dela sobre o futuro. Mas com Jennifer ele
no precisava ficar chapado.
Ai, meu Deus, pensou Jenny. Ele est quase me beijando.
Ela fechou os olhos. Todo o seu corpo parecia formigar.
A cabea de Nate estava quente e ele cheirava a agulhas de pinheiro.
- Jennifer - murmurou Nate. Ele levantou a cabea e sacudiu os cabelos dourados. - Isso 
muito legal.  Seus olhos vagaram pelo rosto dela, parando final mente nos lbios.
Jenny deu uma risadinha. Definitivamente ele ia beij-la.
- Ei, Archibald!- gritou algum. - Guarda um pouquinho pra gente!
Que timing terrvel.
Jenny e Nate se viraram e viram Anthony, Jeremy e Charlie saltando pela grama. Jeremy
estava trazendo uma bola de futebol.
Nate se levantou rapidamente, dando as costas para Jenny.
- Oi - acenou ele para os amigos casualmente.  Vocs conseguiram.
- Oi, gente - disse Jenny, levantando-se e tirando os pedacinhos de grama do uniforme da
escola. Ela queria que eles no tivessem vindo.
- E a, vai apertar um dos grandes para a gente ou no? - perguntou Anthony, apontando
com a cabea para o saco plstico pendurado do bolso de Nate.
Nate sacudiu a cabea.
- Eu j estou to chapado quanto uma fatia de po, cara - mentiu ele e tirou o saco do bolso.
Atirou-o para Anthony.
- J tem um apertado a.
- Valeu! - Anthony se atirou na grama e partiu para o trabalho. - Cara, eu t precisando
disso. - O anormal do conselheiro universitrio me alugou por uma hora.
- Nem me fale  concordou Jenny.
Jenny roeu as unhas, sentindo-se meio deslocada. Olhou para Nate, mas ele tinha pegado a
bola de futebol das mos de Jeremy e estava ocupado, com ela entre os ps.
- Isso no  nada. Meu pai me enche o saco com a faculdade desde a sexta srie  reclamou
Charlie. - Ele j falou com um reitor da faculdade de administrao de Yale, tipo assim, para
ele se preparar para quando eu aparecer por l. E tipo assim, a, pai, pega leve!
- E a, a gente ainda vai na Brown no fim de semana, n? - disse Jeremy.
A Brown. Jenny prestou ateno. Era para l que iam Serena e Dan neste fim de semana.
- Definitivamente - disse Nate.
Ele passou a bola a Jenny, que a chutou delicadamente de volta, sorrindo, para ele saber
que ela realmente no se importava que os amigos dele tivessem aparecido, ou que eles
estivessem falando de faculdade enquanto ela s era uma aluna da stima srie. Jenny
gostava de saber que Nate no estava realmente chapado como uma fatia de po, e que ele
lhe tinha dito que estava pensando em dar um tempo antes de ir para a faculdade. Ela j
sabia mais dele do que os melhores amigos dele!
- Vamo l - instou Nate. - Vamos jogar.
Ela s que ria que Nate a tivesse beijado e que ele no parasse quando os amigos
apareceram.


Dan se sentou no banco para esperar por Zeke e Serena.
Bem, Zeke definitivamente viria. E, se Serena aparecesse, Dan diria a Zeke para dar o fora
dali e deix-los sozinhos.
 para isso que servem os amigos.
Dan puxou urn Camel do bolso e o colocou na boca. Suas mos tremiam, em parte porque
ele tinha bebido seis xcaras de caf desde o almoo e em parte porque estava nervoso com
a perspectiva de ver Serena de novo, especialmente se ela leu o poema dele. Dan tirou o
caderno do bolso e olhou os ltimos versos do poema sem ver. A qualquer minuto Serena ia
aparecer correndo e atirar os braos em volta do pescoo dele, beijando-o sem flego e
chorando porque tinha sido insensvel demais por no ter aparecido no sbado, e dizendo a
ele repetidamente que tinha amado o poema. Que ela o amava.
Ou no.
Dan deu um trago rpido demais e quase ps os bofes para fora. Depois acendeu outro
cigarro com o que j estava fumando. Ele ia fumar como um louco ate ela aparecer. Podia
estar morto quando ela chegasse, mas pelo menos estariam juntos.
Soprando a fumaa, ele olhou para o gramado. Uma baixinha com peitos enormes e cabelos
castanhos crespos estava jogando futebol com quatro caras que ele reconheceu vagamente.
Era sua irm, Jenny. Desde quando ela ia ao parque com aqueles babacas chatos e
caretinhas do Upper East Side?
E era aquele cara, Chuck O Pervertido, com eles? Sentindo-se protetor, Dan comeou a se
levantar, mas se obrigou a se sentar novamente. Jenny parecia estar se divertindo, e ele
podia ver que Chuck no estava ali. Se ele quisesse ser um irmo mais velho imbecil, podia
ir em frente e estragar tudo, ou podia s ficar sentado ali e deixar que Jenny se divertisse.
Ele ainda podia observar de onde estava. E, alm disso,Jenny precisava conhecer gente
nova, especialmente agora, que ele estava vendo Serena e tinha menos tempo para ela.
Bem, meio que vendo Serena. Se ela aparecesse.


- Ei,  melhor eu ir para casa - disse Jenny, passando a bola para Nate.
- Tudo bem, a gente se fala mais tarde. - Ele colocou a mo por trs da cabea de Jenny e
deu-lhe um beijo no rosto.
Jenny quase desabou.
- Tchau - guinchou ela, acenando para os outros trs garotos. Depois se virou e andou
rapidamente para o Central Park West, antes que mijasse nas calas. Ela mal podia esperar
para ver Nate de novo. A ss.
- Cara, o que a Blair acha da sua nova namoradinha? - perguntou Anthony depois que Jenny
saiu. Ele acendeu outro baseado, tirou um trago e passou para Jeremy.
- Ela no  minha namorada, cara.  s uma garota legal com quem eu topei. - Nate deu de
ombros. - Eu gosto dela.
- Eu tambm gosto dela. - Jeremy passou o baseado para Nate. - Mas a Blair no vai ficar
satisfeita se souber que voc est saindo com uma garota da stima srie em vez de com
ela. Vai?
Nate pegou o baseado e deu um trago.
- Ela no precisa saber - grunhiu ele, segurando a fumaa. Depois ele exalou. - Cara, no 
que eu esteja trocando a Blair pela Jennifer. No  isso tudo.
- No  isso tudo - concordou Charlie, pegando o baseado.
Nate olhou a brasa queimar na ponta do cigarro. Ele sabia que o que tinha dito no era
verdade. Era isso tudo. Ele s no tinha certeza de como lidar com isso.
Um cara tem de ter muito cuidado quando uma garota como a Blair estava envolvida. Ele viu
o que ela podia fazer, e no foi nada bonito.


- Desculpa, eu me atrasei, man - disse Zeke, quicando uma bola de basquete na cabea de
Dan. - Vamo l, vamos jogar.
Dan olhou para cima, por sobre seu caderno. Tinha comeado outro poema intitulado "Ps
Quebrados".

Madeira que se estilhaa, pneus carecas, vidro quebrado.
O destino brande seu machado injusto. Colapso.

Era sobre querer estar em outro lugar com algum e no conseguir. Serena obviamente
presa num lugar em que no queria estar, ansiando por Dan, desejando estar com ele.
Talvez ela estivesse em um metr qualquer, presa entre as estaes. E ele estava preso no
parque com Zeke.
- Oi - disse Dan, enfiando o bloco na bolsa e se levantando.
- Obrigado por aparecer.
- Vai se foder. Eu tinha aula particular de matemtica, voc sabe disso. - Zeke gingou com a
bola.
Eles foram para a quadra de basquete.
- , bem, voc devia se esforar mais na matemtica. E a no ia precisar de um professor
particular.
- E voc devia se foder, porque  um imbecil - instigou Zeke.
- O que quer dizer com isso? - perguntou Dan. Ele largou a bolsa na cerca da quadra e tirou
o casaco.
Zeke danou em volta dele com a bola. Era um pouco mais alto e tinha quadris largos, como
os de uma garota, mas era o melhor jogador de basquete da Riverside Prep. Imagina s.
- Voc anda sempre ocupado ultimamente e est sempre de mau humor - insistiu ele.  Est
cada vez mais imbecil.
Dan deu de ombros e se atirou para a frente para roubar a bola de Zeke.
- Ei, o que eu posso dizer? Tenho uma namorada.- Dan recuou e gingou com a bola pela
quadra. Ele fez um arremesso, errando a cesta por uns trs centmetros.
- Boa, man. - Zeke correu e pegou o rebote.  Uma namorada? - Ele quicou a bola sem ir a
lugar nenhum. Sua barriga balanava debaixo da camiseta branca. - Quem , a Vanessa?
Dan sacudiu a cabea.
- O nome dela  Serena. Voc no conhece. Vamos visitar a faculdade juntos este fim de
semana.
- Caraca! - Zeke girou com a bola para a outra cesta. Ele no parecia assim to
impressionado.
Dan ficou vendo o amigo fazer um arremesso perfeito. Ainda ficou parado enquanto Zeke
voltava com a bola pela quadra.
- E a,  srio, hein? - disse Zeke, atirando a bola para ele.
Dan pegou a bola e ficou onde estava. Ele no tinha certeza do que dizer sobre isso. Era
muito srio para ele, disso ele tinha certeza. Mas estaria Serena naquele exato momento
contando aos amigos sobre Dan, seu novo namorado? Ser que ela ficava devaneando com o
fim de semana que passaro juntos?
Nem um pouco.
Naquele exato momento, Serena estava no dentista, obturando um dente. Ela estava com
fome e meio chateada porque teria de esperar que passasse o efeito da novocana antes de
comer alguma coisa. No era exatamente aquele papo de poesia.
Ela tambm tinha lido o poema de Dan e no tinha certeza do que fazer com isso. Estava
acostumada com a ateno dos meninos, mas no com esse tipo de ateno. Dan estava
ficando meio chegado num assdio, e isso estava comeando a ficar muito esquisito para ela.



b ganha um novo irmo

- Que tipo de perguntas voc preparou? - perguntou a srta. Glos a Blair. Era quarta-feira a
tarde e a srta. Glos estava preparando Blair para a entrevista em Yale no sbado. - Voc ter
de mostrar a eles que esta interessada nas coisas que so caractersticas de Yale, que no
est se candidatando s porque  uma boa universidade e voc  filha de um patrocinador.
Blair assentiu com impacincia. O que a srta. Glos acha que ela , uma idiota?
A srta. Glos descruzou as pernas e tirou um fiapo que estava preso na meia-cala caramelo.
A parte de cima de seu corpo era grossa e quadrada como de um homem, mas Blair
percebeu que a srta. Glos tinha pernas extraordinariamente boas para uma consultora
universitria de 50 anos.
- Vou perguntar a eles sobre oportunidades para viajar para a Frana no primeiro ano. Vou
perguntar sobre as instalaes esportivas e sobre os alojamentos. Vou perguntar sobre
oportunidades para participar do diretrio acadmico. Ah, e vou perguntar sobre
recrutamento de emprego. - Blair abriu o PalmPilot e deixou um recado para si mesma.
- Isso mesmo. Isso mostrar a eles que voc no  s uma acadmica.  experiente, est
interessada em participar. - A srta. Glos fechou a pasta de Blair e abriu uma gaveta em sua
mesa. - Voc vai se sair bem. Est mais do que pronta.
Blair se levantou. Ela j sabia que estava pronta. Vinha se preparando para isso a vida toda.
- Obrigada, srta. Glos. - Blair estendeu a mo para a maaneta. - Se tudo correr bem, posso
me candidatar logo e no vou precisar procurar por outras universidades, no ?
- Bem, procurar outros lugares no vai doer... Voc pode encontrar outra universidade de
que goste mais - disse a srta. Glos, dando pancadinhas leves no nariz com um Kleenex. -
No vejo por que Yale no v aceitar voc.
Blair sorriu.
- timo. - Depois abriu a porta e a fechou atrs de si, satisfeita.


Quando Blair chegou a cobertura em que morava na rua 72, pode ver de imediato que
alguma coisa estava diferente.
Ternos e caixas se espalhavam pelo corredor. O TRL gritava da TV gigante da biblioteca. Ela
podia ouvir o arranhar de patas de cachorro no piso de madeira e havia baba na maaneta.
Blair entrou e atirou a mochila no cho do hall. Foi recebida por um enorme boxer marrom,
que trotou e enfiou a cabea em sua virilha.
- Ei - disse ela, afastando o focinho do cachorro. - Vai se foder. - Ela desceu o longo corredor
do apartamento. - Me?
A porta do quarto da me se abriu e Cyrus Rose saiu, usando seu robe Versace de seda
vermelha favorito e sandlias de bambu. Ele parecia muito relaxado.
- Oi, Blair! - gritou ele, arrastando os ps e colocando os braos em torno dela em um
abrao de urso. - Sua me est no banho. Mas agora  oficial...estou me mudando. E Aaron
e Mookie se mudaram tambm!
- Mookie? - Blair recuou um passo. Ela no gostava de ficar to perto de Cyrus quando era
bem possvel que ele no estivesse usando nada por baixo do robe.
- O cachorro de Aaron!  um malandro perfeito. Ra-ra! Mookie o malandro. - Cyrus estalou
os dedos cheios de anis de ouro. - A me de Aaron vai ficar muito tempo fora, e ele estava
entediado e de saco cheio naquela casa grande em Scarsdale, s com o Mookie para
conversar, ento ele decidiu vir morar com a gente. Como sua me diz, quanto mais melhor!
Blair ficou parada ali, incapaz de acreditar no que ouvia.
O cachorro, Mookie, veio por trs dela e cheirou sua bunda.
- Mookie, no! - disse Cyrus, rindo. - Vem aqui, garoto. Me ajude a apresentar Blair a Aaron.
Vem. - Ele pegou a coleira do co e o levou para a biblioteca.
Blair teve a sensao de que devia segui-los, mas ficou onde estava, ainda em choque.
Um minuto depois uma cabea cheia de trancinhas curtas e castanhas apareceu atrs da
porta da biblioteca. A cabea pertencia a um garoto da idade de Blair, com grandes olhos
castanhos, pele clara e lbios vermelhos que se curvavam para cima nos cantos.
- Oi - disse o garoto - Eu sou o Aaron. - Ele pisou duro pelo corredor com as botas de
trabalhador para dar a mo a Blair. A camiseta estava rasgada e tinha uma foto desbotada
de Bob Marley. Blair podia ver a parte de cima da cueca aparecendo na cintura da cala
baggy.
Eca!
Blair tocou a mo dele o mnimo possvel.
- Ento eu acho que agora dividimos uma casa, hein? - disse Aaron, ainda sorrindo.
Seriamente eca.
- Espero que no se importe, mas eu tranquei sua gata no seu quarto porque ela estava
meio assustada com o Mookie. O rabo dela ficou enorme. - Aaron riu, sacudindo as
trancinhas.
Blair olhou para ele.
- Tenho de fazer meu dever de casa. - Ela foi para o quarto, batendo a porta na cara de
Aaron.
Sozinha no quarto, Blair pegou a gata e se atirou na cama. Kitty Minky amassou seu suter
com as patas.
- Est tudo bem, meu amor - murmurou Blair, trazendo-a para o peito. Ela fechou os olhos e
colocou a cabea em seu pelo macio, desejando que o mundo desaparecesse.
Permaneceu de olhos fechados. Se ficasse assim por bastante tempo, talvez todo mundo se
esquecesse dela e ela no teria de ser Blair Waldorf, vivendo sua vida cada vez mais imbecil.
Podia se tornar outra pessoa e ainda ir para Yale. No fim, depois de procurar repetidamente
por anos, sem desistir, Nate a encontraria. Seria tipo um filme em preto-e-branco onde a
herona fica com amnsia e comea uma nova vida e se apaixona por outro homem, mas
enquanto isso o homem que a amava originalmente no desistiu de procur-la at encontrar
e pedi-la em casamento, embora ela no conseguisse lembrar o nome dele. Depois, quando
ele lhe desse um velho cachecol dele, cheio dos odores dos velhos tempos que ficaram
juntos, sua memria voltaria e ela diria "Sim", e eles viveriam felizes para sempre.
Os crditos do filme rolaram em sua mente enquanto os violinos tocavam suaves.
Quando tudo parecia ruim, Blair sempre podia se apegar aos filmes em sua cabea. Mas 
melhor no contar aos funcionrios da admisso de Yale sobre isso. Eles podem dar a ela um
p de psictica.
Finalmente Blair soltou Kitty Minky e se sentou. Pegou o controle remoto da TV e apertou o
play. O vdeo zumbiu e logo a cena de abertura de Bonequinha de luxo comeou a tocar
repetidamente - Audrey Hepburn, ainda vestida depois de uma noite fora, comendo
croissants diante da Tiffany's ao amanhecer. Esse foi o filme com que Blair entrou no Festival
de Cinema da Constance Billard. Audrey comendo croissants com o tema de O aprendiz de
feiticeiro, admirando os diamantes em uma vitrine da Tiffany's. E novamente, com uma
msica antiga do Duran Duran - Girls on film. E depois de novo, com Rocketboy, de Liz Phair.
E novamente com outra msica. Blair via uma coisa diferente na cena a cada vez. Ela nunca
se cansava dela. Tomara que os jurados do festival na segunda que vem sintam a mesma
coisa.
Houve uma batida na porta e Blair rolou na cama para ver quem podia ter a coragem de
perturb-la. A porta se abriu. Era Aaron. Mookie abriu caminho entre as pernas dele e entrou
no quarto. Kitty Minky gemeu e disparou para o armrio.
- Mookie, no! - resmungou Aaron, pegando a coleira do co. - Desculpe - disse ele, olhando
para Blair como quem se lamenta. Ele puxou Mookie para fora e deu um tapa em seu
traseiro. - Mau - resmungou ele.
Blair ficou olhando para ele, o queixo nas mos, odiando-o mais a cada segundo.
- Olha - tentou Aaron. - Quer uma cerveja ou coisa assim?
Blair no respondeu. Ela odiava cerveja.
Os olhos castanho-escuros de Aaron foram para a tela da TV.
- Ei, voc desencavou essa porcaria velha?
Blair pegou o controle remoto e desligou a TV. De jeito nenhum ela ia deixar que Aaron
insultasse seu filme. Ele j no tinha causado danos suficientes?
- Eu sei que deve ser muito estranho para voc que a gente tenha se mudado de repente,
com o casamento e tudo. Eu s pensei que, se voc quiser, tipo assim conversar e essas
coisas, tudo bem pra mim - insistiu Aaron.
Blair continuou a encar-lo com frieza, desejando que ele sumisse.
Aaron deu um pigarro.
- Eu estava agora mesmo com seu irmozinho, o Tyler, sabe como , tipo vendo TV e
bebendo uma cerveja. Bem, eu bebi uma cerveja... ele tomou uma Coca. De qualquer modo,
ele parece levar essa coisa toda na boa. Ele  um garoto legal.
Blair piscou. Ser que esse babaca acha que eles estavam conversando?
- T legal. Hmmm, a gente vai sair para jantar mais tarde, eu sou vegan, ento a gente vai
num restaurante vegetariano. Espero que esteja tudo bem. - Aaron se virou, esperou por um
momento pela resposta de Blair. Como Blair no respondeu, ele sorriu resignado e fechou a
porta.
Blair rolou novamente e abraou um travesseiro na barriga.
 claro que ele era vegan. Era to tpico. Ela queria ter um pedao de carne crua para atirar
na cara dele.
Como  que ? Ser que todo mundo espera que ela d a seu meio-irmo hippie falso uma
recepo calorosa s porque ele estava morando na casa, tomando cerveja como se fosse
dono do lugar e ficando com Tyler como o sr. Sensvel? Bom, eles podem pegar essa idia e
enfiar na bunda gorda deles.
Pelo menos ela ia sair no fim de semana, e muito em breve ia para Yale e ficaria longe
daquele anormal para sempre.
Talvez, se contasse a ele o que tinha acontecido, Nate se lamentaria por ela e decidiria ir
com ela para New Haven afinal de contas.
Ela pegou o telefone ao lado da cama e discou o nmero de Nate.
- Fala a - respondeu Nate no quinto toque. Parecia chapado.
- Oi, sou eu - disse Blair, a voz tremendo um pouco.
De repente ela achou que podia chorar.
- Oi.
Blair rolou de costas e olhou para o teto. Kitty Minky saiu do armrio, os olhos brilhando
amarelos.
- Hmmm, eu estava pensando se voc podia mudar de idia e se queria ir a Yale comigo... -
A voz de Blair sumiu.
Ela realmente ia chorar.
- No, os caras esto todos malucos com a viagem.
- Tudo bem. Eu s... essa coisa toda do casamento... e agora...- Blair parou. As lgrimas
caram dos cantos dos olhos e correram pelo rosto.
- Ei, voc est chorando? - perguntou Nate.
Mais lagrimas saram dos olhos de Blair. Nate parecia estar a milhares de quilmetros de
distncia. Ela estava triste demais para explicar tudo a ele, que nem tinha agradecido pelo
presente. Que porra  essa?
- Tenho de ir - fungou Blair. - Me liga amanha, ta bom?
- Vou ligar - retrucou Nate. Mas Blair j podia dizer que ele no ia telefonar. Provavelmente
nem se lembraria do telefonema. Ele estava chapado demais.
- Tchau - disse Blair e desligou. Atirou o aparelho na cama e passou as unhas na colcha.
Kitty Minky saiu do armrio e pulou para a cama.
- Esta tudo bem, meu amor. - Blair afagou a cabea da gata e a colocou em sua barriga. -
Est tudo bem.
Kitty Minky fechou os olhos e se aninhou nas dobras quentes do suter, ronronando
satisfeita. Blair queria encontrar algum que a fizesse se sentir feliz desse jeito. Ela achava
que Nate era esse algum, mas ele estava ficando to ruim e decepcionante como todo o
resto da porcaria da vida dela.




                               Gossipgirl.net
    ___________________________________________________________________

             temas / anterior / prxima / faa uma pergunta / respostas

advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados para
                         proteger os inocentes. Quer dizer, eu.


                                       oi, gente!

PROBLEMAS DE FAMLIA

Eu sei que dio  uma palavra forte, mas tudo bem: somos adolescentes. Temos de odiar
nossos pais s vezes. Tambm podemos odiar qualquer irmo, mais velho ou mais novo, que
aborrea a gente, especialmente aqueles que nem so nossos parentes e que no pedimos
para conhecer.
Mas se um desses irmos no solicitados por acaso  um cara bonitinho com trancinhas que,
por acaso, eu sei que toca violo muito bem e  simplesmente o garoto mais doce do
mundo, voc pode querer ser legal. Uma paquerada inocente com seu possvel meio-irmo
no  nojento nem ilegal.  bem divertido e bem conveniente se voc mora na mesma casa!
 s uma idia. Mas no parece que B esteja considerando esta opo.



Seu e-mail

P: Cara Gossip Girl,
Ouvi dizer que B  totalmente clepto. Tipo no jardim de infncia ela roubou os lpis e
apagadores da Barbie das outras crianas e essas merdas. E voc no pode convidar B para
passar a noite na sua casa porque ela rouba suas roupas.
Tambm soube que ela roubou um relgio da Tiffany's.
- Peekaboo

R: Caro Peekaboo,
B anda usando um Rolex desde o segundo ano, ento no tenho certeza disso. Mas obrigada
pela dica.
- GG



P: oi, gossip girl,
tenho certeza absoluta de que vi n conversando com aquela garota da stima srie da
constance na calada da gap na rua 86.
- coruja99
R: Cara coruja99,
E?? Eles no so mais novidade nenhuma. Vai ter de fazer melhor do que isso.
- GG



Flagra

N comprando um saco tamanho famlia de maconha naquela pizzaria na esquina da 80 com
a Madison. Preparando-se para a viagem, eu acho. B e sua nova e ampliada famlia na Saks,
comprando coisas para o casamento. Na verdade, B passou a maior parte do tempo ali na
sala de estar das mulheres, amuada. S andando pelo departamento de cosmticos da
Barneys de novo, roendo as unhas. D ansioso num banco do Riverside Park, fumando como
um doido. J escrevendo o nome de N em lugares discretos em toda a cidade, usando sua
caligrafia excelente. Meu jogo americano da Jackson Hole esta cheio deles.


AS VISITAS OBRIGATRIAS A FACULDADE

Um carro.

Amigos. De preferncia os que no esto to ansiosos com a faculdade e que no vo pirar
se voc decidir matar o giro pelas universidades e ficar assistindo a filmes e brincando com
jogos de bebida no quarto de hotel.

Roupas que voc no se importa de dormir com elas e deixar para trs em quartos de hotel
que voc provavelmente vai barbarizar pelo caminho.

Roupas legais para usar na entrevista. Mas voc no quer parecer fabulosa demais, ou pode
deixar em seu entrevistador um complexo de inferioridade. A maioria deles no conhece a
diferena entre a Barneys e a Wal-Mart.

Diversos (Bud em lata, donuts com cobertura de chocolate da Entenmann, Pringles etc.).


                                  Pra voc que me ama,

                                         gossip girl




b d o fora rapidinho

- No acha que fica Barbie Camponesa demais?  perguntou a me de Blair. Ela deu uma
voltinha na plataforma do departamento de noivas da Saks da Quinta Avenida, a saia do
vestido de noiva branco de cetim e renda abrindo-se num rodopio em seus ps.
Blair sacudiu a cabea. A viso de sua me toda embonecada em um vestido de noiva
branco cheio de frescura com decote baixo lhe dava nuseas, mas quanto mais rpido ela
sasse dali, melhor. Blair tinha de estar preparada para a entrevista em Yale amanh.
- Parece legal - mentiu ela.
-  meio vergonhoso para mim usar branco  refletiu a sra. Waldorf - Quero dizer, eu j tive
meu casamento de branco. - Ela se virou para Blair. - E se eu mandasse tingir?
Podia ficar adorvel em um lindo bege dourado ou um lils clarinho.
Blair deu de ombros e mudou de posio desconfortavelmente no sof de dois lugares, a
falsa antigidade em que estava sentada.
- Eu no ligo para o branco. - A histria de tingir parecia que ia levar mais tempo.
- Sempre podemos tingir depois de pronto - sugeriu a vendedora. - Devo fazer o pedido e
ajustar este para a senhora, ento? - At ela estava impaciente. J haviam passado por sete
vestidos e trs conjuntos de saia e casaco. Se a sra. Waldorf queria que o vestido ficasse
pronto em apenas duas semanas, tinha de se apressar.
A me de Blair parou de rodar e se examinou criticamente no espelho de quatro faces.
- Acho que  o mais promissor que experimentei  disse ela. - No acha, Blair?
Blair assentiu, entusiasmada.
- Definitivamente, me. Deixa voc mais magra.
A me sorriu, deliciada.
A melhor maneira de atingir o corao de uma mulher  dizer que ela parece magra. As
mulheres morrem para ficar magras.
- Tudo bem, ento - concordou ela, brilhando de excitao. - Vou fazer isso.
A vendedora comeou a dobrar e alfinetar o vestido, medindo coisas e rabiscando numa
folha de papel. Blair olhou o relgio. J eram trs e meia. Todo esse episdio chato estava
durando para sempre.
- J achou alguma coisa de que tenha gostado para as damas de honra? - perguntou-lhe a
me.
- Ainda no - disse Blair, embora nem tivesse procurado.
Sua me queria que ela encontrasse um vestido pronta-entrega que ela absolutamente
amava e o comprasse para todas as damas de honra. Blair adorou a loja, mas estava tendo
dificuldades em se animar a comprar esse vestido em particular.
Ela odiava usar a mesma coisa que os outros. Afinal, ela passou a maior parte da vida na
porra de um uniforme escolar.
- Eu vi um lindo na Barneys. Chloe, acho que era essa grife. Seda chocolate com contas e
alas finas. Longo, com decote em diagonal. Muito sofisticado. Ficaria sensacional em
Serena, com suas pernas magras e a linda cor. Mas no tenho certeza... pode deixar voc
assim meio... hippie.
Blair olhou para o reflexo da me no espelho num silncio aturdido. Ser que ela estava
sugerindo que Blair era gorda? Mais gorda que Serena?
Ela se levantou e pegou sua bolsa.
- Vou para casa, me - disse ela, com raiva. - No tenho mais tempo para falar de roupa.
Caso voc tenha se esquecido, amanh tenho minha entrevista em Yale, o que, para mim, 
mais importante.
A me se virou de repente, fazendo com que a vendedora deixasse cair a almofada de
alfinetes.
- Isso me lembra uma coisa!- gritou a sra. Waldorf, sem perceber em nada o tom de voz
magoado de Blair.  Quando Cyrus soube que voc pretendia pegar o trem pra New Haven
amanh, teve uma idia sensacional.
Essa no.
Qualquer idia de Cyrus tinha de ser diablica. Blair ergueu a cabea, preparando-se para o
pior.
- J est tudo combinado... Aaron vai com voc! Ele quer ver Yale tambm, e ele tem um
carro num estacionamento na Lexington - explicou sua me apressadamente. - No  assim
perfeito?
Blair achou que ia chorar novamente. No!, ela queria gritar. No  perfeito, me!  uma
droga! Mas ela no ia gritar no departamento de noivas da Saks. Seria pra l de ridculo.
- A gente se v depois - disse ela, abruptamente, virando-se para sair.
A me franziu o cenho para ela. Coitada da Blair, pensou ela. Deve estar nervosa com a
entrevista de Yale.


Blair andou as 22 quadras para casa engolindo as lgrimas de ultraje. Pensou em verificar no
Pierre Hotel e comear os primeiros estgios de seu desaparecimento. Podia ligar para o pai
e pedir para morar com ele e o namorado no chateau da Frana. Podia aprender a esmagar
uvas, ou a porcaria que eles fizessem por l.
Ela estava prestes a vomitar.
Quando chegou a escada para a cobertura, Mookie disparou pelo corredor e se atirou sobre
ela, lambendo seu rosto e fuando sua bunda com efuso. Blair largou a bolsa no cho,
deixando que o cachorro a esmagasse enquanto as lgrimas rolavam por seu rosto. O bafo
de Mookie cheirava a bunda.
Ela definitivamente chegara ao fundo do poo.
Aaron colocou a cabea para fora da biblioteca.
- Ei, o que t pegando? - perguntou ele, andando na direo dela. - Mookie, no!  gritou
ele, puxando o cachorro. - Voc no pode deixar ele fazer isso. Ele vai se apaixonar por voc
e comear a montar na sua perna, essas coisas.
Blair reprimiu um soluo e enxugou o nariz com as costas da mo.
- E a, preparada para aprontar em Yale amanh?  perguntou Aaron, estendendo a mo
para levant-la do cho.
Blair ignorou a mo dele. Queria desesperadamente uma bebida.
- Estou louca para dar o fora daqui - murmurou ela, infeliz.
- Bem a gente pode sair agora, se voc quiser. Vai ser mais divertido se a gente no tiver de
acordar cedo para voc chegar a tempo para a entrevista. - Aaron empurrou as trancinhas
para trs da orelha. Blair nunca vira ningum fazer isso antes.
- Agora? - Blair aceitou a mo de Aaron e se levantou, trmula. No era o que havia
planejado. Mas por que no?
Assim, ela e Aaron estariam na estrada  noite. Teriam de ficar num hotel em algum lugar.
Tinham carro, podiam ir a qualquer lugar. Qualquer lugar que no fosse ali.
Ela estava sendo espontnea pela primeira vez.
- T legal - disse Blair com uma fungada. - Vou fazer minha mala.
- Legal. Eu tambm. Ei, Tyler! - gritou ele. Tyler apareceu na porta da biblioteca s com as
meias nos ps. Estava usando uma das camisetas LEGALIZE HEMP de Aaron e tinha
chocolate na cara. - Desculpe, cara, no posso terminar de assistir a seqncia de Matrix
com voc. Eu e Blair vamos pegar a estrada.
- Tudo bem - disse Tyler. - Seqncias so um saco.
Blair passou pelo irmo e correu para o quarto para se aprontar. O corao saltava no peito.
Ela podia odiar Aaron, mas estava to ansiosa para cair fora dali que nem se importava de
ter de ir com ele. Desde que ele no tentasse agir todo irmozinho cheio de naturebices com
ela, essas porcarias.



encontro na grand central station

Quando Serena chegou no bar do segundo andar da Grand Central Station, Dan j estava l,
fumando um cigarro e bebendo gim-tnica. Ele parecia nervoso.
- Oi - disse Serena, sem flego.
Ela sempre estava sem flego porque sempre estava atrasada.
Dan gostava de imaginar Serena descendo dos cus para chegar ali. Era um vo longo.
- Nossa cozinheira me deu uns sanduches para o caso de a gente ficar com fome - continuou
ela.
Dan rodou o gelo no copo. Serena estava usando um suter azul que deixava seus olhos
maiores e mais azuis do que ele j havia visto.
- Eu trouxe urna garrafa de vinho - disse ele.- Agente pode fazer um piquenique.
Serena deslizou para o banco ao lado do dele. O bartender colocou um Kir royale, todo
borbulhante e da cor de lavanda, no guardanapo diante dela.
- Eu adoro este lugar. - Ela pegou o drinque.
O bartender j sabia o que ela queria. D para ser mais cool que isso?
Dan lhe ofereceu um cigarro, colocou um na boca e acendeu os dois. Ele se sentia
incrivelmente corts.
Serena exalou, soprando fumaa no teto decorado da estao.
- Acho que o que eu mais gosto em ir a outros lugares so as estaes, aeroportos e txis.
So to... sensuais - disse ela.
Dan deu um trago no cigarro.
-  - concordou ele, embora no pudesse ter discordado mais. Ele mal podia esperar para
chegar l. Depois que ele e Serena estivessem sozinhos, ele podia...
Sim?
Ele no tinha certeza do que ia acontecer, mas tinha certeza de que ia acontecer alguma
coisa.
- Voc vai gostar do meu irmo, o Erik. - Serena tomou um gole do Kir royale. - Ele gosta de
filosofar. Mas  meio rato de festa tambm.
Dan assentiu e puxou os cachos castanhos. Tinha esquecido de Erik. Tomara que Erik tenha
muitas festas com seus colegas de quarto enquanto eles estiverem l. Dessa forma Dan teria
Serena s para ele.
O quadro de chegadas e partidas piscava e palpitava enquanto os novos horrios eram
colocados e os trens chegavam e saam. A estao estava movimentada por causa do fim de
semana. As pessoas corriam para pegar seus trens ou ficavam por ali, esperando pelos
amigos.
Serena olhou o quadro de partidas com os olhos semicerrados.
- Nosso trem sai daqui a quinze minutos - disse ela. - Mais um cigarro de saideira, e a gente
deve ir.
Dan pescou mais dois cigarros do mao e girou no banco para pegar o isqueiro.
- E a? Eu li seu poema. - Serena tinha de tocar no assunto em algum momento, e agora era
uma hora to boa quanto qualquer outra. O poema era bom, mas ainda a assustava um
pouco.
Dan congelou.
Pelo canto do olho, viu quatro caras meio conhecidas na entrada da estao na Vanderbilt
Avenue. Um deles parou e olhou para Serena.

Nate estava chapado, mas no era alucinao.Serena van der Woodsen estava sentada bem
ali no bar da Grand Central, usando uma cala canelada branca, um suter azul com gola em
V e suas botas de camura marrom favoritas. O suter deixava os olhos dela mais profundos
e mais escuros do que ele j vira.
Blair o fizera prometer esquecer tudo sobre Serena, mas Nate nunca teve certeza se ia
conseguir. Ele vinha tentando evit-la, porque ver Serena em geral o deixava magoado.
Mas no desta vez. Desta vez, tinha alguma coisa diferente.
Quando olhou Serena, s o que viu foi uma bela velha amiga.
- Ei, eu conheo aqueles caras!- Serena saltou do banco.
Ela deixou o cigarro aceso no bar e foi em direo a Nate.
- Pera - disse Dan. Ela no tinha dito a ele o que achou do poema.
Ele viu Serena se aproximar do cara que a estava encarando e beij-lo no rosto. De repente
Dan entendeu por que aqueles caras pareciam to conhecidos. Eram os mesmos que ele viu
jogando bola com a irm no parque.
- Oi, gente - disse Serena, dando seu sorriso inimitvel. - Para onde vocs vo?
Ela simplesmente se levantou, deu um beijo em Nate e disse "Oi" como se no tivesse
percebido que Nate a vinha ignorando desde que ela voltou a Nova York no ms passado.
Serena no era de guardar rancor. Ao contrrio de algumas pessoas que conhecemos.
- Vamos para a Brown - respondeu Anthony.  Mas primeiro temos de pegar o carro de
Jeremy em New Canaan.
Os olhos de Serena se acenderam.
- De jeito nenhum. A gente vai para a Brown tambm! Meu irmo est l, ento vamos ficar
com ele. Querem ir com a gente?
Nate fez uma carranca. Ir para a Brown com Serena definitivamente no estava no livro de
regras voc-pode-sair-sem-mim de Blair.Mas quem disse que ele tinha de seguir as regras
dela?
- Beleza - disse Jeremy. - Parece uma festa.
- Legal. Vocs provavelmente vo ficar na casa do meu irmo tambm. - Ela se virou e
acenou para o cara desgrenhado e plido curvado no bar. - Ei, Dan. Vem c.
Dan se levantou e foi. Serena percebeu que ele parecia meio triste.
- Gente, esse  o Dan. Dan, esse  o Nate, Charlie, Jeremy e Anthony. Eles vo com a gente
para a Brown.
Serena deu um sorriso brilhante para Dan e ele tentou retribuir - ele realmente tentou, mas
foi difcil. Por que no tinha pegado o trem mais cedo? Eles podiam estar felizes agora,
bebendo vinho e comendo os sanduches da cozinheira de Serena em vez de dividir o carro
com quatro caras mimados da St. Jude que monopolizariam totalmente Serena e mudariam
o tom da viagem. No haveria sussurros em jantares a noite toda, as mos dadas sob a
mesa. Ningum dormiria junto no cho da casa do irmo. No era mais um fim de semana
romntico: era uma viagem de carro de visita a universidade, uma festa insignificante.
Eeba!
Dan estava decepcionado.
- Legal - disse ele. Ele queria voltar para seu quarto, escrever sobre o fim de semana que
podia ter tido.
- Tudo bem, vamos nessa.  melhor pegar esse trem - instou Charlie.
Serena passou o brao pelo de Dan e puxou pelas escadas com ela.
- Vamos! - gritou ela. Ele no teve escolha.
Nate andou atrs deles, sentindo-se um pouco triste tambm.
Ele queria ter trazido algum com ele, e no era em Blair que estava pensando.



best western contra motel 6

- Talvez a gente deva passar em Middletown. Dar uma olhada na Wesleyan - sugeriu Aaron.
Ele pegou o acendedor de cigarros do Saab e abriu o teto solar.
Eles tinham acabado de entrar na 1-95 em Connecticut.
Blair ficou o tempo todo em silncio enquanto Aaron saa da cidade. Uma msica meio
reggae de hippie feliz que ela nunca ouviu na vida tocava no carro.

"You want to lively up yourself!"
Blair tirou o sapato e colocou os ps com meias no painel do carro.
- No vou me candidatar a mais nenhuma universidade, s a Yale - disse ela. - Mas a gente
pode passar pela Wesleyan, se voc quiser.
Aaron puxou um cigarro de uma latinha engraada e acendeu.
Inclinou a cabea para Blair.
- O que te faz ter tanta certeza de que vai conseguir? - perguntou ele.
Blair deu de ombros.
- Venho planejando isso desde que era pequena  explicou ela. - Isso  maconha?
- De jeito nenhum, cara. - Aaron deu uma risadinha. -  cigarro de ervas. Quer provar?
Blair fez uma careta e pegou um mao de Merit Ultra Lights da bolsa.
- Prefiro este.
- Esse troo vai te matar - assinalou Aaron. Passou o carro para a pista do meio e deu uma
tragada funda.  Este aqui  cem por cento natural.
Blair olhou pela janela. Ela realmente no estava disposta a ter uma aulinha das qualidades
holsticas dos cigarros especiais de Aaron.
- Obrigada, mas no quero - disse ela, esperando que isso desse um fim a conversa.
- E a, eu queria saber se voc gosta de uma balada ou no. Alguma coisa me diz que
quando voc solta o cabelo, pode ficar bem doidaa.
Blair continuou a olhar pela janela. Na verdade, ele estava certo, mas ela no dava a mnima
para o que Aaron pensava. Ele que pensasse o que quisesse.
- No mesmo - disse ela, dando um trago no cigarro.
- E a, tem namorado?
- Tenho.
- Mas ele no quer ir pra Yale? .
- No. Quer dizer, ele quer  corrigiu Blair -, mas vai dar uma olhada na Brown este fim de
semana. Ele vai com uns amigos.
Aaron assentiu.
- Sei.
Alguma coisa no jeito com que ele disse isso enfureceu completamente Blair. Era como se
ele visse atravs dela e de Nate e soubesse que ela praticamente ficara de quatro e
implorara a Nate para ir a New Haven com ela, mas ele se recusou.
Aaron que fosse se foder por faz-la se sentir uma merda.
- Olha, isso no  da sua conta - rebateu Blair.  Vamos parar por aqui, t legal?
Aaron sacudiu a cabea e apontou para os cigarros naturais que tinha colocado no painel.
- Tem certeza de que no quer um? - perguntou ele.
- Vai te deixar mais mansa.
Blair sacudiu a cabea.
- T legal. - Aaron passou para a pista da esquerda e acelerou para 130 km por hora.
Blair olhou para a mo dele na alavanca de marcha. A unha do polegar tinha uma cor preto-
arroxeada, e ele estava usando um anel de prata em formato de cobra no polegar. Se no
fosse seu meio-irmo, at que seria meio sexy. Mas era o meio-irmo, ento no era sexy.


Dan estava deprimido demais para sequer pensar em ficar doido com os amigos de Nate no
banco de trs. Em todo o caminho que o trem percorreu ate Ridgefield, Serena, Nate e os
amigos dele ficaram falando de coisas que Dan no conhecia.
Tipo bares de que nunca ouviu falar, ou lugares de veraneio em que ele nunca velejou nem
jogou tnis. Dan passou o ltimo vero trabalhando em tempo parcial numa livraria na
Broadway e meio perodo numa delicatessen. Ele conseguia livros grtis da livraria, e na deli
podia beber a quantidade de caf que quisesse. Foi timo. Mas ele no dividiu aquelas
ninharias. No eram nada glamourosas.
Dan sabia que Serena no estava tentando ser esnobe. Ela no era assim. No precisava
usar a escada social - ela j estava no topo. O que o deprimia era que ela no queria ficar
sozinha com ele do jeito que ele que ria ficar sozinho com ela.
Se ela quisesse, no teria transformado seu agradvel fim de semana fora em uma festa de
chapados.
- Algum quer? - gritou Serena do banco do carona.
Ela se virou e balanou um pacote de seis Buds para o banco traseiro.
- Eu! - Os quatro garotos gritaram ansiosos, inclusive Nate, que estava dirigindo.
- De jeito nenhum, Nate. Vai ter de esperar at a gente parar.
- Ah, qual ? Eu estava chapado quando fiz a prova de direo.
- Desculpe - disse-lhe Serena, passando uma cerveja para Charlie. - Voc quis ser o
Papaizao que dirige. Agora vai pagar por isso.
Anthony riu e chutou as costas do banco de Nate.
- Papai, j chegamos?
- Fiquem quietos a atrs - gritou Nate, spero.  Se no vou ter de parar e te dar umas
palmadas na bunda.
O banco traseiro irrompeu numa gargalhada.
Dan estava sentado curvado na janela, vendo os cartazes passarem na 1-95, odiando Nate e
os amigos. Primeiro eles levaram sua irm, e agora sua namorada. Como se j no tivessem
tudo o que podiam ter numa porra de bandeja de prata. Dan sabia que isso no era muito
justo, mas no se sentia muito justo. Estava irritado.
Pegou um Camel no bolso, as mos tremendo mais que nunca.
Uma coisa era certa. Ele no estava nesta viagem para nada. Amanh ia ter uma entrevista
perfeita na Brown.


Aaron viu uma placa do Motel 6 a uns trinta quilmetros de New Haven e pegou a sada da
estrada.
- O que est fazendo? - perguntou Blair. - A gente no chegou ainda.
- , mas  o Motel 6. Estamos bem perto - disse Aaron, como se isso explicasse tudo.
- O que tem de to bom no Motel 6?
-  limpo.  barato. Tem TV a cabo. E as maquinas automticas so demais - disse Aaron.
- Achei que a gente ia ficar num lugar legal, com servio de quarto. - Blair nunca havia
ficado hospedada num motel antes.
- Confie em mim - disse Aaron, estacionando na frente da recepo do motel.
Blair ficou no carro com os braos cruzados, carrancuda, enquanto Aaron fazia a ficha. Ele
estava tentando agir todo simplesinho com as pessoas, fingindo que no era um cara
riquinho e mimado. Era to irritante. Mas ela se sentia meio deprimida indo para um motel
em um Saab vermelho com um cara de trancinhas. O estacionamento era escuro e todos os
quartos tinham cortinas. Parecia o tipo de lugar em que as pessoas vo para desaparecer da
vida.
Aaron voltou com uma chave.
- Eles s tem um quarto. Mas a cama  grande. Tem algum problema pra voc?
Blair tinha certeza de que Aaron esperava que ela fosse sibilar e exigir seu prprio quarto.
- Tudo bem - disse ela. Podia lidar com isso.
Aaron voltou para o carro e arrancou do estacionamento, voltando a estrada.
- Aonde  que a gente vai agora? - perguntou Blair. Ela odiava o modo como Aaron fazia
tudo o que dava na veneta, sem se importar se ela queria.
-  outra coisa muito legal no Motel 6. Eles sempre ficam em estradas com shoppings
simples, e a a gente pode conseguir tudo o que quiser. - Aaron entrou no estacionamento de
um Shop'n' Save e pegou o carto de crdito Shop'n' Save da me na carteira.  Vamos l,
vamos estourar o carto!
Blair revirou os olhos.
Pelo menos ele sabia como usar o plstico.
Nate dirigiu at no agentar mais. Seus amigos ficaram rindo no banco traseiro por duas
horas e meia, e ele precisava de uma cerveja.
- Vou encostar. Vi uma placa do Best Western. Tudo bem, n?
- Minha famlia ficou numa sute do Best Western no interior quando deixamos minha irm
no acampamento - disse Dan. - Foi legal.
- Tem sute l?- perguntou Jeremy. - Achei que o Best Western fosse tipo um motel.
- Tem servio de quarto. Dan ficou meio na defensiva. - E um frigobar cheio de bebida.
- Vamos definitivamente pegar uma sute  disse Charlie.
Dan fechou os olhos e rezou para que no houvesse nenhum quarto vago nesse Best
Western em particular. Ainda havia esperana de que ele e Serena pudessem dividir um
quarto. Podia ser quase melhor do que ele esperava.


A cama do Motel 6 estava cheia de saquinhos de lanche. Chips Ahoy, Fritos, batata frita
Wise, Smart Food, pudim de chocolate sem laticnio, Hawaiian Punch, queijo de soja suo,
biscoitos Ritz e,  claro, cerveja em lata.
- Aposto que tem alguma coisa boa na TNT.  Aaron deixou-se cair na beira da cama. Abriu
uma Bud e pegou outro de seus cigarros especiais.
Blair afofou um travesseiro e se recostou na guarda da cama, enfiando os joelhos quase
debaixo do queixo. Ela nunca tinha feito isso antes - comer porcaria e beber Bud em um
quarto de motel com um cara que no conhecia muito bem enquanto assistia TV ruim. Era
meio que... diferente.
- Vou querer uma dessas - disse ela baixinho.
Aaron no tirava os olhos da TV e passou uma cerveja para ela, seu anel de cobra de prata
brilhando.
- A, eu te disse, Duro de matar 2. Excelente.
- E um desses. - Blair apontou para o cigarro dele.
Aaron se virou e sorriu meio torto para ela.
- Estou avisando, eles te deixam mais mansa  alertou ele.
- Tudo bem - disse Blair tranqilamente.
Ela acabou de passar por uns dias estressantes. Por que no devia relaxar?
Aaron passou-lhe um cigarro e a caixa de fsforos.
- Cuidado para no puxar muito rpido, ou voc vai torrar os pulmes.
Blair revirou os olhos, irritada. Ela sabia fumar. As costas da camiseta de Aaron diziam
POWER TO THE PEOPLE,o que tambm a irritava. Ele achava que era to bacana, liberal e
politicamente consciente. Ela riscou um fsforo e levou at o cigarro. S um fuminho, uns
goles de cerveja, talvez um donut e depois ela ia dormir cedo.
Amanh teria de brigar pelo futuro.


A sute do Best Western tinha duas camas duplas e um sof cama.
Havia cenas de caa nas paredes e, em toda a janela grande e retangular, uma vista de um
parque de diverses, fechado no inverno. A roda-gigante pairava no ar da noite como um
esqueleto obeso. Dan no conseguia deixar de olhar para ela.
Nate e os amigos tinham pedido um monte de pizza e urna caixa de cerveja e estavam todos
deitados nas camas, brigando pelo controle remoto. Jeremy queria ver filmes porns no
payper-view. Nate queria ver um western-spaghetti antigo no Bravo. Charlie queria apagar
todas as luzes, abrir as janelas e ouvir Radiohead no CD-player.
Serena estava tomando banho. Dan podia sentir o cheiro do vapor por baixo da porta do
banheiro. Tinha cheiro de lavanda e cera de vela. Serena estava cantando.
- Voutez vous couchez avec moi, ce soir?
Sim, Dan que ria dormir com ela essa noite. Muito. Mas no parecia que isso ia acontecer.
- A, gente, e melhor no derrubar gordura de pepperoni na minha cama - alertou Serena,
abrindo a porta do banheiro, o corpo enrolado numa grande toalha branca do hotel.
- Qual  a sua cama? - perguntou Anthony, arrotando alto.
- Eu ainda no decidi - respondeu Serena. - Mas se voc vai arrotar e peidar nessa a, talvez
eu durma na outra.
Ela atravessou o quarto at sua bolsa e pegou urna camiseta cinza e short de flanela xadrez.
Todos os meninos olhavam para ela. Era meio difcil no olhar.
- E no acabem com a pizza - disse Serena, indo para o banheiro para se trocar. - Eu estou
faminta.
Dan acendeu um cigarro, as mos tremendo mais que nunca. Saiu de sua cadeira perto da
janela, pegou uma cerveja na cama e se sentou no sof. No tinha nada melhor para fazer.
Podia muito bem tornar um porre.
Serena saiu do banheiro novamente vestindo o moletom e o short. Pegou uma lata de
cerveja e uma fatia de pizza e se sentou no sof ao lado de Dan. Era meio que um alvio ter
os outros quatro garotos viajando com eles. O poema que Dan lhe mandara era sobre amor
e morte, e sobre como ele queria continuar vivo por causa dela. Serena gostava muito de
Dan, mas ele realmente precisava pegar mais leve.
- Daqui para a faculdade - disse ela, batendo a pizza na lata de cerveja de Dan. - No ia ser
divertido se todo mundo fosse para a Brown junto?
Dan assentiu, atirou a lata de cerveja para trs e se levantou para pegar outra. , ia ser
muito divertido, pensou ele.
Hilrio.


Blair se deitou na cama e segurou um biscoito Ritz no olho esquerdo, olhando para o teto
com o direito. Uma aranha minscula andava para a lmpada.
- Indecente. Tem uma aranha no teto. - Blair tinha bebido trs cervejas e comido quatro
donuts. Estava comendo biscoito Ritz com queijo cheddar por cima de sobremesa.
- Sabe o que a gente esqueceu? - perguntou Aaron, chutando as latas de cerveja vazias para
fora da cama e enfiando um punhado de Fritos na boca.
- gua? - Blair tinha comido acar, sal e gordura demais e estava morrendo de sede.
Os trs cigarros de erva que fumou tambm no ajudaram.
- No. Doce.
Blair sorriu. Um KitKat ia ser legal.
- T certo - disse ela.
Saram do quarto na ponta dos ps e desceram o corredor at a mquina automtica. Blair
deu uma gargalhada quando viu o carpete do corredor. Era marrom com espirais vermelhas.
Quem decorava esses lugares, afinal?
Aaron parou na frente da mquina automtica, carrancudo.
- No consigo me decidir...
Blair parou ao lado dele. Tinha KitKats, mas tambm tinha Twixes, Snickers e Almond Joys.
Era uma deciso difcil.
- Quanto trocado a gente tem? - perguntou ela.
Aaron ergueu a mo. Tinha o bastante para exatamente duas barras e meia. Ou duas barras
de chocolate e alguns chicletes.
Blair deu uma nova gargalhada.
- Tirei A direto em clculo avanado e no posso nem pegar uma porra de um chocolate -
disse ela.
Aaron colocou trs moedas de 25 cents na mquina. Depois ele pegou a mo dela.
- T legal, fecha os olhos e pega um.
Ele guiou a mo dela para a mquina at que os dedos roassem nos botes. Blair apertou o
boto e ouviu alguma coisa cair na base da mquina. Ela se inclinou para pegar.
- Pera! - gritou Aaron, puxando-a de volta.  Vamos fazer outra vez e ver o que
conseguimos. - Ele enfiou outras trs moedas de 25 na mquina.
Blair tentou se lembrar onde estavam os KitKats, mas no conseguia. Apertou outro boto e
novamente alguma coisa caiu na base da mquina. Blair abriu os olhos e se apressou emm
pegar o butim. Um Almond Joy e um pacote de balas Lifesavers.
- Lifesavers? De jeito nenhum! - reclamou ela.
- Fui! - Aaron pegou o Almond Joy da mo dela e disparou pelo corredor.
- Pera, esse  meu! - gritou Blair e foi atrs dele, escorregando no carpete fino com as
meias. Era pouco mais de duas da manh. Sua entrevista ia acontecer em menos de nove
horas e ela odiava admitir, mas estava realmente se divertindo muito.
Yale, idiota.


Dan deitou no sof-cama, ouvindo Charlie roncar suavemente ao lado dele. Do outro lado do
quarto Serena estava dormindo em uma das camas duplas com Anthony, ou era Nate? Ele
no sabia. A boca de Serena estava aberta e cada no travesseiro, e ele podia ver os dentes
da frente brilhando a luz da lua. Do lado de fora, a roda-gigante avultava como um olho
imenso, observando-os. Dan virou de cara para a parede.
Queria se levantar e escrever um poema, mas tinha deixado o caderno em casa. Achou que
ia ficar ocupado demais curtindo com Serena para querer escrever alguma coisa sria nesse
fim de semana. Estava comeando a aprender que nada acontece do jeito que ele pensa que
vai acontecer.
A vida  um porre e depois voc morre. Talvez fosse o que Sartre tenha tentado dizer em
Entre quatro paredes.
Dan tirou as cobertas e se levantou. No caminho para o banheiro, para pegar um copo
d'gua, ele passou pela cama em que Serena e Nate dormiam. Era definitivamente Nate - ele
podia ver agora. E no travesseiro entre eles estavam as mos dos dois... juntas,
entrelaadas.
Eles ficam de mos dadas enquanto dormem.
Dan se virou, pegou uma caneta na mesa-de-cabeceira e se trancou no banheiro.
Quando voc tem um impulso incontrolvel de escrever um poema arrebatador sobre o
absurdo da existncia humana, o papel higinico sempre pode quebrar um galho.


Blair sabia que estava dormindo esquisito. O saco de Chips Ahoy estava muito perto do rosto
e ela ainda estava de suti, mas ia cuidar disso de manh. Sua barriga estava cheia e
quente, e ela realmente devia tentar vomitar se quisesse entrar na cala de couro favorita,
mas isso tambm podia esperar at de manh. Ao lado dela, Aaron ria dormindo e batia
palmas, como se estivesse tentando chamar o cachorro. Woofie? Era esse o nome do co?
Blair pensou muito, mas no conseguia se lembrar.
Nem conseguia se lembrar por que estava ali, em um quarto de motel estranho com Aaron e
suas trancinhas. Mas era legal dormir com o cheiro de biscoito de chocolate e a fumaa de
pinheiro de seus cigarros cem por cento naturais. Fazia lembrar de Nate.
Hmmm. Parece que algum finalmente comeou a relaxar. Parece que algum se esqueceu
de pedir a recepo para acord-la.
                               Gossipgirl.net
    ___________________________________________________________________

             temas / anterior / prxima / faa uma pergunta / respostas

advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados para
                         proteger os inocentes. Quer dizer, eu.


                                        oi, gente!

OS ABANDONADOS

T legal. Onde diabos est todo mundo? Ser que devo me sentir uma man total por ficar
na cidade no fim de semana? Fiz todas as visitas a universidades no vero  ta bom, eu sou
uma man. De qualquer forma, sei bem quais so as legais e quais no so, e o que eu no
sei posso ver nos catlogos. O nico motivo para visitar uma universidade agora  ir para a
balada com as pessoas de l, e francamente acho que tenho a mais alta pontuao em
balada bem aqui na boa e velha Nova York.
De qualquer forma, todo mundo pode sair da cidade, mas no precisamos perder o contato.
D uma olhada nos e-mails que recebi.

Seu e-mail

P: e a, gossip girl,
eu trabalho no motel 6 perto da cidade de orange em connecticut, ento aquele cara mt
bonitinho num saab vermelho com placa de nova york encostou, n? Ento  claro que tenho
de ver quem est com ele. A garota parecia bem piranhazinha, pra ser sincera, e no era o
tipo dele. De qq forma, sa do trabalho e fui para casa, mas sei que eles definitivamente
fizeram uma farra no quarto tipo a noite toda, porque todo o corredor fedia a uma fumaa
estranha.
o farol do carro estava aceso quando eu sa. Espero que tenham desligado ou a bateria vai
estar arriadinha hoje.
- kiera3

R: Cara kiera3,
Opa, parece que B ter uma manh difcil.
- GG


P: Oi Gossip Girl,
Fui para Yale na sexta tambm, e estou no Motel 6. Legal. Sei que B e o meio-irmo so tipo
totalmente parentes e tudo. Mas eu juro que vi os dois se agarrando no estacionamento.
 indecente ou o qu?
- MsPink

R: Cara MsPink,
No quero acreditar em voc porque ,  mesmo indecente.
- GG


P: Cara Gossip Girl,
Ouvi dizer que os tiras apareceram no BestWestern em algum lugar de Massachusetts e
estouraram uma festa de uns garotos. Aparentemente todo mundo passou a noite na cadeia.
S achei que voc ia querer saber.
- Dragonfly

R: Caro Dragonfly,
No sei se nossos amigos so to burros para ser pegos no flagra ou no. Espero que no!
-GG
Flagra

Vamos continuar na cidade, vamos? J andando desanimada pelo Central Park na sexta
depois da aula. Imagino que sinta uma saudade terrvel de N. V dando os ltimos toques no
filme. Vai rolar uma pr-estria no The Five and Dime nesse fim de semana. Muito
pretensioso da parte dela, se querem minha opinio. D comprando lminas de barbear novas
em uma drogaria na rua 42 antes de ir para a Grand Central Station na sexta-feira. Acho que
queria ficar bonito e barbeado para S. A comprando um carto Hallmark vagabundo na CVS
na sexta quando ia pegar o carro. Adivinha para quem era?

Isso  tudo por hoje. Tenho certeza de que teremos muito mais novidades quando todo
mundo voltar.
Continuem com o bom trabalho.


                                  Pra voc que me ama,
                                        gossip girl

__________________________________________________________________


a manh seguinte

A luz do sol atravessava a janela, batendo no saco de Chips Ahoy o bastante para derreter
as gotas de chocolate. Blair sentiu o cheiro de chocolate grudento e acordou. Virou para o
outro lado, batendo em Aaron, e depois virou novamente, dando com um saco pela metade
de Fritos.
- Merda - resmungou. Ela trouxe o relgio para perto da cara e o olhou. A entrevista em Yale
ia ser as onze. Estava deitada com a cara num saco de Fritos em um quarto de motel
vagabundo em C-do-mundo do Leste, Connecticut, e j eram dez horas da manh.
- Porra! - gritou Blair, pulando da cama. - Aaron. Acorda. J!
Era meio difcil no perceber o pnico na voz dela.
- Que horas so? - murmurou Aaron. Ele se sentou, sacudindo a cabea de um lado para
outro, sonolento.
- Faltam trs para as dez! - guinchou Blair, arrastando sua mala. Nem tinha se preocupado
em pendurar as roupas, ento sua saia para a entrevista estava toda amassada. O que havia
de errado com ela? Esse no era tipo o dia mais importante da vida dela?
- No esquenta - disse Aaron.
Foi a coisa errada a dizer.
- Cala a boca! - gritou Blair, atirando um mocassim Gucci preto nele. -  tudo culpa sua!
Aaron enfiou a mo por baixo da coberta para coar a bunda.
- O que  minha culpa?
- S cala a boca!- Blair pegou as roupas, marchou para o banheiro e bateu a porta.
- Vou ver se eles tem caf l na frente! - gritou Aaron para ela. - Vou pagar a conta. Espero
voc no carro.
Balanou os ps para o cho e vestiu o jeans. Depois se levantou e examinou o reflexo no
espelho do quarto. Uma trancinha estava empinada bem no meio da cabea. Tinha manchas
de chocolate na camiseta. Aaron deu de ombros. No ia ter entrevista nenhuma. Pegou o
casaco e a chave do quarto.
De jeito nenhum Blair ia culp-lo por ferrar a vida dela. Ele a levou l.
No banho, Blair se esfregou furiosamente enquanto repassava as perguntas da entrevista na
cabea.
Por que Yale? Porque  a melhor. No vou para uma faculdade para me divertir. Quero os
melhores professores e a melhor seleo de cursos oferecidos e as melhores instalaes. No
quero s passar pelos prximos quatro anos. Quero ser desafiada.
Fale-me de voc. Que tipo de pessoa voc ? Sou muito organizada. Meus amigos acham
que sou meio detalhista. Sou ambiciosa. No suporto a idia de estar na mdia em tudo. Sou
determinada. Eu me obrigo a fazer o melhor que posso. Acho que sou meio teimosa. Sou
muito social. Organizo festas e eventos de caridade. Tento ser politicamente consciente,
embora, com toda a leitura da escola, tenho de admitir que no leio o jornal todo dia. Adoro
animais. Tento ser uma filha e uma irm atenciosa e fazer boas coisas para minha famlia
sem ser solicitada.
Quem  um exemplo para voc? Tenho dois. Jacqueline Kennedy Onassis e Audrey Hepburn.
As duas foram extraordinrias, fortes, respeitadas, lindas. Cheias de dignidade.
Blair fechou a torneira e pegou uma toalha. No tinha tempo para lavar o cabelo. Esperava
que no estivesse fedendo a fumaa. Ela examinou p rosto no espelho. Seus olhos estavam
inchados e uma espinhazinha brilhava rosada acima da sobrancelha esquerda. Ela borrifou
tonificador de pepino no rosto e passou creme La Mer sob os olhos. Yale no ia admiti-la com
base na aparncia, de qualquer forma. Pegou a blusa azul-clara Calvin Klein, a saia preta
xadrez DKNY e a meia-cala preta. Depois escovou os cabelos num rabo-de-cavalo frouxo.
Pronto. Parecia o tipo de garota que gostava de ir a livrarias para ler poesia. Parecia sria e
inteligente.
Blair vasculhou a bolsa de cosmticos procurando pelo p compacto Stila. Passou um brilho
rosa leve nas bochechas, na ponta do nariz e na testa. Depois passou um pouco de brilho
claro nos lbios. Estava pronta como nunca.
Ignorando a sensao nervosa e enjoada na boca do estmago inchado, Blair colocou as
coisas na mala, enfiou os ps nos mocassins Gucci, vestiu o casaco de l preto e saiu do
quarto. Era organizada, ambiciosa, determinada, politicamente consciente... Chegou ao p
da escada e empurrou a porta para o estacionamento. O cap do Saab estava aberto. Aaron
estava inclinado no motor, ligando um tipo de grampo a bateria.
Blair parou e prendeu a respirao. Que diabos havia de errado com a porra do carro?
Aaron se virou e olhou para ela.
- A bateria arriou. Acho que a gente deixou o farol aceso a noite toda.
- A gente? - Blair largou a mala e bateu o p com raiva.
- E agora, o que eu vou fazer?
- A gerente vai fazer uma chupeta pra gente  disse Aaron, colocando as trancinhas atrs da
orelha. - T tudo bem.
- Me desculpe, mas no est tudo bem. A gente tem de sair daqui agora! - gritou Blair,
embora Aaron estivesse parado bem diante dela.
Uma loura oxigenada de uns quarenta anos estacionou um velho Suburban marrom ao lado
do Saab. Deixou o motor ligado e saiu do carro.
- Vamos fazer isso rapidinho - disse ela a Aaron.  No gosto de deixar o telefone tocando. -
Ela abriu o cap do Suburban.
Blair olhou o relgio novamente. Eram dez e meia.
- A que distncia estamos de Yale? - perguntou ela.
- A universidade? Uns 37 quilmetros - disse a mulher. - Meu filho est l. Leva uns vinte
minutos para chegar.
Blair fez uma carranca. Nunca passou pela cabea dela que os filhos desse tipo de gente que
gerenciava Motel 6 fosse para Yale.
- Quanto tempo vai levar essa chupeta?
Aaron deu os grampos para a mulher conectar na bateria. Ele riu.
- Ah, pode levar qualquer coisa entre cinco minutos e duas horas - respondeu ele, piscando
para a mulher.
Blair cruzou os braos.
- No temos duas horas!
Aaron abriu a porta do Saab e girou a ignio, bombeando o motor algumas vezes para ter
certeza de que estava bem e verdadeiramente pronto para partir. Deixou o motor ligado e
fez um sinal para Blair entrar.
- Voc est com sorte - disse ele e piscou para a gerente do motel novamente. Ela desligou o
carro e Aaron tirou os cabos, fechou o cap do Saab e foi para o lado de Blair. Tirou um
envelope do casaco e entregou a ela.
Blair rasgou-o para abrir. Era um carto Hallmark com uma foto de uma garotinha. PARA
MINHA IRM, dizia o carto. EM SEU DIA ESPECIAL.
- Pronta? - instou Aaron.
Blair fechou o carto.
- S dirija, por favor - ordenou ela. Tocou a espinha na testa. Parecia que estava crescendo
exponencialmente a cada minuto que passava.
Qual  seu maior ponto forte?
Eu nunca desisto.
E seu maior ponto fraco?
Sou meio impaciente. Mas s um pouco.
Ah, t legal.



j banca a gente boa
- Por que no vai dar uma corrida ou coisa assim?  sugeriu Rufus Humphrey a filha na
manh de sbado. Ele coou os pelos grisalhos eriados que saam em tufos perto do
colarinho da camiseta amarelada. - Sua me era corredora.
Jenny fez uma carreta. Odiava falar da me.
- Mame s corria com o personal trainer. Eles estavam tendo um caso, lembra?
O pai deu de ombros.
- Voc parece entediada,  isso. Quer ir ao cinema comigo?
- No - disse Jenny. Tomou um gole do ch.  Vou ficar aqui e ver TV.
- Tudo bem. Mas cuide para ver alguma coisa educativa. Sabe o que, como Vila Ssamo. -
Ele bateu na cabea de Jenny com o Times de sbado e foi para o banheiro.
Jenny ficou sentada a mesa da cozinha, olhando sua xcara.
Marx, seu gato malhado e obeso, saltou para a mesa e farejou a orelha de Jenny.
- Estou com tdio - disse ao gato. - Voc tem tdio?
Marx se sentou e lambeu sua enorme barriga. Depois saltou npara fora da mesa e foi para a
tigela de rao.
Na dvida,  melhor comer.
Jenny se levantou e abriu a porta da geladeira. Parou ali um tempinho, olhando-a. Queijo
suo. Urn grapefruit. Leite azedo. Uma caixa de sucrilhos colocada no congelador para ficar
escondida das baratas. Um nico bolinho ingls.
O telefone tocou.
Jenny no se mexeu. No era para ela mesmo. Nate, Dan, Serena - estavam todos fora.
Ele tocou repetidamente, sem parar.
- Jenny, que droga! - Ela ouviu o pai gritar do banheiro.
Jenny bateu a porta da geladeira e pegou o telefone.
- Al?
- Oi, Jennifer,  Vanessa.
- Oi.
- Dan est?
- No. Dan foi passar o fim de semana com Serena na Brown. Ele no contou pra voc?
- No.
- Que estranho.
- . A gente no tem conversado muito ultimamente.
- Ah. - Jenny voltou a geladeira e a abriu novamente. Queijo suo. Ela podia derreter o
queijo suo no bolinho ingls.
- Tudo bem, eu acho que se ele no esta a, no est a. - Vanessa parecia realmente
decepcionada. Decepcionada e magoada.
Todo o enigma de Vanessa com seu irmo mais velho no enganava Jenny nem por um
minuto. Vanessa era totalmente apaixonada por Dan. Se Dan dissesse a Vanessa que ia se
casar com ela se ela deixasse o cabelo crescer, usasse roupas coloridas e fizesse um pouco
de exerccio, Vanessa faria isso. Jenny tinha um pouco de pena dela.
Jenny devolveu o queijo suo para a prateleira.
- Ei, estou com um problema meio estranho  disse ela, decidindo ser legal. - Voc quer, tipo
assim, fazer alguma coisa hoje? Quer dizer, comigo?
Houve uma pequena pausa. a som de Vanessa hesitando.
- Claro. Vou fazer uma seo do meu filme no Five and Dime ao meio-dia. Voc pode ir e a
gente sai depois ou coisa assim.
Jenny fechou a geladeira e se apoiou nela.Vanessa no era exatamente a pessoa de quem
mais gostava no mundo, mas o que mais ela ia fazer com Nate fora?
- T legal. Eu te vejo l.
Quem sabe? Ela e Vanessa podiam at acabar ficando amigas.


a entrevista: como causar uma boa impresso

- Obrigado por esperar - disse o entrevistador a Blair,examinando a sala de espera azul do
escritrio de admisso de Yale, onde Blair estava sentada toda dura na beira de uma cadeira
de espladar em asa por mais de 15 minutos.Aaron quase bateu em vrios carros para chegar
ali a tempo, e depois ela teve se esperar. Agora estava arrasada de nervosa.
- Oi!  guinchou Blair, saltando da cadeira. Ela estendeu a mo. - Meu nome  Blair Waldorf.
O entrevistador, um homem alto e moreno com cabelos grisalhos nas tmporas e olhos
verdes e brilhantes, pegou a mo dela e a sacudiu
-  um prazer conhecer voc. Meu nome  Jason. - Ele se virou e levou Blair a sua sala. A
cala dele era meio apertada na bunda, percebeu Blair. - Sente-se - disse ele, cruzando as
pernas e apontando para uma poltrona de veludo azul  frente.
Ele a fazia lembrar do pai.
Blair se sentou e cruzou as pernas. Teve vontade de fazer xixi. Havia plos de gato na saia
que ela no percebera antes.
- Ento, fale-me de voc. - Jason sorriu para ela com seus lindos olhos verdes. Verdes, como
os de Nate.
- Hmmm - fez Blair. No conseguia se lembrar se essa era uma das perguntas para as quais
se preparara. Parecia to vaga. Fale-me de voc. Falar o qu?
Ela girou sem parar o seu anel de rubi no dedo. Estava mesmo morrendo de vontade de
fazer xixi.
Blair respirou fundo e comeou a falar
- Sou de Nova York. Tenho um irmo mais novo. Meus pais so divorciados. Eu moro com a
minha me, que vai se casar de novo em breve, e meu pai mora na Frana. Ele  gay. Ele
adora fazer compras, Eu tenho uma gata e meu novo meio-irmo Aaron tem um cachorro.
Minha gata odeia o cachorro, ento no sei como isso vai acaba, - Ela parou para respirar e
olhou para cima. Percebeu que o tempo todo em que falou ficou olhando para os sapatos
pretos de Jason. Isso era um mico.
Devia ter feito contato visual com ele. Devia impressionar.
- Entendo- disse Jason suavemente. Ele rabiscou algumas coisas no bloco.
- O que est escrevendo? - perguntou Blair, inclinando-se para olhar.
Credo, certamente esse era outro mico.
- S umas anotaes. - Jason escondeu o que estava escrevendo com a mo. - Ento, diga-
me por que est interessada em Yale.
Para essa, ela estava preparada.
-Quero o melhor. Eu sou a melhor. E mereo o melhor. disse Blair com confiana. Ela
franziou o cenho. No parecia muito bom. O que havia de errado com ela? - Meu pai estudou
aqui - respondeu ela apressadamente. - Ele no era gay na poca.
Jason franziou a testa e rabiscou mais.
- Sim, ele era, no era?
Blair bocejou discretamente para o seu pulso. Estava muito cansada e seus sapatos doam
feito o inferno. Ela descruzou as pernas, apoiou os cotovelos nos joelhos e tirou os
calcanhares dos sapatos. Assim estava melhor.
S que agora parecia que ela estava sentada na privada.
Enquanto escrevia, as abotoaduras de ouro com monograma de Jason brilhavam na fria luz
de novembro que entarav pela janela. o pai de Blair estava usando abotoaduras assim na
noite em que saiu com ela para festejar seu aniversrio. A noite em que o inferno desabou
na sua cabea.
- Pode me falar de um livro que leu recentemente e gostou muito? - perguntou Jason,
olhando para cima.
Blair o encarou, varrendo o cerbro em busca do ttulo de um livro - qualquer livro- mas no
conseguia pensar em nenhum.
Pulft, o fantasminha? A blbia? O dicionrio, pelo amor de Deus - no  assim to difcil.
E a alguma coisa estalou na cabea de Blair. Ou melhor, sua cabea se desligou
completamente e outra coisa entrou no lugar dela.
Isso no era recomendado durante uma importante entrevista na universidade.
- No consegui ler muito nos ltimos meses - confessou Blair, os lbios tremendo. Fechou os
olhos, como se sentisse dor. - Est tudo uma baguna.
Ela estava de volta - a dama que protagonizava o filme trgico que era sua vida. Imaginou-
se olhando para o mar em uma praia deserta usando um sobretudo preto curto e fashion.
Chuva e alga salgada cobriam-lhe o rosto, misturando-se com suas lgrimas.
- Eu roubei uma cala de pijama - continuou Blair dramaticamente. - Para meu namorado.
No sei o que me deu na hora, mas acho que  um sinal, n? - Ela olhou para Jason. - Nate
nem me agradeceu.
Jason remexeu-se, pouco  vontade na cadeira.
- Nate?
Blair pegou um Kleenex na caixa da mesa dela e assoou o nariz ruidosamente.
- Eu pensei em acabar com tudo - declarou ela. -  srio, pensei mesmo. Mas estou tentando
ser corajosa e segurar a onda.
Jason parou de escrever. Um garoto passou correndo pela janela, usando um moletom de
Yale.
- E esporte? Tem interesse em esportes?
Blair deu de ombros.
- Eu jogo tnis. Mas a nica coisa que me interessa agora  recomear. Comear uma nova
vida. - Ela tirou inteiramente os sapatos, colocou o p direito no joelho esquerdo e comeou
a massagear os dedos. - Tem sido to difcil - acrescentou, cansada.
Jason colocou a tampa na caneta e a enfiou no bolso da camisa.
- Er... Quer me perguntar alguma coisa?
Blair parou de esfregar os dedos dos ps e colocou o p de novo no cho. Arrastou a cadeira
para frente e estendeu o brao para o joelho de Jason.
- Se voc me prometer entrar, eu prometo ser a melhor aluna que a Universidade de Yale j
teve - disse ela com sinceridade. - Pode me prometer isso, Jason?
Ai. Meu. Deus. Adeus, Universidade de Yale. Ol faculdade comunitria!
Jason tateou o bolso, pegou novamente a caneta e escreveu alguma coisa no bloco,
sublinhando duas vezes.
Vamos adivinhar o que ele escreveu. ABERRAO?
- Vou ver o que posso fazer. - Jason se levantou e estendeu a mo mais uma vez. - Muito
obrigado por vir. - Apertou a mo de Blair. - Boa sorte.
Blair colocou os ps nos sapatos e sorriu sedutora para ele.
- A gente se v no prximo outono - disse ela.
Depois ficou na ponta do p e lhe deu um beijo no rosto.
Como se j no tivesse causado uma impresso e tanto.



adivinha quem vai para a brown?

- Eu achei que estaria mais nervosa - comentou Serena, pisando numa pilha de folhas secas
de outono do lado de fora da Corliss-Brackett House, o pequeno prdio de tijolos aparentes
onde ficavam os escritrios de admisso da Universidade Brown.
Ela havia acordado no hotel segurando a mo de Nate. Quando abriu os olhos um minuto
depois, eles sorriam um para o outro, e Serena entendeu que tudo ficaria bem entre eles.
Ainda havia o problema com a Blair, e eles nunca seriam to ntimos como foram no
passado. As coisas estavam diferentes.
Mas o jeito desconfiado tinha sado dos olhos de Nate, assim como o anseio. Serena era
apenas uma velha amiga. Ela estava segura.
- Tambm no estou nervoso - disse Nate.  Quer dizer, qual  a pior coisa que pode
acontecer... eles me rejeitarem? E da?
-  - concordou Dan, embora realmente estivesse nervoso. Ele se sentia viscoso, tremia e
estava numa overdose total de caf.Tinha se sentado na recepo do Best Western por duas
horas naquela manh, lendo o jornal e bebendo uma xcara de caf depois de outra,
enquanto os outros acordavam. Deu um ltimo trago no Camel antes de atir-lo nos
arbustos. - Prontos para entrar?
- Acho que a gente devia dizer alguma coisa animadora ou coisa assim antes de entrar. -
Serena puxou o casaco em volta do corpo.
- Ou no - disse Nate, dando um soquinho de leve no brao dela.
- Ai - guinchou Serena. Ela o socou nas costas.  Seu cabea de meleca.
Dan franziu a testa para os sapatos. Ele odiava ver como eles ficavam a vontade juntos.
Serena se virou e deu um beijo no rosto de Dan.
- Boa sorte - murmurou ela.
Como se ele j no estivesse nervoso o bastante.
Depois ela se virou e beijou Nate tambm.
- Arrebenta l - disse Nate, abrindo a porta.


O entrevistador de Serena era um velho com olhos azuis penetrantes e uma barba grisalha
basta. Nem se preocupou em se apresentar. S se sentou e abriu fogo.
- Voc foi expulsa do internato. - Ele tamborilou os dedos na slida mesa de carvalho
enquanto examinava a ficha de Serena. Ele olhou para cima e tirou os culos - O que
aconteceu?
Serena sorriu educadamente. Ele tinha de comear por um assunto to delicado?
-  que eu no voltei a tempo para o incio do terceiro ano. - Ela descruzou as pernas
perfeitas e recruzou-as, esperando que no aparecesse muito da calcinha. Sua saia era meio
curta.
O entrevistador fez uma carranca, vincando as sobrancelhas grisalhas sombrias.
- Eu meio que ampliei minhas ferias de vedo  explicou Serena. - Eles no gostaram disso. -
Ela colocou o polegar na boca para roer a unha e depois rapidamente o retirou. Podia fazer
isso.
- Entendi. Onde voc estava? Presa numa ilha do Pacfico? Trabalhando para o Peace Corps?
- latiu o entrevistador. - Construindo latrinas em El Salvador? Onde?
Serena sacudiu a cabea, sentindo-se envergonhada de repente.
- Eu estava no sul da Frana - guinchou ela.
- Arr. Frana. E o que h de bom nisso?  perguntou o entrevistador. Colocou os culos
novamente e deu uma olhada na ficha de Serena. - Todas vocs, de escolas particulares de
Nova York, comeam o francs na pr-escola, no ?
- Na primeira srie - disse Serena, colocando o cabelo atrs das orelhas. Ela no ia deixar
esse cara intimid-la.
- Ento sua antiga escola a aceitou de volta depois que a Hanover a ps para fora de l? Era
uma boa escola.
- Sim - disse Serena. Sua voz parecia um pouco mais mansa do que ela gostaria.
O entrevistador ergueu os olhos.
- E voc tem se comportado?
Serena deu seu sorriso mais cativante.
- Eu estou tentando.


O nome da entrevistadora de Nate era Brigid. Ps-graduara-se no ano passado e adorava
tanto a Brown que conseguiu um emprego na admisso. Para ganhar uma grana a mais, ela
dava telefonemas a noite pedindo doaes para o fundo de ex-alunos.
Era supremamente convencida.
- Ento, fale-me alguma coisa de seus interesses - comeou Brigid com um sorriso reluzente
e cheio de covinhas.
Seu cabelo era louro bem curto, como de uma ginasta. Ela se empoleirou na beirada da
mesa, encarando-o, um bloquinho branco na mo.
Nate se remexeu na desconfortvel cadeira de madeira na frente dela. No tinha pensado
muito no processo de entrevista porque no tinha muita certeza se queria ir para a faculdade
no ano que vem. S estava se deixando levar.
- Acho que meu maior interesse  velejar  comeou ele. - Meu pai e eu construmos barcos
no Maine. E nos veres, competimos. Quero integrar uma equipe para a America's Cup. 
minha meta. - Nate se perguntou se parecia meio que um nerd velejador idiota, mas Brigid
assentiu com entusiasmo.
- Estou impressionada.
Ele deu de ombros.
- Acho que provavelmente me dediquei mais ao barco do que a escola - admitiu ele.
- Bem, quando se  realmente apaixonado por uma coisa, a gente nem percebe o esforo.
At o trabalho duro parece diverso. - Brigid deu um sorriso luminoso e escreveu alguma
coisa no bloco. Era quase como se Nate tivesse acabado de validar um dos dogmas favoritos
da petulncia dela.
Nate esfregou os joelhos e se inclinou para a frente.
- S o que estou dizendo e que minhas notas talvez no sejam boas o bastante para a
Brown.
Brigid atirou a cabea para trs e riu, quase caindo. Nate estendeu a mo para segur-la.
- Obrigada - disse ela, endireitando-se. - Olha, eu me ferrei totalmente em biologia avanada
no secundrio, mas entrei. Sei que pode ser surpreendente, mas a Brown  muito mais que
notas altas. Estamos interessados em pessoas, e no em robs cheios de conceitos A.
Nate assentiu. Brigid era melhor em seu trabalho do que ele pensou no incio. Ele achava
que praticamente tinha dito a ela que no estava interessado em ir para a Brown, mas ela
no estava deixando que ele prosseguisse nessa linha. Estava fazendo com que ele quisesse
tentar.
- E a, tem uma equipe de vela aqui? - perguntou ele.
Brigid assentiu com energia.
- A equipe de vela arrebenta!


- Ento voc gosta de ler - assinalou Marion, a entrevistadora emaciada de Dan. Estava
empoleirada na beira de sua cadeira, as pernas pontudas enroladas como uma rosca uma na
outra, enquanto rabiscava anotaes em um carto. - Rpido, diga dois livros e me diga por
que gostou mais de um que de outro.
Dan limpou a garganta e engoliu em seco. Sua lngua parecia to seca e quebradia que ele
pensou que podia se romper e cair no cho. Ele se perguntou como Serena estava se saindo
na entrevista. Ele esperava que estivesse tudo bem com ela.
- Os sofrimentos do jovem Werther, de Goethe - disse ele por fim. - E Hamlet, de
Shakespeare.
- timo! - Marion escreveu alguma coisa. - Continue.
- Sei que ele devia ser aquele prncipe guerreiro corajoso, mas acho Hamlet ridculo.  As
sobrancelhas de Marion se ergueram. - Werther tem mais a ver comigo  continuou Dan.  
poeta. Vive para o pensamento, mas  como se ele... se ele estivesse apaixonado pelo
mundo. No consegue deixar de escrever sobre ele.
- Voc realmente acredita que o Werther de Goethe  menos ridculo que o Hamlet de
Shakespeare? - perguntou Marion.
- Acredito. - Dan sentia-se mais confiante agora.  Sei que Hamlet tinha muito em sua
mente. O pai foi assassinado, a mulher que ele amava enlouqueceu, os amigos o traram, a
prpria me e o padrasto o queriam morto.
Marion assentiu, clicando a caneta, abrindo e fechando.
- Est certo. E o nico problema de Werther  que est apaixonado por Lotte, que no o ama
realmente e que j deixou isso claro para ele. Ele  completamente obcecado por ela. Precisa
viver um pouco.
Dan prendeu a respirao. Marion parecia ter tocado na ferida. Era impossvel no ver isso
agora. Ele era Werther e Serena era Lotte. Ela no estava apaixonada por ele. J havia
deixado isso claro, afinal ele a vira de mos dadas com Nate.
E Dan... precisava viver um pouco.
Dan colocou a cabea entre as mos, todo o corpo tremendo.
Achava que estava prestes a chorar.
- Tenho de dizer que estou impressionada com a confiana com que voc discute literatura -
observou Marion fazendo mais anotaes.
Dan no ergueu os olhos. Serena no o amava. Agora estava tudo claro.
Marion clicou a caneta, abrindo-a e fechando-a mais algumas vezes.
- Daniel?


O entrevistador de Serena puxou a barba e estreitou os olhos para ela.
- Leu algum bom livro ultimamente? - perguntou ele.
Serena se endireitou na cadeira, pensando muito. Queria impression-lo, mas tinha de citar
um livro com que pelo menos estivesse familiarizada.
- Entre quatro paredes, de Jean-Paul Sartre? - disse ela hesitante, lembrando-se do livro que
Dan havia recomendado e que ela no conseguiu terminar.
- Isso no  um livro,  uma pea - tornou o entrevistador. - Cheio de gente se lamentando
no inferno.
- Achei engraado - insistiu Serena, lembrando-se que Dan disse a ela que o livro o fazia rir.
- "O inferno so os outros" e essas coisas - gracejou ela. Era s do que se lembrava do livro.
- Sim,  verdade. Bem, talvez voc seja mais inteligente do que eu - disse o entrevistador,
embora estivesse claro que ele no acreditava nisso. - Voc o leu em francs?
- Mais bien sr- respondeu Serena, mentindo adoidado.
O entrevistador fez uma carranca e escreveu alguma coisa.
Serena puxou a saia para baixo, cobrindo os joelhos. Teve a sensao de que no estava
indo bem, mas no sabia bem por qu. Achava que o entrevistador no lhe dera nenhuma
chance, como se tivesse alguma coisa contra ela antes mesmo de ela entrar na sala. Talvez
a esposa dele tivesse acabado de abandon-lo e ela fosse francesa, ou loura como Serena.
Ou talvez o cachorro dele tivesse morrido h pouco tempo.
- O que mais voc faz? - perguntou o entrevistador vagamente. Nem parecia que estava
interessado.
Serena inclinou a cabea.
- Eu fiz um filme.  meio experimental. Nunca tinha feito filme nenhum antes.
- Experimentando coisas novas, gosto disso.  o entrevistador pareceu mais caloroso com
ela por um segundo. - Ento me fale do que  o filme. Descreva-o para mim.
Serena se sentou sobre as mos para evitar roer as unhas.
Como poderia descrever o filme para que ele entendesse?
Nem ela entendia o filme direito, e foi ela quem o fez. Serena respirou fundo.
- Bem, a cmera meio que me segue a toda parte, em close. Primeiro me segue em um txi.
E depois vou a uma loja tima na rua 14 e meio que ando por ali, descrevendo as coisas.
Depois eu experimento um vestido.
O entrevistador fez outra carranca e Serena entendeu que tinha parecido uma avoada total.
Ela olhou para seus sapatos pretos, batendo os saltos como Dorothy tentando sair de Oz e
voltar para o Kansas.
- Muito artstico - acrescentou ela baixinho. - O senhor meio que pode entender o que eu
quero dizer.
- Acho que sim. - o entrevistador mal disfarou o desdm. - Ento, quer me perguntar
alguma coisa?
Serena procurou alguma coisa para dizer que fizesse o entrevistador mudar de idia. Mostre-
lhes no que est interessada, sempre disse a srta. Glos.
Ela encarou o cho, pontinhos minsculos de suor formando-se em suas plpebras. O que o
irmo faria nessa situao? Ele sempre era timo em se livrar da presso. Fodam-se, era sua
expresso favorita.
Exatamente, percebeu Serena.
Tinha dado o melhor de si. Se esse cara no estava interessado nela por algum motivo,
ento, foda-se. Ela no precisava da Brown. Claro que Erik estava ali, mas ela podia cuidar
de sua vida e a famlia teria de lidar com isso. Como o Nate tinha dito antes de eles entrarem
para as entrevistas, e da se eles no a quiserem l? Ela podia ir para outro lugar.
Ela olhou para cima.
- Como  a comida no bandejo? - perguntou ela, sabendo perfeitamente que era uma
pergunta imbecil.
- Provavelmente no se compara com o que voc comeu no sul da Frana- respondeu o
entrevistador com um sorrisinho. - Mais alguma coisa?
- No - disse Serena, levantando-se para apertar a mo dele. No que dizia respeito a ela, a
entrevista estava encerrada.
- Obrigada. - Ela lhe deu o melhor sorriso mais uma vez e depois saiu da sala, o queixo
erguido.
No teve a sorte de sempre desta vez, mas ainda era uma mestra sensacional em recuperar
a classe.


- Tudo bem, ento me fale alguma coisa que leu recentemente - tornou Brigid. - Como um
livro ou artigo. Algo que tenha interessado voc.
Nate pensou no assunto. No era um grande leitor. Na verdade, mal olhou os livros que
tinha de ler na aula de ingls.
Certamente no lia por prazer. Mas ela mencionou um artigo... devia haver alguma coisa.
Ento Nate se lembrou. Ele e os amigos tinham lido um artigo no Times sobre um
comprimido de maconha. Era THC puro. Sem substancias qumicas, sem talos, sem papis
enrolados.
 claro que o comprimido era para gente doente, mas Nate e os amigos tinham outras coisas
em mente.
- Li no Times que esto fazendo uns comprimidos de maconha que  THC puro  comeou
Nate. - Deve ser para cncer e pacientes de AIDS, para, tipo assim, administrar a dor. Mas 
muito controvertido. Acho que todo mundo est preocupado com o uso dele nas ruas. 
muito interessante.
- Parece fascinante - disse Brigid. - Por falar nisso, o que quer dizer THC?
- Tetraidrocanabinol - respondeu Nate sem pestanejar.
Brigid inclinou-se para a frente ansiosa, ameaando cair da mesa novamente.
- O comprimido de que voc falou...  feito pelo homem; tem origem num laboratrio, foi
criado por cientistas inteligentes e  administrado a pessoas doentes por mdicos altamente
treinados. E no entanto pode se tornar o catalisador de todo um novo mundo de trfico de
drogas e crime.
Nate assentiu.
- Totalmente.
- Sabia que h um ramo aqui na Brown chamado estudos de cincia e tecnologia que
acompanha esse tipo de desenvolvimento? Voc devia dar uma olhada.
- Tudo bem - respondeu Nate. Novamente ele teve a sensao de que Brigid no o estava
deixando desistir da Brown. Ela o estava empurrando aos poucos para l.
- Ento, quer me perguntar alguma coisa?  perguntou Brigid.
Que meleca, concluiu Nate. Ele podia passar sem essa.
- E a, mesmo que minhas notas no sejam boas, acha que ainda posso me candidatar?
Blair o mataria por ele no ter se preocupado com Yale, mas Nate percebeu que no se
importava mais com o que Blair pensava. Ele ficaria bem mais tranqilo caso se candidatasse
a uma universidade s, entrasse e depois decidisse se ia continuar ou no. Se fosse para a
Brown, podia velejar no barco que tinha construdo com o pai no Maine e ficar em algum
lugar perto da universidade. No seria legal? Ele respirou fundo e flexionou os msculos da
barriga da perna. Caraca, ele se sentia bem.
- Definitivamente pode - entusiasmou-se Brigid. - Isso realmente demonstra seu
compromisso. Adoramos isso.
- Legal. Vou me candidatar. - Nate mal podia esperar para contar a Jennifer como a Brown
era incrvel.


- Ento voc escreve tambm, no , Daniel?  perguntou Marion com delicadeza.
Dan tirou as mos dos olhos e olhou meio tonto para o escritrio. Marion tinha muitos livros
sobre homens e mulheres e relacionamentos na estante. Ele podia imagin-la toda
enroscada em uma poltrona de sua sala, bebendo bouillon e lendo Homens so de Marte,
mulheres so de Vnus.
Talvez ele devesse pedir emprestado a ela.
- Que tipo de coisas voc escreve? - tentou bajular Marion.
Dan deu de ombros, sem jeito.
- Principalmente poesia.
Ela assentiu.
- Que tipo de poesia?
Dan olhou para baixo, para os sapatos de camura surrados. O calor subiu pelo pescoo e
pelo rosto.
- Poemas de amor. - Ai, meu Deus. Ele nem conseguia acreditar que tinha mandado aquele
poema para Serena. Ela provavelmente achava que ele era um man anormal e psictico.
- Sei - disse Marion. Ela clicou a caneta mais algumas vezes, esperando que Dan falasse
mais.
Mas Dan continuou em silncio enquanto olhava pela janela para a folhagem de outono cor
de fogo que decorava o campus da Brown. Ele se imaginou com Serena andando de mos
dadas pelo gramado da universidade, discutindo livros, peas e poesia. Ele imaginou os dois
lavando a roupa juntos no poro do alojamento, se agarrando em cima da mquina de lavar
enquanto suas roupas giravam sem parar.
Agora ele no conseguia se lembrar por que queria ir para a Brown. Parecia to
despropositado.
- Com licena - disse ele, levantando-se. - Tenho de ir.
Marion descruzou as pernas.
- Voc est bem? - Ela pareceu preocupada.
Dan esfregou os olhos e foi para a porta.
- Eu s preciso de um pouco de ar fresco - disse ele. Abrindo a porta, ele ergueu a mo. -
Obrigado.
Do lado de fora, fumou u, cigarro e olhou para os Van Wickle Gates, a entrada oficial do
campus da Brown. Tinha lido no catlogo que s era usada duas vezes por ano. Abriam-se
para dentro quando um novo grupo de calouros comeava o ano com a convocao, e para
fora quando uma turma saa depois da formatura.
Dan se imaginou andando com Serena pelos portes, de braos dados com sua toga de
formatura.
Ele imaginou tantas coisas que no seria surpresa nenhuma se a prpria Serena fosse um
produto de sua imaginao.
Neca.
- Ei, Dan, vamos dar o fora desta merda - gritou Serena do carro. - Meu irmo conseguiu
muita cerveja.
Dan atirou fora o cigarro. Impressionante, cara, pensou ele sarcasticamente. Mal podia
esperar para beber cerveja e sair com um bando de caras em uma universidade para onde
no ia mais porque tinha tido um colapso nervoso durante a entrevista.
Teve a tentao de dizer a Serena e aos outros que ia pegar um nibus para casa.
Mas ento ele se virou e viu como o sol se derretia nos cabelos dourados de Serena, como
seus dedos plidos brilhavam no volante, como Serena sorria para ele. No fez com que ele
se esquecesse de todos os problemas, mas foi o bastante para que ele fosse at o carro e
entrasse.
Pelo menos ele teria mais material novo para sua poesia deprimente.



guerra e paz

Jenny ficou feliz de ir  exibio de Vanessa no The Five and Dime, porque havia apenas
mais uma pessoa no publico alm de Clark. Mas isso no pareceu perturbar Vanessa.
- Pega uma cadeira a - disse a Jenny. - J vamos comear. - Ela foi para o fundo da sala e
reduziu as luzes. A TV sobre o bar tremeluzia, azul.
- Espera a - pediu Clark de trs do baldo.  Tenho de tirar a gua do joelho.
O lugar cheirava a fumaa de cigarro velha e cerveja choca.
Uma garota vestindo cala de couro azul e uma camiseta surrada preta estava sentada
sozinha no balco. Tinha uma tatuagem de macaco no bceps. Jenny se sentou perto dela.
- Oi - disse a garota, estendendo a mo, que era coberta de anis de prata. - Eu sou a irm
da Vanessa, Ruby.
- Jennifer. Gostei da sua tatuagem.
- Obrigada. Ei, vou tomar uma Coca. Quer tambm?
Jenny assentiu, Ruby balanou os cabelos pretos e curtos e gritou para a porta do banheiro.
- A, d pra trazer duas Cocas, cara?
Clark saiu do banheiro.
- A seu dispor! - gritou para ela.
- Gosto de faz-lo merecer o dinheiro que ganha - brincou Ruby.
Vanessa deixou-se cair ao lado de Jenny e bateu as pernas no balco do bar com
impacincia.
- Vocs vo assistir ou no?
Havia raspado a cabea recentemente. Estava particularmente estranho e parecia uma
cpula. Jenny se perguntou se ela devia dizer alguma coisa, tipo "corte legal". Mas decidiu
que seria suspeito.
Clark encheu dois copos de Coca e os deslizou pelo balco.
Apertou play no vdeo e foi para o outro lado, passando o brao pela cintura de Vanessa.
- E agora a apresentao de nosso filme - brincou ele com uma voz de locutor de cinema.
Vanessa fez uma careta.
- S assista - disse ela.
Jenny grudou os olhos na TV quando o filme comeou.
A cmera quicou pela rua 33, seguindo Marjorie Jaffe, segundanista da Constance, enquanto
ela andava para o Madison Square Park. Marjorie tinha cabelo ruivo frisado e usava um
cachecol verde-bandeira.
O verde-bandeira  timo se voc o usa ironicamente. Mas Marjorie parecia que estava
levando aquilo muito a srio.
Marjorie atravessou a rua e entrou no parque. Depois parou e a cmera girou numa
panormica de seu rosto. Estava mascando chiclete, brincando com ele lentamente entre os
dentes enquanto os olhos varriam o parque, procurando por algum. No canto da boca havia
uma ferida feia que ela tentara cobrir com maquiagem, sem conseguir. Era detestvel.
Por fim Marjorie pareceu encontrar o que estava procurando.
A cmera a seguiu enquanto ela corria para um banco do parque. E no banco estava Dan.
Estava deitado de costas, um brao tombado, os dedos roando o cho. Suas roupas
estavam amarrotadas e os sapatos desamarrados. Um cachimbo de vidro para crack pousava
no peito, e havia fragmentos de lixo presos nos cabelos. A cmera se demorou em seu corpo
parado. O sol estava se pondo e as bochechas dele brilhavam num rosa-alaranjado com a
luz.
Jenny tomou um gole da Coca. Na verdade, seu irmo estava fazendo um junkie bem
convincente.
Dan no se mexia. E depois, lentamente, seus olhos se abriram.
- Estava dormindo? - perguntou Marjorie, examinando-o. Mascou o chiclete algumas vezes e
enxugou o nariz com as costas da mo.
- No, procurei por voc por muito tempo. Eu sabia, por instinto, que voc estaria aqui. S
voc me d essa sensao de repouso suave... que luz! Sinto-me exsudando de pura alegria.
Jenny sabia que o filme tinha sido adaptado de uma cena de Guerra e paz de Tolstoi. Era
meio estranho ouvir o irmo falar como algum do sculo XIX, mas era meio bacana
tambm.
Marjorie comeou a amarrar os sapatos de Dan, ainda mascando o chiclete. No parecia
estar tentando interpretar um papel. Ela simplesmente estava ali. Jenny no sabia se era
intencional ou no.
Antes que terminasse de amarrar os sapatos, Dan se sentou e a pegou pelos pulsos. O
cachimbo de crack rolou para o cho e se desfez em pedaos.
- Natasha, eu a amo com tanta ternura! Mais do que tudo no mundo! - arfou ele, tentando
se sentar e depois afundando novamente no banco como se sentisse dor.
- Calma a, soldado - disse Marjorie. - No v ter um enfarte.
Ruby deu uma gargalhada.
- Essa garota  demais! - gritou ela.
Vanessa olhou para ela.
- Shhhhh!
Jenny ficou de olho na tela. Dan tentou pegar o cachimbo de crack, mas s o que restava
eram cacos de vidro.
- Cuidado - alertou Marjorie. Vasculhou o bolso e pegou um chiclete. - Toma - disse ela,
estendendo-o para ele.   de gualtria.
Dan pegou o chiclete e o colocou no peito, como se estivesse exausto demais para
desembrulh-lo e coloc-lo na boca.
Depois fechou os olhos e Marjorie pegou novamente a mo dele. A cmera se afastou,
percorrendo o cho do parque. Parou para ver um pombo em uma camisinha usada no cho
e depois zuniu para a rua 23, percorrendo o rio Hudson, onde observou o sol se pr e
desaparecer. Depois a tela escureceu.
Vanessa se levantou e acendeu as luzes.
- O que estava rolando no fim com o pombo e a camisinha? - perguntou Clark. Foi para trs
do balco e pegou uma garrafa de Corona na geladeira. - Algum quer alguma coisa?
-  um filme melanclico. -Vanessa ficou na defensiva. - No tem de fazer sentido.
- Achei hilrio. - Ruby pegou seu copo e mastigou um gelo. - Mais Coca, por favor - pediu ela
a Clark.
- No era para ser engraado - disse Vanessa com raiva. - O prncipe Andrei est morrendo.
Natasha nunca mais o ver de novo.
Jenny sabia que Vanessa estava se esforando muito para no perder o rebolado.
- Achei a fotografia tima. Especialmente aquelas tomadas no fim.
Vanessa olhou para ela com gratido.
- Obrigada - disse ela. - Ei, voc nunca viu o fim do filme de Serena, viu?  bem decente.
- .- Mas voc fez todo o trabalho com a cmera para ele tambm, n?
Vanessa deu de ombros.
- . Todo ele.
-  srio. Seu filme  bom, mas eu gostei mais de Planeta dos macacos - brincou Ruby.
Vanessa revirou os olhos. Sua irm podia ser to imatura.
- Isso porque voc  uma idiota - rebateu ela.
- Eu gostei. - Clark tomou urn gole da cerveja. - Apesar de no ter sacado muito.
- No tem nada para sacar - retrucou Vanessa, exasperada.
Jenny no estava gostando de ficar sentada ali ouvindo aquela discusso. Tinha vindo a
Williamsburg para se divertir, e no para ser torturada.
- Ei, quer sair para comer em algum lugar ou coisa assim? - perguntou ela a Vanessa.
Vanessa pegou o casaco no balco do bar e enfiou os braos nele.
- Definitivamente - disse ela. - Vamos dar o fora daqui.


Elas foram a uma cafeteria especializada em comida do meio-leste e pediram hummus e
chocolate quente.
- E a, Jennifer. Com uma prateleira dessas, voc deve ter, tipo assim, uns sete namorados -
disse Vanessa, apontando diretamente para o peito de Jenny.
Jenny ficou sem graa demais ate para perceber como a pergunta de Vanessa tinha sido
grosseira.
- Bem, eu... meio que... tenho um.
- ?
- . Mais ou menos. - Jenny corou, lembrando-se de como Nate a havia beijado no parque.
Ele prometeu telefonar assim que voltasse da Brown. S de pensar nisso ela suava frio.
A garonete trouxe o chocolate quente.
Vanessa arrastou a cadeira para a frente e soprou na caneca.
- Ento me fala desse cara.
- O nome dele e Nate, e ele  do terceiro ano da St.Jude - comeou Jenny. -  meio doido,
mas  um doce e totalmente despretensioso, sabe como , para um cara que mora tipo
numa casa de um bilho de dlares.
Vanessa assentiu.
- Sei. - Parecia o tipo de cara que jamais ficaria, nem remotamente, interessado nela.  E
vocs esto tipo assim, saindo? Ele no  meio que... sei l, velho?
Jenny limitou-se a sorrir.
- Nate no liga. Ele s... gosta de mim. - Ela soprou feliz o chocolate quente, deixando que o
vapor atingisse seu rosto.
Vanessa estava a ponto de perguntar se Jenny tinha conscincia do carter de Nate. Isso
podia explicar por que ele gostava tanto dela.
- Quer dizer, a gente nem se beijou ainda nem nada - continuou Jenny, antes que ela
pudesse abrir a boca. - O que me faz gostar ainda mais dele. Ele no  vaselina, entendeu?
Ele nem olhou para o meu peito.
- Caraca! - Vanessa estava impressionada.
- Alis - acrescentou Jenny, dando um gole no chocolate. - Ele foi para a Brown neste fim de
semana. Ser que topou com o Dan?
- Talvez. - Vanessa deu de ombros, tentando fingir que no se importava. Preferia no ficar
cheia de urticrias sempre que algum falava no nome de Dan.
A garonete trouxe o hummus e Vanessa mergulhou um pedao de po rabe nele, girando-
o.
Jenny sabia que Vanessa ainda estava muito a fim de Dan - o filme era em parte um
testamento a isso. Mas Dan estava com Serena agora. E se Dan estava com Serena, Jenny
tinha acesso a Serena, que era o que Jenny sempre quis. Ou no era?
Jenny mergulhou o dedo mindinho no hummus, trouxe a boca e chupou, pensando. Dan
ficava naquele seu humor infeliz estivesse ou no com Serena, embora Jenny tivesse de
admitir que meio que sentia falta dele. E quando realmente pensou nisso, percebeu que no
precisava que Serena sasse com Dan para ela sair com Serena. Afinal, tinha ajudado Serena
no filme. Podia conversar com ela sempre que quisesse.
No era mais a irmzinha de Dan. Era Jennifer, sua prpria pessoa, com um gostoso do
terceiro ano como namorado.
Ela olhou para cima e sorriu para Vanessa. Talvez pudesse ajud-la.
- Sabe de uma coisa, a Serena tentou ler um dos livros preferidos de Dan  disse Jenny.  E
odiou totalmente. Nem conseguiu terminar.
Vanessa franziu a testa.
- E da?
Jenny deu de ombros.
- E da que eu s no acho que eles tenham muito em comum,  isso.
Vanessa estreitou os olhos.
- Isso partindo de uma garota que praticamente lambe as solas dos ps de Serena se ela
pedir.
Jenny abriu a boca para dizer alguma coisa em sua defesa.
Depois fechou-a novamente. Era verdade: ela vinha seguindo Serena por a como um
cachorrinho. Mas no faria mais isso. Agora seu nome era Jennifer.
- Eu s acho que, se voc ainda sente algo pelo Dan, devia fazer alguma coisa, e isso. Voc
pode se surpreender.
- No tenho de fazer nada - tornou Vanessa rapidamente.
Pegou um tringulo de po rabe e o rasgou com raiva pela metade.
- Tem sim.
Vanessa no gosta de ouvir o que fazer, especialmente de uma criancinha. Mas Jenny
parecia sincera e, se Vanessa fosse sincera consigo mesma, teria de admitir que ela
definitivamente ainda sentia alguma coisa por Dan.
Ela passou a mo pela cabea quase careca e ergueu os olhos para encontrar os de Jenny.
- Voc acha mesmo?
Jenny inclinou a cabea. Vanessa tinha uma estrutura ssea bem decente. Com um
brilhozinho nos lbios ela podia realmente parecer uma garota. No era nem metade to
durona e estranha quanto queria parecer.
- Voc podia deixar o cabelo crescer um pouco, e podia rolar. Quer dizer, vocs j so
amigos. Voc s tem de partir para o nvel seguinte.
D um namorado a uma garota e ela se transforma numa especialista em relacionamentos.




b pira completamente

- E a, como  que foi? - perguntou Aaron quando Blair voltou para o carro depois da
entrevista. Ele estava sentado no cap do Saab tocando delicadamente o violo e fumando
outro cigarro de ervas. Parecia se sentir em casa em Yale.
- Foi tudo bem, eu acho - respondeu Blair, hesitante. A ficha ainda no tinha cado.Ela abiu a
porta do carona, sentou-se e tirou os sapatos. - Acho que estou com um calo. Merda de
sapatos.
Aaron abriu a porta do motorista e entrou.
- E a, o que perguntaram a voc?
- Sabe como , por que Yale... essas coisas - disse Blair vagamente. Toda a entrevista era
um borro para ela agora Estava feliz por ter acabado.
- Parece bem padro. Tenho certeza de que voc foi bem.
- ... - Blair se virou e pegou a bolsa no banco de trs.
Contos escolhidos de Edgar Allan Poe estava no banco traseiro.
Blair se lembrou de uma das perguntas do entrevistador
Pode me falar de um livro que leu a pouco tempo e gostou muito?
Epa.
De repente, tudo voltou a sua mente. Ela se remexeu, tremendo.
- Merda - resmungou ela, quase num sussurro.
- Que foi?
- Estraguei tudo. Eu fodi completamente com tudo.
- Como assim? - perguntou Aaron confuso.
Blair esfregou a espinha acima da sobrancelha.
- Ele me perguntou se eu tinha lido algum livro bom ultimamente. Sabe o que eu disse?
Aaron sacudiu a cabea.
- O qu?
- Eu disse a ele que no tinha lido nada porque minha vida  uma droga total. Disse que
roubei numa loja. Disse que eu era suicida.
Aaron olhou para ela, os olhos arregalados.
Blair olhou para o lindo campus de Yale pela janela. Queria ir para l desde que veio pela
primeira vez com o pai para ver o jogo de futebol americano entre Yale e Harvard no fim de
semana dos ex-alunos, quando tinha seis anos. Yale era seu destino. Era s o que ela queria.
Por causa disso ela no saa mais nas noites de fim de semana, para realmente estudar para
as provas. Estava to confiante que ia conseguir, e em poucos minutos tinha ferrado tudo
completamente. Como ia encarar os outros depois disso?
Aaron ps a mo no ombro dela.
- E voc ? Suicida?
Blair sacudiu a cabea.
- No. - Ela afundou no banco, o peito pesando enquanto as lgrimas de raiva rolavam pelo
rosto. - Mas eu devia ser.
- E voc realmente roubou numa loja?
- Cala a boca - rebateu Blair, tirando a mo dele do ombro dela. -  tudo culpa sua. Voc me
deixou acordada at tarde. Eu devia ter pegado o trem de manh como tinha planejado.
- Ei, eu no disse para voc falar essas coisas todas na entrevista - corrigiu-a Aaron. - Mas
eu no me preocuparia tanto com isso, A entrevista s conta para um quinto processo todo.
Voc ainda pode conseguir.Mesmo que no consiga, tem um bilho de outras universidades
boas por a.
Blair considerou isso. Ela tentou se lembrar de como tinha sido o resto da entrevista.Talvez
aquela pisadinha no tomate no tenha sido assim to importante.
Depois ela se lembrou do que tinha feito no fim da entrevista.
Blair bateu a cabea no encosto do banco.
- Ah, meu Deus!
Aaron colocou a chave na ignio e deu a partida.
- Que foi?
- Eu beijei o cara.
- Quem?
- O cara. O entrevistador.Eu o beijein no rosto antes de sair - disse Blair. Seu lbio inferior
tremeu e mais lgrimas rolaram pelo rosto. - Foi totalmente anormal.
- Caraca! - Aaron parecia meio impressionado. - Voc deu um beijo no seu entrevistador?
Aposto que foi a primeira pessoa que fez isso com ele.
Blair no respondeu. Virou o corpo para a janela e cruzou os braos, chorando
miseravelmente. O que ia dizer ao pai? O que ia dizer a Nate? Tinha dado uma dura nele por
no querer ir para Yale, e depois ela foi e transformou sua prpria entrevista numa farsa.
- T legal, sabe de uma coisa? - disse Aaron, dando a r no estacionamento. - Acho que a
gente devia dar o fora daqui antes que eles chamem a polcia. - Ele sorriu e pegou um
guardanapo sujo da Dunkin' Donuts no cho do carro dando-o a Blair para que assoasse o
nariz. - Toma.
Blair deixou o guardanapo cair no cho. No podia imaginar como tinha chegado a essa
situao. Andando num carro sujo com um vegetariano abertamente otimista, cheio de
trancinhas, que logo ia se tornar seu irmo. Ficando acordada at tarde, comendo besteira e
tomando cerveja. Desabafando com o entrevistador de Yale e depois beijando-o, e ferrando
totalmente seu futuro. Esse tipo de coisa no acontecia com ela. Elas aconteciam com
fracassados com problemas. Os atores que apareciam o tempo todo em selees de elenco
mas nunca conseguiam um papel. Gente com o cabelo ruim e problemas de pele e roupas
horrorosas e sem nenhuma habilidade social. Blair tocou a espinha na testa mais uma vez.
Ah, meu Deus. Era nisso que estava se transformando?
- Vamos tomar o caf da manh em algum lugar? - perguntou Aaron, entrando na estrada
para New Haven.
Blair afundou no banco. Sequer podia pensar em comer novamente.
- Vamos para casa - disse ela, contrariada.
Aaron colocou o CD de Bob Marley e pegou a via expressa, enquanto Blair olhava pela
janela, tentando pensar em motivos para viver.
Havia o festival de cinema da Constance na segunda. Se ela ganhasse , teria mais pontos no
currculo, e talvez Yale fizesse vista grossa para sua entrevista. Talvez eles se esquecessem
de que ela era esquisita, porque, afinal, era uma artista.
E se ela ganhasse o concurso, mas ainda assim no fosse para Yale, podia se tornar
totalmente artista e comear a usar s preto, como a esquisita da Vanessa, e se candidatar 
Universidade de Nova York ou ao Pratt. E se ela no ganhasse? Era mais uma coisa para
acrescentar em sua lista de motivos para a vida estar totalmente fodida.
Para piorar as coisas, no fim de semana que vem era o dia do salo de beleza de sua me e
o almoo das damas de honra. Blair ia ter de ser agradvel e entusiasmada. Podia at ter de
falar com Serena. Eeeeca!
E depois , no sbado seguinte, era o dia do casamento. O dia do seu aniversrio.E o dia em
que finalmente devia perder a virgindade com Nate.
Blair apertou os olhos o mximo que pde, tentando se lembrar da imagem de seu sonho na
noite anterior, Nate abrindo uma garrafa de champanha no quaro de hotel, usando a sensual
cala de pijama de cashmere. E ela imaginou o cachorro de Aaron trotando para ela com
uma carta na boca rabugenta. A carta foi escrita em Yale e dizia:
"Cara srta.Waldorf, Lamentamos informar que a senhorita teve sua admisso indeferida em
Yale. Obrigada por tentar, e tenha uma boa vida. Atenciosamente, Escritrio de Admisso da
Universidade de Yale.
Blair abriu os olhos e prendeu a respirao. No, disse a si mesma com firmeza. No ia ser
uma fracassada.Ia entrar em Yale, no importava como. Ela e Nate iam ficar juntos. Iam
morar juntos e fazer o que sempre quiseram fazer. Essa era a vida que tinha imaginado para
si mesma e era assim que ia acontecer.
Ela se virou para Aaron.
- A primeira coisa que vou fazer quando chegar  telefonar para papai e pedir a ele para
doar alguma coisa a Yale - disse ela, decidida. No era exatamente suborno, era? esse tipo
de coisa acontecia o tempo todo! E no  que ela fosse m aluna ou coisa assim.
Entretanto, seu entrevistador definitivamente no ia se esquecer daquele beijo to cedo. A
doao do pai ia ter de ser imensa.


                               Gossipgirl.net
    ___________________________________________________________________

            temas / anterior / prxima / faa uma pergunta / respostas

  Advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram alterados ou
                  abreviados para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.


                                         oi, gente!

QUEM EST COM QUEM?

Ser que D desistiu totalmente de S ? Ser que S est desprezando D de propsito ou s
est sendo distrada daquele jeito fabuloso dela? E N realmente est sendo srio com J?
Quer dizer, ser que ele realmente vai passar a perna em B quando ela mais precisa? Por
uma aluna da stima srie? Faam suas apostas.

VOCS SABIAM QUE ISSO IA ACONTECER

A universidade de Yale acaba de anunciar a adio do Yale Waldorf Vineyard, e uma nova
cadeira sobre administrao de vinhedos foi acrescentada ao currculo. Os alunos produziro
seus prprios vinhos, que ser vendido por lojistas locais com o nome da universidade no
rtulo. Todo semestre um grupo de alunos morar e trabalhar no novo vinhedo da
universidade da Frana, dominando a arte de fazer vinho, comendo comida francesa e
falando francs com os nativos. O vinhedo estar pronto e operando no vero, graas a
generosa doao do pai de uma aluna em potencial.

Parece que o Papai fez a doao, mas B ainda vai ter de esperar at abril para saber se
entrou, como todo mundo. O suspense est me matando!

Seu e-mail

P: Cara GG,
Eu soube de umas coisinhas sobre todos os filmes que entraram no festival de cinema da
escola. (Eu sou da constance tambm). De qualquer forma, acho que B deve ganhar.  srio.
Sei que o filme dela parece repetitivo, mas ele deve ter esse efeito legal de clipe da MTV. Eu
sou da turma de cinema dela e ela  a melhor na edio, ento aposto que vai ficar muito
bacana. S nem sabe como ligar a cmera, e os filmes de V sempre so to pretensiosos. 
isso a.
- RainDay

R: Cara RainDay,
Achei que o filme de B no tem nada a ver, mas estou disposta a levar o que voc disse em
considerao.
Cabe aos jurados decidirem na segunda. E o destino dos perdedores  extravasar a decepo
de alguma forma escandalosa. T doida pra ver!
- GG.

Flagra

J e V fazendo compras na Domsey's em Williamsburg. V na verdade estava comprando um
lindo vestidinho preto. Ela deve mostrar mesmo a D que se importa. B e A andando com a
me, o pai e o planejador de casamento a caminho do seu prdio na rua 7. B no parecia
feliz. D, S, N e amigos saindo da Grand Central no domingo  tarde. Os seis pareciam na
maior ressaca, mas qual  a novidade nisso?

OUTRA COISINHA

 tempo de ao de graas, tempo de dar graas pelo que temos. Ento...obrigada por todas
as calas de couro legais da Intermix e o maravilhoso casaco de couro que comprei na
Scoop. Obrigada a todo cara que conheci e aos que no conheci ainda por ficarem cada vez
mais gatos com a idade.
E obrigada a todos por se comportarem mal constantemente e me darem o que falar.
Vem mais por a.

                                   Pra voc que me ama,

                                         gossip girl




e a vencedora ...

A sra. McLean, diretora da Constance Billard School, tinha determinado que as garotas do
secundrio fossem dispensadas das duas ltimas aulas na segunda-feira para comparecer ao
festival de cinema do terceiro ano. As meninas do primeiro ao terceiro ano encheram o
auditrio e pegaram seus lugares.
Uma grande tela branca foi pendurada no teto sobre o palco. As concorrentes se sentaram
na fila da frente, Blair, Vanessa e Serena entre elas. Arthur Coates, o famoso ator que era
pai de Isabel, sentou-se no pdio, pronto para fazer um discurso e apresentar os filmes.
Serena ficou no fim da primeira fila, perto da janela, olhando rapidamente para quem
passava vestido pela rua 93. Suas unhas j estavam no sabugo, e ela estava preocupada
com um fiozinho puxado na meia-cala preta que podia se transformar em um fiozo puxado
que subia de seu tornozelo para a coxa.
 claro que ela ainda estava bonita. Ela sempre estava.
Mas Serena estava nervosa. Era seu projeto extracurricular.
Ganhar o concurso era a nica maneira de ela mostrar as universidades que era mais do que
uma garota que foi expulsa do internato porque no se preocupou em voltar a tempo para as
primeiras semanas de aula, ou uma garota cujas notas eram menos que espetaculares. Ela
no era uma fodida completa.
Era criativa. Tinha substncia. Tinha bom gosto.
E se eles no conseguissem ver isso, ento, fodam-se... N?


Vanessa tambm estava nervosa, embora no deixasse transparecer. Sentou-se na cadeira
com um baque, desenhando Xs na capa de seu fichrio que brilhava sobre seus Doc Martens
no cho de madeira do auditrio. Jenny disse que tinha gostado. E mesmo que a histria no
tenha funcionado como Vanessa pretendia e a qumica entre Marjorie e Dan no fosse nada
quente, a fotografia era excelente. Mesmo antes de comear a fazer o filme, ela j contava
com a vitria na competio. Ia dar um empurrozinho em sua aceitao na Universidade de
Nova York.


Blair sentia-se enjoada por uma variedade de motivos.
Tinha telefonado, mandado e-mails e mensagens instantneas para Nate desde que voltara
para a cidade no sbado a tarde, e ele no respondeu. Na noite passada ela quase
despencou para a casa dele para ver o que estava pegando, mas ento sua me a arrastou
para uma prova no St. Claire Hotel para decidir sobre a comida do casamento. Como se Blair
desse a mnima se a quenelle tinha gosto de peixe demais ou o molho da salada era muito
gorduroso. Depois de experimentarem quatro pratos, ela teve de ouvir a me e o planejador
da festa terem uma discusso vazia sobre se os arranjos florais deviam ser altos ou baixos -
com caules compridos ou caules curtos. Com os altos as pessoas teriam problemas para ver
sobre eles. Os baixos no ficariam to impressionantes. Optaram por um meio termo, como
se no fosse a coisa mais bvia do mundo.
Quando chegou em casa, seu pai tinha deixado um recado na secretria eletrnica,
perguntando como Blair tinha se sado na entrevista em Yale. Blair no retornou a ligao. A
lembrana de sua entrevista repugnante estava grudada nela como um fedor persistente e
ela se recusava a discutir aquilo com algum. Falar no assunto seria admitir a derrota, e
Blair no estava preparada para isso ainda. Em vez disso, ela mandou para o pai um e-mail
encantador contando a ele tudo sobre como o entrevistador era fascinado por vinhos e que
estava tentando h anos montar um curso de administrao de vinhedos para o currculo.
No falou nada da verdadeira entrevista, limitando-se a dizer a ele que uma doao lhe
garantiria um lugar "certssimo" em Yale. Com algumas linhas, deixara o pai morrendo de
vontade de doar toda a propriedade. Ela era uma mestre na persuaso.
Hoje a competio de cinema traria outra oportunidade para que sua sorte mudasse.
Tinha de mudar. Simplesmente tinha de mudar.


- Obrigado por terem vindo  comeou o sr. Coates, dando seu sorriso notoriamente
encantador. Tinha estrelado um programa de TV quando adolescente, teve um disco de
platina aos 20 anos e fez todo tipo de clipes de msica sensuais. Agora era uma estrela de
cinema e de anncios da Pepsi. - Hoje tenho a honra de apresentar a prxima gerao de
novos talentos da indstria do cinema.
Ele passou a falar um pouco sobre a histria das mulheres no cinema. Marilyn Monroe.
Audrey Hepburn. Elizabeth Taylor. Meryl Streep. Nicole Kidman. Julia Stiles.
Depois apresentou o primeiro filme. O de Serena. As luzes se apagaram e o filme comeou a
rodar.
Borboletas nervosas adejavam pela barriga de Serena enquanto ela assistia ao filme no que
parecia a centsima vez. Mesmo assim, o filme pareceu resistir. Na verdade, ela comeou a
ter um certo orgulho dele.
- Hmmm. Pode-se dizer que e estranho?  cochichou Becky Dormand para seu cortejo de
meninas.
- Ah, meu Deus. Como ela fica piranha nesse vestido! - sibilou Rain Hoffstetter para Laura
Salmon na fila de trs, onde estavam sentadas as alunas do segundo grau.
- E d pra ver totalmente os peitos dela no espelho da sala de provas - sussurrou Laura de
volta.
Quando a tela escureceu e as luzes se acenderam, o pblico aplaudiu. No foi um aplauso
louco, furioso, cheio de gritos, mas foi firme. Algum assoviou e Serena virou o pescoo para
localizar quem foi. Era o sr. Beckham, o professor de cinema.
Ela nem era aluna dele.
- Eu soube que ela nem fez o filme sozinha  cochichou Kati Farkas para Isabel Coates.  Ela
pagou a um diretor famoso para fazer para ela.
Isabel assentiu.
- Acho que foi Wes Anderson - disse ela.
Em seguida, o sr. Coates apresentou mais dois filmes. O primeiro era uma conversa de
Carmen Fortier com sua av de 94 anos, principalmente sobre os mritos de ver Vila
Ssamo, e no fazia l muito sentido. O outro era o giro que Nicki Button fez em sua casa de
campo em Rumson, Nova Jersey, chato pra caramba, especialmente quando ela recitou os
nomes de todos os animais empalhados que vinha colecionando h anos. Fluffemutter. Larry.
Bow Wow. Horsie. Ralph. Pigsy-porra-Wigsy.
Tipo assim, quem  que liga pra isso?
As meninas da Constance aplaudiram educadamente e depois o sr. Coates apresentou o
filme de Vanessa.
No momenta em que o cabelo ruivo e frisado de Marjorie apareceu na telona, Vanessa
comeou a rir de nervoso. Raramente ria ou at sorria em pblico, mas Marjorie era to
ridcula que ela no conseguiu evitar. Todo o seu corpo estava tremendo e ela teve de olhar
para outra coisa. Perto dela, Blair Waldorf cruzou as pernas daquele jeito meio nojentinho
dela e olhou para Vanessa com desagrado. Depois a cmera se movimentou amorosamente
sobre a forma amarfanhada de Dan e Vanessa parou de rir. Meu Deus, ele era lindo.
A sala ficou em silncio por um momento depois que o filme terminou. Ento Jenny comeou
a aplaudir de onde estava sentada com as outras alunas da stima srie. O sr. Beckham
assoviou alto e a sala irrompeu em aplausos.
-  isso a, Marjorie! - gritaram algumas segundanistas.
- Aquela da camisinha foi mesmo indecente  cochichou Kati para Isabel no fundo da sala.
- Que meleca foi aquilo? - perguntou Laura.
- Essa garota  seriamente perturbada - disse Rain.
Por fim era a vez de Blair.
Blair apertou o PalmPilot no peito quando Audrey Hepburn comeu seus croissants uma vez
depois da outra. No fundo da sala, suas amigas danavam nas cadeiras com a msica e
bateram palmas ruidosamente quando o filme terminou.
- Bacana - disse Isabel a Kati. - No foi?
- Totalmente - concordou Kati.
- Foi legal - cochichou Becky Dormand as amigas. - Quer dizer, ela provavelmente no teve
muito tempo para trabalhar nele, agora que est to ocupada preenchendo requisies para,
tipo assim, cada universidade da Costa Leste.
- Eu soube que mesmo que ela entre em Yale, vai ter de adiar a admisso por um ano para,
tipo assim, poder fazer uma terapia intensiva - disse outra garota do primeiro grau.
- Voc quer dizer por causa daquela coisa com o filho do padrasto? Eu soube que eles esto
dormindo juntos desde que voltaram - espetou Becky.
- Que nojo! - exclamaram as outras garotas.
Por fim Arthur Coates se levantou com um envelope branco na mo.
- Vocs devem saber que no existem realmente vencedoras ou perdedoras - comeou ele.
Blair engoliu em seco, nervosa. Ah, t, t. Abre a porcaria do envelope.
- E a vencedora ...
Uma longa pausa.
- Serena van der Woodsen!
Silncio absoluto.
Ento Vanessa se levantou e assoviou como a irm a ensinara.
Estava decepcionada, mas o filme de Serena era bom, e foda-se - Vanessa tinha orgulho de
ter participado dele.
Quando viu Vanessa, Jenny se levantou tambm, batendo palmas alto. Depois o sr. Beckham
se levantou e gritou, "Bravo!", e o resto da escola se juntou a ele.
Serena foi at o pdio tonta de felicidade e recebeu o prmio - duas passagens a Cannes e
trs noites em um hotel cinco estrelas durante o festival de cinema na primavera. Ela
hesitou, colocando os cabelos louros e brilhantes atrs das orelhas, e se inclinou para o
microfone.
- Gostaria que outras duas meninas estivessem aqui comigo. Vanessa Abrams e Jennifer
Humphrey. Eu no teria feito nada sem elas.
Vanessa mostrou a lngua para Jenny do outro lado do auditrio e depois foi para o pdio,
para se juntar a Serena.
Afinal, tinha feito todo o trabalho com a cmera, merecia alguma porra de crdito por tornar
tudo aquilo possvel.
Serena apertou a mo de Vanessa e deu-lhe uma passagem de avio.
- Obrigada - sussurrou ela. - Quero que fique com isso.
Jenny passou empolgada pelos joelhos das colegas e se juntou a Serena e Vanessa no pdio.
Serena lhe deu um beijo no rosto e colocou a outra passagem area em sua mo.
- Voc  incrvel- disse Serena. Jenny corou: nunca ficara de frente para o pblico antes.
Isso no est acontecendo, pensou Blair. Ela se sentou toda dura na cadeira e fechou os
olhos para no ouvir os aplausos. Estava dormindo. Eram s trs da manh. A segunda-feira
ainda nem tinha comeado. Tinha horas pela frente, at que subisse orgulhosa no palco
usando seu cardig tingido de lils para receber o prmio do sr. Coates.
Desculpa a.
Blair abriu os olhos. Serena ainda estava sorrindo irritantemente para o pblico.
E Blair ainda estava estrelando o filme mais deprimente que j foi feito. O filme que era a
vida dela.



romnticos torturados no conseguem dizer no

- Ganhei! - gritou Serena.
Dan chutou uma garrafa quebrada de Snapple na West End Avenue e apertou o celular na
orelha.
- Ganhou o qu? - perguntou ele, tentando dar a impresso de que no estava interessado.
- O festival de cinema do terceiro ano - exultou Serena, animada. - Eles gostaram! Nem
acredito nisso. Vanessa disse at que eu devia pensar em me candidatar a faculdades de
arte. Eu posso ser cineasta!
- timo - disse Dan. Ele no conseguia pensar em uma resposta mais adequada. Toda vez
que ouvia a voz de Serena, ou at pensava nela, sentia que estava sendo torturado.
- Mas a, eu s queria que voc soubesse, porque voc viu o filme e tudo.
Nenhuma reposta.
- Dan?
- Qu?
- S queria ter certeza de que estava a. Mas a - Continuou matraqueando -, tenho de fazer
todas aquelas coisas do casamento no fim de semana, ento no vou poder sair. Mas voc
ainda vai no casamento comigo, n?
Dan sacudiu a cabea. Diga no a ela, ordenou sua mente.
- Voc prometeu.
- Claro - disse ele. Seu corao sempre ganhava.
- Legal. Tudo bem, a gente se v depois. Tchau.
Ela desligou. Dan se sentou no degrau da escada de algum e acendeu um cigarro, trmulo.
Ser que estava exagerando?
Ser que tinha entendido tudo errado? Talvez Serena se importasse, pelo menos um pouco.
J era alguma esperana.
E uma coisa para tortur-lo ainda mais.


j tem um gosto melhor

- Ento, foi legal na Brown? - Jenny perguntou a Nate. Eles estavam sentados ao lado do
pequeno lago de barcos no Central Park, vendo os garotinhos navegarem seus barquinhos de
brinquedo, passando por patos preguiosos e folhas que boiavam.
Nate segurava a mo dela e isso fazia com que Jenny se sentisse to bem que no
importava se eles conversassem ou no.
- Sim - fez Nate. - Quer dizer, eu ainda tenho de me dar bem neste ano e escrever meu
ensaio e toda essa merda. Mas no estou pensando em ir para a faculdade no ano que vem,
t entendendo? E agora eu estou meio confuso.  Ele levantou a mo de Jenny na frente do
rosto e examinou os dedinhos dela.
Jenny deu uma risadinha.
- O que est fazendo?
- Sei l. Mas  bom ver voc. - Nate sorriu para ela.- Jennifer, fiquei pensando em voc o fim
de semana todo, e agora voc est aqui.
- Eu tambm  disse Jenny, sorrindo tmida. Novamente ela se perguntou se Nate ia beij-la.
- Eu me senti meio mal antes, quando a gente estava no parque  continuou Nate.  Sabe
com o qu, quando meus amigos apareceram?
Jenny assentiu. Sim?
- Tinha uma coisa que eu queria fazer  disse Nate.  E eu devia ter continuado e feito.
Sim, sim!
Nate a puxou para si. Os dois continuavam de olhos abertos, sorrindo enquanto se beijavam.
Jenny tinha beijado dois garotos durante uma brincadeira de beijo em uma festa uma vez,
mas beijar Nate foi o melhor momento de toda sua vida. Ela achava que ia explodir de
felicidade.
Nate ficou surpreso com o modo como Jenny beijava. Definitivamente era melhor do que
quando beijava a Blair. Jennifer tinha um gosto melhor. Como donut de acar ou sorvete de
baunilha.
Ele se afastou, ainda olhando a cara rubra e feliz de Jenny.
Jennifer no sabia sobre Blair e Blair no sabia sobre Jennifer. Ele vinha ignorando os
telefonemas de Blair e basicamente fingindo que ela no existia, mas quanto tempo podia
continuar com isso? Cedo ou tarde Nate ia ter que falar.
Ele s no sabia muito bem o que ia dizer.



pedicure leite azedo

Depois de uma comprinha leve na loja Chanel no subsolo, Eleanor Waldorf e suas damas de
honra subiram no elevador para o salo Frederic Fekkai Beaute de Provence na rua 57.
Blair, a me, Kati, Isabel, Serena e a tia de Blair, Zo Zo, foram para l para o tratamento de
mos e ps com leite e mel, as mscaras faciais de lama e,  claro, bater papo sobre o
casamento.
Depois, iam almoar no Daniel, o restaurante favorito de Eleanor Waldorf. Outra tia de Blair,
Fran, ia se encontrar com elas l, pulando a pedicure porque odiava que as pessoas
tocassem em seus ps.
O salo era tipo um restaurante lotado, s que cheirava a xampu Frederic Fekkai e gel para
cabelos em vez de comida.
Era grande e iluminado, e as funcionarias corriam de um lado a outro, atendendo as
mulheres em aventais bege tipo de hospital, que elas usavam para proteger as roupas. Cada
uma das mulheres tinha as mesmas luzes platinadas e louro-morango no cabelo. Era a cor
de cabelo marca registrada do Upper East Side.
- Ciao, ms cheries! - gritou Pierre, o japons magricela que trabalhava na recepo.  Trs
de vocs vo para a pedicure enquanto outras trs vo para a mscara facial. Acompanhem-
se, acompanhem-me!
Blair no sabia bem o que ia acontecer, mas logo se viu sentada entre Serena e sua me, as
mos e os ps mergulhados em tigelas cheias de leite quente e mel, enquanto Kati, Isabel e
sua tia faziam mscara facial em outra seo do salo.
- Isso no e timo? - arrulhou a me de Blair, afundando na cadeira.
- Meu leite est fedendo - resmungou Blair. Ela queria dizer a me que ia encontrar com
todo mundo no restaurante, como faria a tia Fran.
- No fao pedicure desde o vero - disse Serena. - Meus ps esto to asquerosos que eu
no me surpreenderia se o leite ficasse azedo com eles.
No seria surpresa para mim tambm, pensou Blair com amargura.
- Como vai querer as suas unhas? - perguntou a manicure da me de Blair enquanto
massageava os dedos dela.
- Prefiro arredondadas, no pontudas.
- Eu gosto das minhas quadradas - disse Serena.
- Eu tambm - concordou Blair, embora odiasse dizer que gostava de qualquer coisa que
Serena gostasse.
A manicure de Blair deu uma palmadinha de brincadeira em seu pulso.
- Voc est to tensa. Relaxe. A noiva  voc?
Blair se voltou para ela com os olhos vazios.
- No, sou eu - respondeu a me de Blair encantadoramente. - Vai ser a segunda vez -
sussurrou ela, piscando divertida para a manicure.
Blair sentiu os msculos ainda mais tensos. Como diabos podia relaxar desse jeito?
- Vi aquela cala de pijama de cashmere maravilhosa no departamento masculino da
Barneys - tornou a me de Blair. - Andei pensando em comprar uma para Cyrus como
presente de casamento. - Ela se virou para Blair. - Acha que ele vai usar?
Serena olhou nervosamente para Blair, perguntando-se se devia dizer alguma coisa. Agora
era sua chance de acabar com Blair e fazer com que deixasse de ser uma piranha to chata.
Podia dizer algo, tipo: "Ei, Blair, eu no te vi comprando uma cala de pijama igual a essa na
Barneys na semana passada?"
Mas a cara de Blair ficava cada vez mais vermelha e Serena no teve corao para dizer
nada. Qu, melhor, tinha corao demais. Blair j estava ferrada o bastante por ter pegado a
cala de pijama - Serena no precisava ferr-la ainda mais.
- No sei, me - respondeu Blair, infeliz. Seu pescoo coava. Talvez estivesse tendo uma
reao alrgica e ia ter de ser levada as pressas para o hospital.
As manicures terminaram de massagear as mos e se sentaram em banquinhos baixos para
esfregar os ps e a barriga da perna com leo de lavanda.
- Voc ainda no me disse como foi a entrevista em Yale - disse a me de Blair, os olhos
alegremente fechados.
Blair espirrou um pouco de leite no cho.
- Cuidado - aconselhou a manicure.
- Desculpe - rebateu Blair. - Foi tima, me, tima mesmo.
Ao lado de l, Serena deixou sair um suspiro.
- Tive uma entrevista na Brown nesse fim de semana disse ela. - Foi horrvel. Acho que o
entrevistador tinha tido um dia ruim ou coisa parecida. Foi to imbecil.
Brown? Serena foi a Brown no fim de semana? Alarmes, sirenes, sinos e apitos soaram alto
na cabea de Blair.
- Tenho certeza de que voc se saiu melhor do que pensa, querida. - A sra. Waldorf
tranqilizou Serena.  Essas entrevistas so to desagradveis. No sei por que pressionam
tanto as meninas.
Blair espalhou outro monte de leite no cho. No conseguiu evitar. Queria que a manicure
largasse logo a sua perna.
- Quando foi sua entrevista? - perguntou ela a Serena.
- No sbado.- Serena no tinha certeza se devia mencionar que Nate estava l tambm.
Tinha a sensao de que no devia dizer nada.
- A que horas, no sbado? - disse Blair.
- Ao meio-dia - respondeu Serena.
Epa.
- Nate teve uma entrevista l - desafiou Blair.  Tambm foi ao meio-dia, no sbado.
Serena respirou fundo.
- , eu sei. Eu vi o Nate l.
Blair flexionou o p com raiva. Que porra  essa? A manicure dava palmadinhas.
- Relaxe - alertou ela.
- Nate no me ligou desde que voltou  resmungou Blair. Seus olhos se estreitaram quando
ela encarou o perfil de Serena.
Serena deu de ombros.
- Nate e eu no nos falamos mais. - Serena certamente no ia dizer que ela e Nate tinham
dormido na mesma cama em um quarto de hotel e que tinham acordado de mos dadas.
Ou que os dois tomaram um porre na festa de Erik e vomitaram nos arbustos nos fundos da
casa juntos. No tinham se falado desde que voltaram a cidade - essa parte era verdade.
- Onde est o Nate, afinal? - gemeu a me de Blair.
A massagem nos ps quase a fazia dormir. - Eu no o vejo h sculos.
- Eu tambm - sibilou Blair, que estava certa de que Serena tinha alguma coisa a ver com
isso. - E me pergunto por que.
Serena sabia que Blair estava esperando que ela fizesse algum tipo de confisso. Ela fechou
os olhos.
- No olhe para mim - disse ela. Mas no mesmo minuto se arrependeu. Era quase como se
estivesse pedindo por isso.
Blair se levantou de repente, derrubando as tigelas de leite das mos no cho e quase
virando o banho dos ps.
- Droga! - guinchou a manicure, saindo de seu banco e caindo de bunda em um monte de
leite.
- Blair, que diabos  isso? - gritou a me.
- Com licena- disse Blair, empertigada. Lgrimas quentes de raiva se reuniam em seus
olhos. - No posso mais ficar sentada aqui. Vou para casa. - Olhou para a manicure. -
Desculpe pela baguna. - Depois marchou para fora da sala, escorregando um pouco no piso
de ladrilhos mido.
- O que aconteceu? - perguntou a me de Blair a Serena. Ela estava preocupada com a filha,
mas no desistiria de ser mimada para ir atrs de Blair.
Serena sacudiu a cabea. Nada tinha a ver com problema nenhum. Era problema de Blair e
Nate, embora ela estivesse definitivamente curiosa. E estava meio preocupada com Blair
tambm, apesar de Blair vir sendo incrivelmente m com ela ultimamente. Blair parecia ter
sofrido uma espcie de colapso.
- Provavelmente ela est nervosa com o casamento - sugeriu Serena, embora tivesse
bastante certeza de que o casamento representava uma parte minscula dos problemas de
Blair. - Sabe como ela fica.
A me de Blair assentiu. Ela sabia.



                               Gossipgirl.net
    ___________________________________________________________________

             temas / anterior / prxima / faa uma pergunta / respostas

  Advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram alterados ou
                  abreviados para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.


                                         oi, gente!

NINGUM FAZ MELHOR

Graas a sua retirada dramtica, B perdeu a mascara facial Frederic Fekkai, o que  uma
vergonha, porque poucos sales fazem melhor do que aquele. Tambm perdeu K e I
tomando um porre de vinho branco no Daniel e garantindo a me dela que B e N ainda no
tinham consumado seu relacionamento. Perdeu suas tias interrogando S sobre os pianos
para a faculdade. E perdeu um incomparvel sufl de chocolate. Vamos esperar que ela no
perca o casamento - todo mundo pode se divertir sem ela, mas  ela quem vai proporcionar
todo o drama.


Seu e-mail

P: Oi, GG,
Eu soube que S dormiu totalmente com tipo todos os membros do jri do festival de cinema,
ento no  l uma surpresa muito grande que ela tenha vencido, t entendendo o que
quero dizer?
- ceecee

R: Oi, ceecee
Ela dormiu com todo o jri? At com as mulheres?
- GG


P: e a, gossipgirl
qual  a parada? S queria te dizer que eu acho voc gostosa, apesar de voc no me
conhecer. Sou um cara, alis.
Tambm queria dizer que eu estava no parque depois da aula na quarta e vi J e N. Ela 
meio difcil de no ver. Quer dizer, a parte superior dela. Eles pareciam bem felizes em se
ver, se t me entendendo.
- goodie

R: Oi, goodie
Hmmm, obrigada pelo elogio, eu acho. Definitivamente obrigada pelo furo. J tinha ouvido
falar que N e J estavam se agarrando depois da aula todo dia. Coitada da B.


Flagra

B rondando pelas ruas entre a casa de S e de N, tentando dar um flagra neles. J e N na
biblioteca pblica na rua 96, estudando. Que bonitinho! N est claramente decidido a ir para
a Brown e para o corao... de J. S parada na janela usando o vestido marrom Chloe que a
me de B comprou para todas as damas de honra. Sei que ela devia ter a melhor aparncia
da Quinta Avenida, mas achei que ela ficou meio hippie. Comeu porcaria demais em Rhode
Island, talvez? N pegando seu smoking para o casamento na Zeller. E B em um jogo de
hquei no Madison Square Garden com o irmo e o novo meio-irmo. Acho at que o hquei
era melhor do que sair com a futura noiva mame ou suas amigas damas de honra
enjoadinhas. Agora,  difcil de acreditar.

Falta menos de uma semana para o grande dia. Um timo Dia de Ao de Graas para
vocs, mas no comam demais, ou no vo caber nas roupas do casamento!

                                  Pra voc que me ama,
                                        gossip girl


escudeiros gostosos e damas de honra sensuais

- Este vestido me deixa parecendo que tenho implante de silicone nas coxas - queixou-se
Kati, explorando as pernas enquanto se examinava no espelho.
- Ele deixa minha pele totalmente cinza - gemeu Isabel.
Ela esguichou um pouco de Lubriderm nas mos e o espalhou nos braos. - Eu devia ter
comprado o p bronzeador da Sephora - acrescentou ela, fazendo um bico.
Blair rolou para fora da cama no quarto do St. Claire Hotel e agarrou o vestido Chloe,
deixando que ficasse pendurado de seus dedos. Era longo, marrom e macio, com contas
peroladas costuradas diagonalmente no corpete e duas delicadas alas de contas, como
colares, para segur-lo.
Ela tirou o roupo de banho branco do hotel e puxou o vestido por sobre a cabea. O tecido
grudou em seu corpo, mas no parecia apertado - ficou timo. Blair se examinou no espelho.
O vestido no deixava o corpo dela hippie de jeito nenhum. Ela ficou gostosa. Ontem tinha
levado cera, tinha sido puxada, esfoliada, vaporizada e hidratada dos folculos pilosos as
unhas dos ps no Aveda Salon e no salo na Spring Street. Tinha reflexos bege-alourados
nos cabelos, e o artista da maquiagem da me espalhou um p corporal aromtico em todo
seu corpo. Blair afofou o cabelo para cima, que tinha sido penteado pelo cabeleireiro da me.
Ela no se importava que Isabel e Kati no estivessem satisfeitas com o vestido, Nate no ia
conseguir tirar as mos dela a noite toda. Alm disso, o vestido ficava perfeito com os
Manolos que seu pai lhe dera de aniversrio. Blair tirou os sapatos da bolsa e os calou.
Ficou feliz que ainda pudesse ser fiel ao pai, mesmo que fosse no casamento idiota da me
dela.
- Voc sabe que me quer - murmurou Blair a seu reflexo, fingindo que estava falando com
Nate. Ela estava maravilhosa e definitivamente estava pronta para transar.
- Tudo pronto - disse Serena, saindo do banheiro em uma nuvem de perfume adocicado. O
vestido ficou timo nela tambm, mas Blair procurou no olhar. Tinha feito um trabalho
maravilhoso em ignorar Serena em todo o cabeleireiro e a maquiagem naquela tarde. Nem
via motivo para parar de ignor-la agora.
Algum bateu na porta.
- Oi, sou eu, Aaron. Esto prontas?
Blair abriu a porta. Aaron e Tyler estavam parados no corredor, usando smokings. Aaron
tinha cortado as trancinhas curtas para que partissem da cabea em todas as direes
Parecia uma estrela do rock no Grammy. Pelo menos dessa vez, Tyler parecia o perfeito
cavalheiro, com o cabelo bem repartido e um n de gravata impecvel. Blair tinha de admitir
que os dois estavam adorveis.
- Uau - exclamou Aaron. - Esses vestidos so demais.
Tyler assentiu, concordando.
- Voc est tima, Blair - disse ele com sinceridade.
Blair franziu a testa, divertindo-se com a ateno.
- No acha que me deixa meio gorda?
A rainha do drama.
Aaron sacudiu a cabea.
- Sem essa, Blair. Voc sabe que  gostosa.
Blair fez uma careta.
- Acha mesmo isso?
- Acho. E o Mookie tambm acha. Ele me disse. Tive de deixar ele em casa, mas ele
definitivamente ia montar na sua perna com esse vestido.
- Vai se foder - rosnou Blair, embora estivesse gostando de cada minuto daquilo.
Ela se virou para Kati, Isabel e Serena.
- Vamos - disse ela. -Vamos terminar com essa merda logo.
Enquanto as meninas saam do quarto, Blair deu uma olhada na suntuosa cama king size.
Tudo bem, ento as prximas horas iam ser um inferno. E certamente ela no sabia em que
universidade, em nome de Deus, ia estudar no ano que vem.
Mas hoje era seu aniversrio e, a noite, ela ia perder a coisa para Nate naquela cama.


- Voc, Cyrus Solomon Rose, aceita Eleanor Wheaton Waldorf como sua legtima esposa,
para amar e servir, na sade e na doena, at que a morte os separe? - perguntou o
ministro unitarista do altar da capela ecumnica das Naes Unidas.
- Sim.
- E voc, Eleanor Wheaton Waldorf, aceita Cyrus Solomon Rose como legtimo esposo, para
amar e servir, na sade e na doena, at que a morte os separe?
- Ah, sim, aceito.
Misty Bass se remexeu num dos desconfortveis bancos de madeira da capela.
- Me conta de novo por que eles se casaram assim to rpido - cochichou ela para Titi
Coates.
A sra. Coates se aproximou da amiga e lhe deu um olhar astuto atravs do pequeno vu azul
ligado ao fabuloso chapu de pena de pavo.
- Eu soube que ela est falindo - cochichou. - Era a nica maneira de saldar as dvidas.
A sra. Archibald no conseguiu deixar de se envolver.
- Ouvi dizer que ela se apaixonou pela casa de veraneio dele nos Hamptons - disse ela,
inclinando-se para cochichar no ouvido de Misty e Titi. - Ela queria a casa, mas ele no quis
vender. Ento ela pensou em outra forma de par as mos nela.
- Quanto tempo acha que vai durar? - perguntou Misty meio dbia.
Titi deu um sorriso maldoso.
- Quanto tempo voc moraria com aquilo?
Elas examinaram Cyrus Rose, que parecia particularmente rosado no terno riscadinho claro e
camisa creme, gravata e colete. Usava um relgio de bolso de ouro e polainas nos sapatos
Polainas? O que ele acha que era aquilo, uma festa a fantasia?
Eleanor estava radiante, apesar do ridculo vestido rosa escuro Barbie Camponesa. Seus
olhos azuis brilhavam com lgrimas de felicidade e diamantes ancestrais reluziam no
pescoo, nos pulsos e nas orelhas.
Mas o mais importante, as damas de honra e escudeiros...
Blair agarrava seu buqu de lrios-d'gua e no tirava os olhos de Nate, sem ouvir uma
palavra sequer do servio do casamento.
Alguns dias antes, Nate finalmente tinha lhe mandado um e-mail evasivo, dizendo que
lamentava no t-la visto por algum tempo, mas que ia ao Maine passar o Dia de Ao de
Graas com a famlia. Blair respondeu imediatamente, dizendo a ele como estava nervosa e
animada com o que ia acontecer naquela noite. Nate no respondeu, ento ela se satisfez
com a idia de que tudo se resolveria quando eles se vissem novamente. Desde que aquela
piranha da Serena no atrapalhasse.
Blair esperou que os olhos de Nate se voltassem para Serena para poder peg-lo olhando
para ela com ansiedade. Mas Nate continuou olhando direto a cerimnia, os olhos verdes
brilhando na capela iluminada a velas. Desta vez, Blair decidiu ser otimista.
Talvez, s talvez, ela estivesse errada em relao a ele. Esquea Serena - Nate estava to
empolgado com aquela noite quanto ela. Por que mais ele estaria to bem? Ele irradiava
uma sensualidade absoluta.
Mas ela tambm.
O vestido Chloe caiu em seu corpo como uma camisinha, e ela no estava usando
absolutamente nada por baixo, exceto um par de meias-calas.
Ah, e os Manolos do aniversrio,  claro.
Blair estava pronta. Era uma mquina sexual que carregava o buqu.

Ento porque Nate no estava olhando para ela?

Nate assistia a cerimnia, fingindo interesse para evitar fazer contato visual com Blair. Tinha
percebido que ela estava particularmente fashion, mas tudo isso o deixava preocupado com
como ia lidar com as coisas depois. Em seu bolso estava a caneta favorita de caligrafia de
Jennifer, que ela lhe dera para que se lembrasse dela quando estivesse viajando na Ao de
Graas. Nate no conseguiu levar Jennifer ao casamento, por motivos bvios. Mas prometeu
se encontrar com ela no bar do hotel durante a recepo, para que ela pudesse v-lo de
smoking. Tambm prometeu que evitaria fumar um grande baseado antes do casamento.
Agora se arrependia.
Ia ter de encarar Blair completamente careta. Nate enfiou a mo no bolso e agarrou a
caneta. Ficava nervoso s de pensar nisso.


Serena tambm estava nervosa, embora no desse para notar. Sempre que um profissional
colocava as mos no rosto dela com maquiagem e mexia em seus cabelos, o resultado era
irreal. Os cabelos louros brilhavam, a pele reluzia, as bochechas ardiam e o vestido Chloe
marrom abraava seu corpo, acentuando os quadris estreitos, a curva das costas e as pernas
longas e graciosas.
Mas, por dentro, Serena estava um pouco mais desarrumada.
Antes de tudo, estava preocupada com Dan. Ele estava agindo de um jeito estranho. Ela no
conseguira v-lo antes da cerimnia, mas tinha conversado com ele na noite passada. Meio
que conversou. Ela praticamente falou sozinha. Dan estava meio amuado e disse que a veria
no casamento. Serena no sabia o que estava rolando com ele, mas definitivamente tinha
alguma coisa.
Tambm estava preocupada com Blair, apesar do fato de Blair t-la ignorado o dia todo. As
meninas estavam paradas uma ao lado da outra e Serena praticamente podia sentir a tenso
zunindo no corpo de Blair como eletricidade esttica.
Do outro lado do corredor, o irmo de Serena, Erik, piscou para ela. Parecia um prncipe de
smoking. Uma verso masculina de Serena, alto, os cabelos completamente dourados, olhos
azuis, com um borrifo de sardas no nariz e adorveis covinhas na bochechas. Serena tinha
contado a ele tudo sobre a entrevista pavorosa na Brown e, como era de se esperar, Erik
respondeu com uma palavra: "Fodam-se."
No era exatamente o conselho mais tranqilizador que ela podia receber, mas Serena
respeitava o tipo de sabedoria despreocupada do irmo - funcionava para ele. E ela estava
considerando seriamente uma faculdade de arte agora.
Ela virou a cabea e tentou localizar Dan no meio das pessoas, mas no conseguiu ver seu
cabelo castanho desgrenhado em lugar nenhum entre os chapus glamorosos e cabelos
recm-feitos dos convidados do casamento. Ela se perguntou se ele estava aborrecido por
ter vindo.


Dan estava arriado em um banco dos fundos, as mos suando em bicas, tentando no ouvir
a fofoca cruel que acontecia em volta dele.
-  mais brega do que eu esperava - cochichou uma mulher.
- O que  aquela coisa que ela est vestindo?  cochichou a vizinha em resposta.
- E ele? - retrucou a primeira mulher.
- E os vestidos das damas de honra. So pornogrficos!
Dan no sabia do que elas estavam falando. Todos na festa de casamento pareciam
espetaculares para ele, particularmente Serena. Dan tinha tentado ficar o mais arrumado
que pde, mas seus mocassins pretos gastos eram um equvoco completo e a camisa nem
foi bem passada. Ele nunca se sentiu mais deslocado do que naquela noite.
Mas ela queria que ele estivesse ali, e ele foi. Um cordeiro pronto para o matadouro.


- E agora, pode beijar a noiva - anunciou o ministro.
Cyrus agarrou Eleanor pelos punhos. Blair apertou o buqu contra a barriga para conter a
nusea.
Foi um beijo muito longo, mas qualquer demonstrao pblica de afeto entre pessoas da
idade de seus pais  suficiente para fazer voc enjoar.
Cyrus triturou com os ps uma taa de vinho embrulhada em um guardanapo e o pianista
martelou os acordes de congratulao.
Enfim, estavam casados!
Os convidados seguiram o casal pelo corredor e pelas portas da capela.
Na calada da Primeira Avenida, do outro lado do prdio das Naes Unidas, Blair se
aproximou de Nate na ponta dos ps e bafejou em sua orelha.
- Senti sua falta - ronronou.
Nate girou e deu seu melhor sorriso.
- Oi. Parabns, Blair - disse ele, beijando-a no rosto.
Blair fez uma careta.
- Por que? Esse  tipo o pior dia da minha vida.  Ela se aproximou dele. - A no ser que
voc deixe ele melhor.
Nate continuou sorrindo.
- Como assim?
Blair estava de saco cheio de embromao. Queria ir direto ao que interessava.
- Quero dizer que no estou usando calcinha.
Nate parou de sorrir.
- T legal. - Ele apertou as mos no bolso, tocando a caneta de Jenny.
- Voc nem me deu feliz aniversario hoje. - Blair fez um beicinho, esticando o lbio inferior.
Estendeu a mo e deu um tapinha no bolso de Nate. - E nem me deu um presente tambm.
A mo de Nate se fechou em tome da caneta, escondendo-a dela.
- Por que no pergunta aquele cara se ele no tira uma foto nossa? - sugeriu ele,
desesperado.
O fotgrafo da Vogue estava ocupado, tirando fotos romnticas de Cyrus e Eleanor no banco
traseiro de seu Bentley. Blair foi at l e puxou a manga do casaco dele.
- Tira uma foto minha e do meu namorado? - perguntou ela animadinha.
Mas, quando se virou, Nate tinha desaparecido.


De volta a rua, Serena esperava que Dan sasse da capela, como ela havia prometido. Ele
saiu e abriu caminho at ela, a cabea tombada.
- Desculpe por isso - disse Serena, dando-lhe um abrao rpido. - Espero que no tenha sido
muito estranho.
Dan enfiou as mos nos bolsos do smoking.
- Est tudo bem.
- Bem, eu achei estranho. E eu conheo essas pessoas.
Ela parecia to genuinamente grata por ele estar ali que Dan decidiu amolecer um pouco.
- Voc est mesmo tima.
Serena sorriu.
- Voc tambm. Vem - disse ela, puxando-o para uma limo que esperava. Ela o empurrou
para o banco traseiro. - Vamos tomar um porre.
Eles tinham o carro s para eles. Dan adorou o cheiro dos bancos de couro. Ele se sentou
perto de Serena. Suas pernas se tocavam.
- Obrigada por vir comigo - disse Serena.
Dan virou a cabea e seus olhos se encontraram. O carro estava prestes a arrancar do meio-
fio. Serena teve a sensao de que Dan ia dizer alguma coisa sria.
Ento a porta de trs se abriu e Nate enfiou a cabea por ela.
- Oi, pessoal - disse ele sem flego. - Se importam se eu for com vocs?  De jeito nenhum
ele ia ficar num carro sozinho com a Blair.
Erik apareceu atrs dele.
- E eu? - Ele atirou uma garrafa de schnapps de pra para o banco. - Trouxe birita.
Serena se arrastou para o lado para abrir espao.
- Quanto mais, melhor! - disse ela, alegre.
Dan no disse nada.
Ele acendeu um cigarro.


recepo no  festa

- Voc deve estar emocionada.
- Parabns, querida!
Blair no tinha preparado nenhuma fala para receber os convidados em seu roteiro do filme
daquela noite, e sua me e Cyrus pareciam decididos a prolongar sua agonia. O rosto doa
de tanto sorrir e ela estava enjoada das pessoas beijando-a e fazendo com que ela dissesse
o quanto estava feliz pela me.
At parece. J foi ruim ter sido obrigada a posar para a cmera com os lbios apertados no
rosto gordo e vermelho de Cyrus. Indecente.
-  mesmo legal sair com ela. - Blair ouviu Aaron dizer a algum. Ele estava parado ao lado
dela na fila da recepo, e ficava falando com as pessoas como estava adorando ter uma
nova irm to legal. Blair sabia que ele estava sendo sarcstico. Teve vontade de bater nele.
Parabns para mim, parabns para mim, pensou Blair com amargura. Assim que a
besteirada de receber os convidados acabasse, ela ia procurar Nate e ter uma conversa sria
com ele. Ser que ele no via o quanto ela precisava dele agora? No dava para ver?


- Pelo menos nisso eles acertaram - cochichou Misty Bass ao marido quando passaram pela
fila de cumprimentos e entraram no elegante salo do St. Claire Hotel, onde a recepo de
casamento ia acontecer. O salo faiscava de prata, linho branco, cristal e luz de velas. Um
harpista sentava-se a um canto, tocando discretamente. Garons em casacos brancos
distribuam fltes de champanha dourado e acompanhavam os convidados as mesas
marcadas.
Se Blair tivesse se envolvido nos arranjos das mesas, as coisas podiam ter ficado urn pouco
diferentes, mas Serena, Dan, Nate e Erik estavam sentados na mesma mesa, com Serena
entre Nate e Dan. Do outro lado da mesa, na frente deles, estava Chuck Bass, a pessoa que
Serena e Dan menos gostavam em toda a lista telefnica. Ele tinha passado gel no cabelo
escuro, o que era um novo look para ele. Deixava-o mais parecido com um grande idiota do
que nunca.
(Idiota, masc.,subst.: Um babaca insensvel, arrogante e irritante. Em geral, mas nem
sempre, baixo e careca. Pense no cara mais galinha do salo.)
Chuck na verdade era arrasadoramente lindo, de um jeito de comercial de loo ps-barba.
Era a personalidade dele que o fazia um grande idiota.
A cada lado de Chuck estavam Kati e Isabel, ainda se contorcendo em seus vestidos
apertados demais.
Dan se sentou em seu lugar e olhou um arranjo de talheres de prata.
- No  assim to difcil - disse-lhe Chuck com desprezo.
Ele apontou para a colher de sopa de Dan. -  s ir usando de fora para dentro.
- Obrigado - retrucou Dan, infeliz. Esfregou as mos pegajosas na cala do smoking. No
devia ter vindo.
Os garons trouxeram o primeiro prato. Sopa de abbora, em homenagem ao Dia de Ao
de Graas, e uma grande cesta de pezinhos quentes.
- Ento eu estou confuso aqui - continuou Chuck, dominando a mesa de seu jeito detestvel
de sempre. Ele apontou a faca de po para Serena. - Voc est com ele? - perguntou,
fincando a faca em Nate. - Ou ele?  investindo com a faca para Dan.
Erik riu.
- Na verdade, Chuck - disse ele com sarcasmo   um trio. Nate se apaixonou perdidamente
por Dan. Serena apresentou os dois.
Serena mexeu na sopa e revirou os olhos para Dan, se desculpando.
- Eu vim com o Dan. E ele provavelmente est me odiando agora.
Dan deu de ombros.
- No estou no.
Mas ele se perguntou qual era a verdadeira resposta a pergunta de Chuck. Ela estava com
ele? Bom, estava, n? No ?


Finalmente todos os convidados passaram pela fila de cumprimentos, e Blair e sua nova e
ampliada famlia foram para a mesa principal. Blair se sentou entre Aaron e Tyler,
praticamente de costas para Nate. Blair no conseguia acreditar. Serena e Nate estavam
sentados um ao lado do outro na mesa ao lado, enquanto ela estava presa com a famlia.
Ina-porra-creditvel.
Ela se inclinou para trs na cadeira para cochichar no ouvido de Nate.
- Posso falar com voc? Depois dos discursos?
Nate assentiu, hesitante. Olhou para o relgio. Jennifer chegaria logo. Era possvel que ele
conseguisse evitar conversar com Blair.
Satisfeita, Blair inclinou a cadeira para a frente novamente e pegou a flte de champanha,
virando o contedo em um gole s. Se ia perder a virgindade para Nate, queria estar
relaxada.
- Calma a, princesa - alertou Aaron. - Eu no quero que voc vomite em mim.
- Por que no? - replicou Blair, erguendo a taa para que o garom enchesse. - Seria um
progresso.
Cyrus estava lendo uma pilha de cartes e murmurava para si mesmo, praticando seu
discurso.
- No fique nervoso, querido - disse Eleanor, dando um tapinha em seu ombro. - Seja voc
mesmo.
Blair revirou os olhos e virou outra taa de champanha. Esse foi o pior conselho que ela j
ouviu.
Os garons retiraram os pratos da sopa e serviram mais champanha. Cyrus Rose suava
como um porco. Pegou um garfo e bateu na taa. Blair no agentava ficar sentada ali por
mais um minuto de agonia. Ela bochechou champanha na boca para limpar qualquer
impureza, virou-se e puxou a manga do palet de Nate.
- Vamos agora - ordenou ela, entre dentes.
Nate se virou e a olhou.
- Gente, se eu puder ter um minuto de sua ateno! - disse Cyrus, ainda batendo na taa.
- Vamos agora, Nate - instou Blair.
Nate olhou para o relgio. Jennifer ia chegar em alguns minutos. De jeito nenhum ele ia
deix-la esperando porque estava fora, permitindo que Blair chorasse no ombro dele.
- Mas Cyrus est fazendo o discurso.
Blair cravou as unhas no brao dele.
- Por isso mesmo. Vamos.
Nate sacudiu a cabea. Respirou fundo.
- Relaxa - disse ele a Blair e se virou.
Blair ficou olhando a nuca de Nate sem acreditar.
- O qu? - retrucou ela, sem ter certeza se tinha ouvido bem. Sua bunda nua coava do
atrito do vestido. Isso no est acontecendo, disse a si mesma. Nate no estava agindo
como um imbecil e no ia ser injusto com ela. Estava tudo em sua cabea.
Cyrus limpou a garganta.
- Blair! - sibilou a me dela do outro lado da mesa.
Aaron pegou a mo dela e a puxou para a cadeira.
- No seja grosseira.
Todo o salo estava em silncio, esperando que Cyrus comeasse o discurso.
- Obrigado por terem vindo - comou ele. - E obrigada por encurtarem os planos do Dia de
Aode Graas para estar aqui. - Depois ele se lanou no mesmo discurso idiota que Blair o
ouvira praticar em casa a semana toda, andando de um lado para outro do corredor da
cobertura da rua 72 com uma cala de pijama de cashmere igual a que ela roubara para
Nate.
Blair ficou sentada imvel, observando as bolhas do fundo da taa de champanha subirem ao
topo. Se movesse um msculo, a cabea ia explodir.



                               Gossipgirl.net
    ___________________________________________________________________

            temas / anterior / prxima / faa uma pergunta / respostas

  Advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram alterados ou
                  abreviados para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.


                                         oi, gente!


O ANNCIO DO CASAMENTO NO NEW YORK TIMES

Eleanor Wheaton Waldorf, hostess da sociedade do Upper East Side, e Cyrus Solomon Rose,
empreendedor imobilirio, casaram-se hoje em meio a escndalo, fofoca e intriga. Eles se
conheceram na Saks na primavera passada e estavam namorando desde ento. Ela estava
sofrendo de uma grande perda de confiana quando o conheceu, tendo recentemente sido
abandonada por seu primeiro marido, que a trocou por um homem. Mas Cyrus a fez
esquecer tudo isso. Ele se apaixonou pelo sorriso dela, por seu corpo recentemente reduzido
e pelo imenso apartamento dela na Quinta Avenida, e ele no ia deixar passar isso. Ele
tambm mal podia esperar para largar sua mulher maluca por cirurgia plstica. Eleanor se
apaixonou pela perspectiva alegre de vida de Cyrus, seu sex appeal de Papai Noel levado e
sua incrvel casa na praia de Bridgehampton.
Como poderiam ser mais perfeitos um para o outro?
A noiva  filha de um corretor de valores seriamente rico, Tyler August Waldorf, agora
falecido, e da dama da sociedade Mirabel Antoinette Kattrel Waldorf, tambm falecida. Tem
dois filhos, Blair Cornelia Waldorf, que completa 17 anos hoje, e Tyler Hugh Waldorf, de 11
anos. O noivo  filho de Jeremiah Leslie Rose, ex-rabino da sinagoga de Scarsdale, falecido,
e Lynne Dinah Bank, uma decoradora de interiores aposentada que mora no Mxico. O filho
dele, Aaron Elihue Rose,tem 17 anos.
Depois de um noivado absurdamente curto, os dois se casaram hoje. O casal escolheu a
capela ecumnica das Naes Unidas para a cerimnia, uma vez que ele  judeu e ela
protestante e nenhum dos dois queria se converter. Enquanto estamos falando aqui, a
recepo est acontecendo no St. Claire Hotel, na rua 65 Leste. O jantar inclui um prato
chamado quenelle, que  musse de peixe e  muito provvel que faa voc vomitar se
misturar com champanha. O casal passara a lua-de-mel num iate no Caribe por um ms,
deixando seus filhos se virarem sozinhos em casa enquanto estiverem fora.

Hmmmm. Isso vai ficar interessante!

A noiva assumiu o nome do noivo, bem como o filho, Tyler.
A filha, Blair, continua indecisa. "No enche" era sua resposta quando indagada. Os
casamentos anteriores dos dois terminaram em divrcio. Foi tudo muito escandaloso na
poca, mas trs vivas para eles - eles superaram tudo.

 melhor voltar para a festa!

                                 Pra voc que me ama,
                                       gossip girl

__________________________________________________________________




cheek to cheek

- Tomara que ele esteja esperando pela gente no lobby - disse Jenny, nervosa.
- No se preocupe - tranqilizou-a Vanessa.  Vamos encontr-lo.
Elas passaram pela porta giratria do St. Claire Hotel e deram uma olhada no lobby
suntuoso. As duas meninas usavam roupas pretas da dcada de 1960, que compraram por
dez dlares na Domsey's, em Williamsburg. A de Jenny era enfeitada com contas pretas, e o
vestido de Vanessa tinha um gato de veludo costurado na saia. Ela tambm estava usando
meias arrasto pretas, o que era obrigatrio.
As duas meninas pareciam muito retr e bem bonitinhas.
- Ele est ali! guinchou Jenny, indo direto para Nate, sentado todo duro em uma cadeira no
canto, engolindo champanha.
- timo - disse Vanessa, de repente se sentindo completamente deslocada. O que ela devia
fazer enquanto Jenny e seu namorado riquinho ficassem se agarrando?
- Vejo vocs dois no bar.
Ela insistiu em que s tinha vindo para dar apoio moral, mas  claro que tinha um motivo a
mais. Havia uma chance de Dan passar por ela a caminho do banheiro ou algo assim. Ento
ela no acharia que tinha desperdiado tempo colocando o vestido.


- Oi, Jennifer. - Nate deu-lhe um beijo no rosto e pegou a mo dela.
- Oi - disse Jenny, seus olhos enormes de empolgao. Ela olhou os sapatos brilhantes de
Nate. O smoking preto novo. Os cabelos castanho-dourados ondulados. Os olhos verdes
brilhantes. - Voc est... muito, muito bem.
Nate sorriu.
- Obrigado. Voc tambm.
- E a, o que voc quer fazer? - perguntou ela.
- Vamos sentar um pouco, t legal?
- Tudo bem - disse Jenny. Nate a levou para um sof em um canto tranqilo do bar.
- Tudo bem se eu tomar uma tnica, ou coisa assim?- perguntou Jenny, cruzando as pernas
e descruzando-as nervosamente depois. - Estou me sentindo meio estranha.
- Claro - respondeu Nate. O garom se aproximou e ele fez o pedido. - Duas tnicas.
Caraca, ele realmente estava se corrigindo.
Ele pegou a mo de Jenny novamente e a colocou em seu colo. Jenny deu uma risadinha.
Sentia-se estranha por estar em um bar de hotel com Nate em vez de no parque ou na casa
dele. Ela achava que todo mundo no hotel estava olhando para eles.
- No fique nervosa - sussurrou Nate. Ele ergueu a mozinha dela e a beijou com ternura.
- Estou tentando - disse Jenny. Ela fechou os olhos, respirou fundo e encostou a cabea no
ombro de Nate. Era fcil relaxar quando estava com Nate. Ele a fazia se sentir segura.
Ela abriu os olhos e deu com Nate sorrindo para ela, os olhos verdes brilhando.
- Estou com a sensao de que vou ter muitos problemas por causa disso - tornou ele, como
se estivesse procurando por eles.
Jenny franziu a testa.
- Como?
- No sei. - Ele estava a ponto de explicar a Jenny que sua namorada, Blair, estava no salo
ao lado, provavelmente armada e perigosa. -  s uma sensao.
Jenny apertou a mo dele.
- No se preocupe. No estamos fazendo nada de errado.


- Ento - disse a me de Blair quando Cyrus tinha terminado o discurso e a quenelle e a
salada verde orgnica eram servidas. - Cyrus, Tyler e eu andamos conversando sobre nosso
nome.
- O que tem o nosso nome? - Blair futucou a quenelle com o garfo. - Mas o que  essa coisa?
- No se lembra? Ns escolhemos naquele dia, quando provamos.
Blair comeu um pouco.
- Parece rao de gato. - Blair empurrou o prato para o lado e pegou a taa de champanha.
- De qualquer forma - continuou a me -, Tyler concordou em mudar seu nome para Rose. E
eu j fiz isso. Ento s falta voc, Blair.
Blair chutou a perna da cadeira. Essa no era a primeira vez que o assunto vinha a tona.
- Voc vai mudar o seu? - perguntou ao irmo, incrdula.
Tyler assentiu.
- Eu decidir mudar, . Tyler Rose. Parece cool, n? Tipo um DJ ou coisa assim.
- Definitivamente  concordou Aaron. Ele adorava a voz dele. - No phat beats est Tyler
Rose, ao vivo, direto da rua 72.
- Cala a boca - murmurou Blair. Como se seu nome do meio j no fosse idiota o bastante,
agora eles queriam que ela engolisse um nome mais idiota ainda? Blair Cornelia Rose, de
jeito nenhum. - Eu j te disse. No vou mudar.
O rosto da me desabou.
- Ah, Blair. Seria to bom se nos todos tivssemos o mesmo nome. Seria como uma famlia.
- No - insistiu Blair.
Cyrus lhe deu um sorriso simptico.
- Significaria muito para mim e para sua me se voc pelo menos pensasse nisso mais um
pouco - disse ele.
Blair apertou os lbios para travar o grito de ultraje. Que parte do "no" eles no tinham
entendido? Ela se virou para procurar Nate, mas a cadeira estava... vazia. Ah, por que tudo
estava essa confuso toda?
- Desculpe - disse ela amargamente. A quenelle subiu por sua garganta, misturando-se mal
com os litros de champanha que ela j havia consumido. Blair bateu a mo na boca e voou
rapidamente da mesa.
Serena e Erik estavam fazendo esculturas de comida com a quenelle. Era ruim demais para
comer, e a banda ainda no comeara a tocar, ento no havia mais nada para fazer. Erik
tinha roubado o prato de Nate, e eles empilharam as trs quenelles em formato de peixe,
ligando-as com dois canudinhos de coquetel. Erik sabia como fazer isso porque estava
estudando arquitetura na Brown.
Dan na verdade gostou da quenelle. Ele a comeu bem lentamente, reunindo coragem para o
que estava prestes a fazer.
- Ei, posso falar com voc um minutinho?  perguntou finalmente a Serena, colocando a mo
na mesa ao lado do prato dela para atrair sua ateno.
- Claro - disse ela, virando-se.
- No liguem para mim. - Erik lastreou sua pilha de quenelle com bolas de manteiga. - Tenho
um trabalho a fazer.
- Que foi? - Serena colocou o cabelo atrs das orelhas e se inclinou para Dan, dando-lhe toda
a ateno.
Dan olhou aqueles olhos quase azul-marinho e tentou descobrir o que procurava. Alguma
coisa que lhe dissesse que fora besteira ele se preocupar. Que ela o amava da mesma forma
que ele a amava. Ele no conseguiu ver nada alm do azul.
- Eu s queria dizer que eu no quis... Eu no quis... Quando mandei aquele poema, eu
pensei... - Dan no sabia o que estava tentando dizer. Parecia que estava se desculpando, e
ele no se lamentava. Ele no lamentava nada, exceto o fato de que os olhos de Serena
ainda eram azuis e nada mais.
- Ah, no esquenta com isso. - Serena bebeu um gole do champanha e manuseou nervosa a
beira da toalha de mesa. - Voc s foi meio intenso demais, s isso  acrescentou ela.
Intenso demais?, perguntou-se Dan. O que isso queria dizer?
De repente a banda de jazz comeou a tocar.
- Ah, eu adoro essa msica! - gritou Serena. Era Cheek to cheek. Ela era louca por msica
piegas.
- Senhoras e senhores, a noiva e o noivo! - anunciou o lder da banda. Cyrus e Eleanor Rose
se levantaram e rodopiaram para a pista de dana, acenando para os convidados se
juntarem a eles.
Chuck pegou a mo de Kati e de Isabel e as rodopiou, as mos dele deslizando pelas costas
das duas, at a bunda, em segundos.
- Quer danar? - perguntou Serena a Dan. Ela se levantou e pegou a mo dele.
Dan olhou para cima, para Serena, com os olhos magoados, sentindo-se na verdade muito
intenso.
- No, obrigado. - Ele se levantou para sair.  Acho que vou fumar um cigarro.
Serena o observou ir. Ela sabia que Dan estava triste, mas o que podia fazer? Parecia no
importar o que ela dissesse ou fizesse, ele sempre encontrava um motivo para ser infeliz.
Era assim que ele preferia. Dava a ele alguma coisa para escrever.
Serena preferia ser despreocupada e feliz, como o irmo.
Ela virou o champanha e pegou Erik pelos ombros para distra-lo de sua brincadeira com a
comida.
- Ser que uma garota pode ter mais diverso aqui?- perguntou a ele, dando uma risada
desesperada.
Erik se levantou.
- Esta garota definitivamente pode - disse ele, pegando-a pelos braos e curvando-a para
trs dramaticamente.
E era verdade. Serena, que sempre encontrava uma maneira de se divertir, no tinha se
divertido nada naquela noite. Mas a noite era uma criana...




amor omnia vincit - o amor conquista tudo

- Voc viu meu irmo? - perguntou Jenny a Nate.  Ele est se divertindo?
Nate abriu o isqueiro Zippo e acendeu um cigarro.
- Na verdade eu no prestei muita ateno  admitiu ele.
- Tenho certeza de que ele est - disse Jenny. Ela olhou em volta, para a decorao
decadente do hotel. - Quer dizer, como no poderia?
Nate inclinou a cabea dourada e soprou a fumaa para o teto. Jenny tomou um gole da
tnica.
- E voc, est se divertindo? - perguntou ela.
Nate se inclinou para a frente e pousou a cabea no ombro nu de Jenny, que tinha cheiro de
talco para beb e condicionador capilar Finesse.
- Est melhor agora do que quando eu estava l.
- Srio? -Jenny ainda no entendia como Nate gostava dela. Agora ele estava dizendo que
preferia ficar com ela a danar na recepo de um dos maiores casamentos do ano?
Nate baixou a cabea e foi beijando a lateral do pescoo de Jenny, perto de seu maxilar, ate
chegar a boca. Jenny apertou os olhos e retribuiu o beijo. Sentia-se como uma princesa em
um conto de fadas, e no que ria acordar jamais.


Dan deslizou para um banco no fim do balco do bar do St. Claire Hotel e pediu um scotch
duplo com gelo. Com as mos trmulas, puxou um Camel do bolso do casaco e acendeu.
Lagrimas caram no papel do cigarro ao se pendurarem, viscosas e tortas, de entre seus
lbios. Ele pegou uma caneta do bar e desenhou um X grande e preto no guardanapo. Era s
o que conseguia expor.
Todos aqueles trgicos poemas de amor que ele tinha escrito pretendiam afastar a tragdia,
a idia real de que Serena no o amava. Mas, afinal, era verdade. Ela no o amava.
O engraado era que ele no estava chorando tanto por ela, mas principalmente pelo que ela
disse.
Ele era intenso demais. Um man destinado a assustar as pessoas porque ningum era
capaz de acompanhar sua intensidade.
O peito de Dan se convulsionou em um soluo e ele tombou para a frente, pousando a testa
na beira do copo. Pelo canto do olho, viu um emaranhado familiar de cabelos castanhos
crespos, um colo enorme, o corpo minsculo.
Sua irm.
E ao lado dela, com todas as mos em seu enorme peito e no corpo minsculo, estava
aquele canalha rico, o Nate.
Dan realmente no estava com humor para ver sua irm ser molestada por um mauricinho
chapado que tinha maconha no lugar do crebro. Levantando-se, detonou todo o usque e se
virou.


Depois de vomitar a quenelle, Blair tinha sado para fumar um cigarro e tomar um pouco de
ar fresco. No durou muito. Era novembro e ela estava congelando a bunda, ento entrou e
foi para o banheiro das mulheres para se arrumar.
Assim que enxaguou a boca, ajeitou os cabelos, ps outra camada de batom MAC Spice e
se borrifou de perfume, foi procurar Nate para lev-lo para seu quarto. J bastava. Era o
aniversrio dela e ela queria que fosse do jeito dela.
Mas assim que passou pelo bar, a caminho do banheiro das mulheres, Blair parou,
mortificada. No canto, Nathaniel Archibald  o seu Nate - estava beijando a garotinha da
stima srie da Constance Billard.
A trilha sonora veio num crescendo e depois parou. A protagonista tremeu, os olhos
arregalados.
Blair se sentiu como se tivesse levado um tiro na barriga.
Nate parecia completamente relaxado e feliz. Ele e a garota - qual era o nome dela mesmo,
Ginny? Judy? - estavam de mos dadas. Pareciam apaixonados.
Isso definitivamente no estava no roteiro.
E, enquanto olhava com um misto de horror e fascnio, Blair teve a percepo mais
decepcionante de toda a sua vida.
Pior at do que a idia de no entrar em Yale.
Nate no era seu protagonista. No ia se arrastar aos ps dela e am-la, somente a ela. Ele
era s um coadjuvante, um man que sairia da tela antes da ltima cena. E, se era assim,
ela definitivamente no o queria.
Blair se virou, as lagrimas de decepo turvando a viso enquanto ia para o banheiro das
mulheres pela terceira vez.
Precisava desesperadamente de um cigarro e queria fumar em um lugar aquecido e privado.


- Tira a porra das suas mos da minha irm  grunhiu Dan, agitando seu Camel aceso para
Nate.
- Dan? - disse Jenny, sentando-se ereta. - No. Est tudo bem.
- No est tudo bem - zombou Dan para sua irmzinha.
- Voc no sabe de nada.
Nate deu um apertao tranqilizador na perna de Jenny e se levantou. Estendeu o brao para
o ombro de Dan e deu uns tapinhas gentis.
- Est tudo bem, cara. Somos amigos. Voc sabe disso.
Dan sacudiu a cabea. Lgrimas de raiva caram de seu rosto para o piso de mrmore.
- Fica longe de mim.
- Qual  o seu problema? - perguntou Jenny, levantando-se. - Voc est bbado?
- Qual , Jenny - disse Dan, pegando o brao dela. - Vamos para casa.
Jenny tentou se livrar da mo dele.
- Ai. Larga! - gritou ela.
- Ei, cara - disse Nate. - Por que voc no vai para casa? Tenho certeza que Jennifer vai
chegar bem.
- , com certeza vai - cuspiu Dan. Pegou o brao de Jenny novamente.
- Ai, Dan - uma voz sarcstica e calma de mulher chamou do bar. - Por que no escreve um
poema sobre isso ou coisa assim? T precisando esfriar a cabea.
Dan, Jenny e Nate olharam. Era Vanessa, encarapitada em um banco do bar com seu vestido
preto de gato. Seus lbios estavam pintados de vermelho-escuro. Os olhos castanhos
estavam rindo. A cabea estava raspada como um soldado do exrcito.
A pele era to plida que brilhava. Ela estava fabulosa.
Pelo menos para Dan.
A coisa mais incrvel eram os olhos dela. Por que ele nunca reparou antes? Eles no eram s
castanhos, como os de Serena eram s azuis. Estavam falando com ele. E diziam coisas que
ele queria ouvir.
- Oi - disse Vanessa, falando s com Dan.
- Oi - respondeu Dan. - O que est fazendo aqui?
Vanessa deslizou para fora do banco e andou. Colou o brao em volta dos ombros de Dan e o
beijou no rosto.
- Comprando uma bebida - disse ela. - Vem.
como sempre, b est no banheiro, mas a chega s

Depois de Cheek to cheek, a banda tocou Putting on the Ritz.
Serena e Erik fingiram que eram Ginger Rogers e Fred Astaire, exagerando em seu canto da
pista de dana. Serena agitava os braos alegremente, tentando ficar despreocupada, ser a
vida da festa, mas no conseguia deixar de pensar na expresso magoada de Dan.
E a Chuck apareceu.
- Me permite? - perguntou ele, deslizando a mo com o anel cor-de-rosa na cintura de
Serena e afastando Erik com a bunda.
Serena no podia ter pedido urn motivo melhor para parar de danar.
- De jeito nenhum.
Ela saiu da pista de dana e pegou a bolsa na cadeira. Talvez pudesse pegar Dan no bar e
conversar com ele, fumar uns cigarros.
Mas quando chegou ao bar, Serena viu que Danja estava conversando com...Vanessa. O
brao dela estava em volta dele e, apesar de a cabea ainda estar raspada e ela ainda usar
Doc Martens, o rosto parecia mais suave e mais doce do que Serena jamais viu. Isso porque
Vanessaolhava para Dan e Dan olhava para ela e eles estavam... apaixonados!
Serena continuou andando, direto para o banheiro das mulheres. Ainda queria um cigarro e
no queria estragar o momento deles.
Blair estava empoleirada numa pia no fim do banheiro, fumando Merits como uma louca.
Ouviu algum entrar, mas no se virou. Estava enrolada demais na prpria tragdia.
Havia uma boa chance de ela nao entrar em Yale, mesmo depois da doao
constrangedoramente exagerada de seu pai.
Nate no a amava. Ela nem tinha mais o mesmo nome do resto da famlia. E ainda era
virgem. Era como se realmente tivesse se tornado outra pessoa sem nem ao menos tentar.
Como se fosse atropelada por um carro e tivesse amnsia e continuasse vivendo sem
perceber que tinha sofrido urn acidente.
O nariz de Blair escorria no vestido e ela o limpou nele. Nem podia dizer se estava chorando
mais. Ela se sentia entorpecida.
- Oi, Blair, tudo bem? - perguntou Serena, meio tmida.
Blair na verdade no tinha mais caninos, mas ainda podia arrancar sua cabea a dentadas.
Blair olhou por sobre o ombro e assentiu. Fios de cabelo castanho estavam colados em suas
bochechas umidas e o delineador estava borrado.
- Toma - comentou Serena, and ando na direo dela e lhe passando urn bolo de toalhas de
papel. - Tenho maquiagem e essas coisas na minha bolsa, se voc precisar.
- Obrigada. - Blair pegou as toalhas de papel. Assoou o nariz, os ombros tremendo com o
esforo. Serena nunca a vira assim to esgotada.
- Voc est bem? - perguntou ela novamente.
Blair olhou para cima e viu uma preocupao genuna nos olhos azuis de Serena. Era
inacreditavel, mas era verdade.
Mesmo depois de Blair ter sido tao incrivelmente cruel com ela, Serena ainda se importava.
- No - admitiu Blair. - Definitivamente no estou bem. - Seu peito pesou quando ela deixou
escapar urn soluo. - Minha vida esta uma droga.
Uma das alas de contas do vestido de Blair caiu. Serena estendeu a mao e a colocou no
lugar.
- Eu te vi roubando a cala de pijama na Barneys.
Blair olhou para cima.
- Mas no contou a ninguem, n? - perguntou ela.
Serena sacudiu a cabea.
- No.
Blair suspirou e olhou para seus belos sapatos.
- No sei por que fiz aquilo - disse ela, o lbio inferior tremendo. - Ele nem me agradeceu
pelo presente.
Serena deu de ombros.
- Ele que se foda. - Ela vasculhou a bolsa e pegou uma escova e urn mao de cigarros.
Acendeu dois cigarros e passou um para Blair. -  seu aniversrio.
Blair assentiu e pegou o cigarro. Tentou soltar a fumaa enquanto as lgrimas rolavam em
seu rosto. E depois soltou um soluo alto.
Serena se segurou para nao rir, mas no conseguiu evitar.
Blair estava to ridcula. Ela mordeu seus notrios lbios para prender a gargalhada. As
lgrimas mancharam o rosto perfeito.
Blair encarou Serena. Mas, quando abriu a boca para dizer alguma coisa desagradvel, s o
que saiu foi outro enorme soluo. Ela prendeu a respirao.
- Vai se foder - disse ela com uma gargalhada.
E, depois que comeou, nao conseguiu parar. Nem Serena.
Parecia to bom rir! A mscara desabou do rosto das duas e seus narizes gotejavam no
cho, fazendo-as rir ainda mais.
Quando finalmente recuperaram o controle, Serena ficou de p atras de Blair e comeou a
pentear o cabelo dela.
- Bem, feliz aniversrio - disse ela, olhando para Blair no espelho, o cigarro preso entre os
dentes. - Me avisa se doer.
Blair fechou os olhos e deixou cair os ombros. Pelo menos dessa vez ela nao estava
pensando na entrevista de Yale, nem em perder a virgindade para Nate, nem em sua famlia
confusa. Ela no era a estrela de nenhum filme. S estava respirando, desfrutando o puxo
suave da escova no cabelo.
- Nao di - disse ela a velha amiga. -  bom.



quem saiu da festa e quem chegou

- No acho que a Vanessa v querer ir embora comigo - cochichou Jenny para Nate,
apontando para onde Vanessa e Dan estavam, as cabeas juntas no bar.
- Quem disse que voc vai embora? - perguntou Nate.
Jenny ajeitou o vestido nas coxas. Ela e Nate tinham se beijado por algum tempo e o vestido
havia subido.
- Bem, voc no tem de voltar para a recepodo casamento? Quer dizer, voc no  tipo
escudeiro, ou coisa assim?
Nate inclinou o copo e esmagou urn cubo de gelo entre os dentes. Ele nao ligava mais para
quem os visse juntos. Nem Blair. Ele queria que ela os visse.
- , mas vou levar voc comigo - disse ele.
- De jeito nenhum. -Jenny engasgou, meio apavorada e meio morta de emoo. - Eu no
posso!
Mas  claro que ela estava morrendo de vontade de ir. Podia at ter uma foto publicada na
Vogue!
- Vamos l - insistiu Nate. Ele se levantou e pegou a mo dela. - Vamos danar.


Dan tomou urn grande gole de usque e colocou o copo no balco.
- E a, aposto que voce acha que sou um man total, n? - disse ele, virando-se para ver os
olhos castanhos e sorridentes de Vanessa. Novamente ele se perguntou como pede no ter
reparado neles antes.
- Bern, voce  mesmo urn man - confirmou Vanessa, cruzando as pernas como uma dama.
Ela pegou urn punhado de amendoins de urn prato no balco e o enfiou na boca.
- Mas voc ainda me ama, n? - perguntou Dan, observando-a intensamente.
Vanessa pegou uma bola de fios de suas meias arrastao e a atirou no cho do bar. Mal podia
acreditar que estava realmente azarando o Dan. Nem tinha terminado com Clark ainda! Mas
era urn pouco divertido ser assim meio vagaba.
Ela se inclinou para Dan e o beijou nos lbios trmulos.
-  - disse ela, a boca ainda cheia de amendoins.


- Nate e eu amos transar esta noite - disse Blair, jogando-se na cama de seu quarto de
hotel e tirando os sapatos.
Seus membros estavam frouxos e moles de exausto. Ela se sentiu bem em se espalhar na
cama.
Serena decidiu no insistir em perguntar a Blair o que tinha dado errado. Tirou o vestido pela
cabea e o largou em uma poltrona no canto. Usando somente a calcinha mnima de cetim
La Perla, ela foi para o banheiro e vestiu um roupo felpudo. Saiu de l com outro roupo
para Blair.
Blair pegou o roupo e se livrou do vestido.
- No olhe - alertou ela. - No estou usando calcinha.
Serena riu e revirou os olhos para o teto. Tinha se esquecido da tendncia de Blair de levar
as coisas a extremos.
- No me diga que fez depilao com cera tambm, n?
Blair sorriu. Serena a conhecia bem demais.
- , eu fiz - admitiu ela. - Que desperdcio.  Ela atirou o vestido no cho. - E aquela porra
est me dando brotoeja.
Serena foi ate a TV e a ligou.
- Fico me perguntando se eles tem o canal da Playboy aqui. A gente podia ver uns filmes
porns e pedir cerveja do servio de quarto - brincou ela. Levou o controle remoto para a
cama e se sentou.
- Me d isso aqui. - Blair pegou o controle da mo de Serena.  O aniversrio  meu. -J que
no ia ter sexo nenhum, ela podia pelo menos ver o canal de clssicos. Eles sempre
passavam filmes da Audrey Hepburn. - Vamos ver um filme e depois vamos a uma boate ou
algo assim.
- Legal- disse Serena, empilhando os travesseiros para poder se recostar neles. - Mas
podemos pedir uma pizza ou coisa assim? Estou faminta.
Blair se arrastou de costas na cama para poder se sentar bem ao lado de Serena. Zapeou
pela TV ate encontrar o canal de clssicos. Bonequinha de luxo tinha acabado de comear.
Ela se ajeitou para assistir, apoiando a cabea no travesseiro at que ficasse s a alguns
centmetros da cabea de Serena, os fios de seus longos cabelos castanhos se misturando
com os louros da amiga.
As duas meninas assistiram a Audrey Hepburn adejar pelo apartamento e paquerar o novo
vizinho. Elas cantaram juntas Moon river na escada de incndio do apartamento dela e
contaram quantos chapus malucos ela usava.
Audrey Hepburn tinha porte, era magra e sempre sabia o que dizer. Tinha roupas incrveis e
era fabulosamente bonita.
Era tudo o que Blair queria ser.
Blair suspirou alto.
- Eu no sou nada parecida com a Audrey, n?  perguntou ela em voz alta.
Serena sorriu, sem tirar os olhos da tela.
- Claro que  - disse ela. Blair achou melhor acreditar que era verdade.




                               Gossipgirl.net
    ___________________________________________________________________

             temas / anterior / prxima / faa uma pergunta / respostas

  Advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram alterados ou
                  abreviados para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.



                                         oi, gente!

Flagra

No sbado a noite: D e V de mos dadas quando saiam do St. Claire. Ei, ela j no tem
namorado? J e N andando pelo Central Park em uma daquelas charretes. Meio vulgar, mas
bonitinho. B e S na Patchouli no centro, danando umas coisas malucas com vestidos iguais.
No domingo: S resgatando um embrulho na casa de N. Depois, S e B no departamento
masculino da Barneys, devolvendo uma cala de pijama de cashmere para a prateleira. Que
boas samaritanas!


Seu e-mail

P: Oi, Gossip Girl,
Antes de tudo, v se foder. Segundo, no se preocupe com B. A me dela e o padrasto vo
ficar um ms fora, em lua-de-mel, e vamos todos cair na farra como uns malucos na casa
dela. Eu tenho de saber, eu tambm moro l. ;)
- DoubleA

R: Caro DoubleA,
Quem disse que eu estava preocupada? Te vejo l!
- GG

Perguntas e Respostas

Com todo mundo trocando de parceiro de um lado pro outro,  meio difcil saber o que vai
acontecer!

Ser que B e S ficaram amigas?

Ser que B e N se tornaram "apenas bons amigos"?

B vai descobrir o verdadeiro amor? Ser que vai perd-lo?

V vai chutar o namorado para ficar com D?

Ser que D vai ser feliz? Ser que vai parar de escrever poesia?

N e J vo ficar juntos?

S vai conhecer algum que possa atrair sua ateno por mais de cinco minutos?

Um dia eu vou parar de falar sobre tudo isso a em cima?
De jeito nenhum!
At a prxima,

                                  Pra voc que me ama,
                                        gossip girl
www.BaixeLivro.com
